A versão de "Bohemian Rhapsody" que John Deacon preparou e o Queen detestou
Por Bruce William
Postado em 08 de novembro de 2026
É difícil imaginar "Bohemian Rhapsody" sem sua famosa passagem operística, mas essa possibilidade chegou a ser considerada pelo Queen em 1975, quando a banda preparava o lançamento de "A Night at the Opera". A música tinha quase seis minutos de duração, misturava estilos bastante diferentes e parecia um pesadelo para quem precisava vendê-la às emissoras de rádio. John Deacon chegou a preparar uma versão reduzida, mas o resultado desagradou profundamente aos companheiros.
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Na época, o Queen atravessava dificuldades financeiras e havia acabado de trocar de empresário. Apesar do sucesso de "Killer Queen", os músicos ainda não desfrutavam da estabilidade que sua popularidade sugeria. O novo empresário, John Reid, incentivou o grupo a produzir o melhor álbum possível e prometeu resolver os problemas comerciais, mas nem ele estava inteiramente convencido de que "Bohemian Rhapsody" funcionaria como compacto.
Em entrevista de 2024 à Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, Brian May recordou que a duração da música era considerada um obstáculo praticamente intransponível. As informações que chegavam à banda indicavam que as emissoras simplesmente se recusariam a tocar uma composição tão longa.
"Fomos avisados de que 'Bohemian Rhapsody' não funcionaria como single porque era longa demais. A informação que tínhamos era que ninguém a tocaria, nenhuma estação de rádio a tocaria", contou May, antes de revelar uma tentativa curiosa de solucionar o problema. "John [Deacon] chegou a preparar uma edição que começava com o verso e os primeiros refrões, depois eliminava toda a seção operística e terminava com a conclusão do refrão. Mas todos nós detestamos aquilo", explicou o guitarrista. A banda preferiu preservar a estrutura concebida por Freddie Mercury, mesmo diante do risco de comprometer suas possibilidades comerciais.
May também contou que a complexidade da composição não chegou a surpreender os integrantes do Queen. Freddie já havia apresentado trabalhos ambiciosos como "My Fairy King" e "The March of the Black Queen", e o grupo estava acostumado a desenvolver ideias bastante elaboradas em estúdio. "Bohemian Rhapsody" parecia uma continuação natural dessas experiências, embora ninguém soubesse exatamente como o público reagiria.
A situação começou a mudar graças ao radialista Kenny Everett, da Capital Radio, que conseguiu uma cópia da gravação antes de seu lançamento e passou a executá-la repetidamente. A reação dos ouvintes foi tão positiva que ajudou a derrubar a resistência inicial. Lançada em 31 de outubro de 1975, "Bohemian Rhapsody" chegou ao primeiro lugar nas paradas britânicas, onde permaneceu por nove semanas.
Décadas depois, a experiência continuava sendo lembrada por May como um exemplo da importância de preservar a identidade musical do Queen. A banda chegou a experimentar uma solução comercialmente mais convencional, mas acabou apostando na versão completa. E aquela passagem operística que quase desapareceu do compacto se tornaria justamente uma das características mais reconhecíveis de sua música.
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