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Foo Fighters

Ser músico é coisa de mané?

Por
Fonte: Site Metal Sucks
Postado em 19 de março de 2011

Publicado originalmente no Metal Sucks.

Se você perguntar a qualquer pessoa normal na rua, todas elas sabem que músicos são falidos, disfuncionais, presunçosos, egocêntricos, arrogantes, sujos, elitistas, perdedores socialmente inaptos sem futuro algum. Por mais que eu acredite na voz do povo, eu pensei: o que a CIÊNCIA tem a dizer sobre esse assunto? Claramente, caras em bandas são perdedores, mas o que podemos aprender nos aprofundando no assunto? Exatamente qual é a triste trajetória de vida do típico mané de banda?

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Para responder a essa pergunta, eu fiz uma rigorosa análise estatística de dois grupos aleatórios de homens: um grupo que devotou sua vida à música, o outro que era de gente normal, saudável, pessoas do dia-a-dia cuja associação com música começou e terminou com o que quer esteja tocando na rádio.

Tópicos de interesse:

A: "O garotinho esquisito" (5 anos de idade)

A maioria das pessoas em bandas eram moleques fodidos que ninguém gostava – o menino esquisito, sujo que cheirava mal e tinha que sentar sozinho no ônibus pra escola porque todo mundo o chamava de ‘cara de pinto’ e dizia pros outros colegas que ele comia suas próprias catotas. Essa alienação é a raiz da raiva e da insegurança que causa a triste, desesperada fome de atenção de estranhos que é compartilhada por todos os músicos.

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B: O Show de Talentos no Ensino Médio (16 anos de idade)

Esse é o primeiro momento no qual o 'fator legal’ de um cara de banda excede o que um cara normal – o cara da banda toca um cover muito do mal-feito de uma canção popular no show de talentos de sua escola e percebe que segurar uma guitarra ou um microfone é tudo que é preciso para conseguir a atenção de fêmeas com problemas paternos e baixa auto-estima. O cara normal coça a cabeça, porque ele se lembra de quando o cara da banda era o moleque esquisito que comia suas próprias catotas, e não entende porque as garotas estão de repente prestando atenção nele. Apesar dele não entender, ele apenas dá de ombros e volta a estudar para a prova de química.

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C: Primeira grande turnê (23 anos de idade)

Em nenhum ponto o contraste entre os caras de banda e os normais fica mais aparente do que nesse momento. O cara normal é um pobre coitado trabalhando em seu primeiro emprego depois da faculdade, ganhando merreca e vivendo uma vida completamente embaraçosa. Enquanto isso, o cara da banda está no topo do mundo em sua primeira turnê como atração principal, farreando pra caralho, comendo groupies, e geralmente se divertindo como um louco. As fêmeas com certeza estão atrás do cara da banda, porque ele está ‘fazendo algo incrível com sua vida’, enquanto o cara normal é apenas outro otário com um empreguinho burocrático que só quer ir pra casa, tomar uma cerveja, e bater um pouco de Xbox antes de cair no sono em frente da televisão.

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D: Os semelhantes começam a se acasalar (26 anos de idade)

Apenas alguns anos depois, as mesas começam a virar: o cara da banda ainda está ralando na estrada, só que a novidade está passando depressa. Aos 23 anos ele estava feliz apenas por poder tocar em frente de uma platéia decente, e se ele ganhasse apenas 50 pilas por show depois de todas as despesas pagas, que fosse – ele ‘estava nessa pela música’. O cara normal, por outro lado, está em seu emprego por alguns anos, teve algumas promoções, e está começando a ter uma bela duma vida. Ele está se sentindo financeiramente confortável, e decide que está na hora de se casar. O cara da banda acha que ‘casamento é cafona’ e ‘uma instituição social sem sentido’, mas no fundo sente que sua batata está assando. Ele acha difícil atrair mulheres da idade dele, porque elas estão procurando por um cara estável que quer ter uma família, não um nanico mental que ainda acha que é legal viver como um universitário e tocar música para adolescentes com problemas sociais.

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E: A fase do ninho (32 anos de idade)

A essa altura, o jogo está praticamente acabado. O cara da banda ainda está com o lance de música, mas ele está envelhecendo e as platéias não. Ele tem literalmente o dobro da idade das pessoas que ouvem sua música, ele vai pra cadeia se tocar em qualquer uma de suas groupies e seus amigos não-músicos pararam de ir a seus shows porque eles se sentiam culpados por deixarem seus filhos sozinhos em casa numa noite de dia da semana. Eles todos acham que ele é um cara legal, mas quando o nome dele surge na conversa todos balançam a cabeça de dó e perguntam-se quando ele vai crescer. O ‘fator legal’ do cara da banda evaporou-se completamente, e nesse ponto ele está igual aos outros caras sujos e falidos que imploram por troco de universitários. Seus amigos normais estão sem graça demais para rir dele: ele é mais objeto de pena do que de ridículo.

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F: ‘Aquele cara que ainda está numa banda’ (40 anos de idade)

Agora eu sei que você sabe pra onde essa trágica história vai. Os filhos do cara normal estão no começo do ensino médio, ele é gerente sênior em seu emprego, e sua vida é bem legal – nada muito excitante, mas ele está sossegado com isso. O cara da banda, enquanto isso, trabalha em alguns empregos menores (bartender/ promotor de shows do boteco classe C da cidade), e na maior parte do tempo anda com pessoas que são 10-20 anos mais jovens do que ele porque ninguém da idade dele tem nenhuma vontade de pôr os pés nas espeluncas que ele trabalha ou se diverte.

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G: O alcoólatra triste e velho/meus pais (50 anos de idade)

Eu acho que nem preciso continuar, porque nessa altura do campeonato a trilha está bem clara. A menos que eles fiquem espertos e saiam de vez do lance de música, os caras de banda estão fadados a ser ‘o figurinha de plantão’ que está sempre no bar, falando merda sobre os grandes dias do passado para qualquer um infeliz o suficiente pra chegar a uma distância de onde seus gritos sejam audíveis. Se isso parece bom pra você, então continue tocando em sua bandinha, eu tenho certeza que você vai estourar qualquer dia desses. Mas lembre-se: a escolha é sua! Nunca é tarde demais pra virar um cara normal.

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Sobre Nacho Belgrande

Nacho Belgrande foi desde 2004 um dos colaboradores mais lidos do Whiplash.Net. Faleceu no dia 2 de novembro de 2016, vítima de um infarte fulminante. Era extremamente reservado e poucos o conheciam pessoalmente. Estes poucos invariavelmente comentam o quanto era uma pessoa encantadora, ao contrário da persona irascível que encarnou na Internet para irritar tantos mas divertir tantos mais. Por este motivo muitos nunca acreditarão em sua morte. Ele ficaria feliz em saber que até sua morte foi motivo de discórdia e teorias conspiratórias. Mandou bem até o final, Nacho! Valeu! :-)
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