Anathema: "Não somos uma banda de metal por quase 20 anos"

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Por Edilson Luiz Piassentini, Fonte: Underground Newz
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Formada em 1990 na cidade de Liverpool (Inglaterra), pelo irmãos Daniel, Vincent e Jamie Cavanagh, a banda Anathema foi uma das mais influentes no cenário europeu de doom metal na década de 90. Com o passar dos anos, a banda veio evoluindo musicalmente, onde começou a diversas influências musicais e experimentações, contribuindo ainda mais para que o Anathema se afastasse do doom metal do início da carreira e criasse um estilo único. Hoje a página Underground Newz entrevistou um dos lideres da banda, o guitarrista e vocalista Vincent Cavanagh, que com muita simpatia nos conta sobre a evolução da banda, sobre o último álbum Distant Satellites e muito mais! Confiram!

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UNDERGROUND NEWZ (EDILSON) - Vincent, primeiramente agradeço pela entrevista, muito mais ainda por ser um grande fã da banda. Já são mais de 20 anos de carreira, e a evolução do Anathema é algo extraordinário. Como você analisa toda essa trajetória desde o EP The Crestfallen até o mais recente trabalho Distant Satellites?

VINCENT CAVANAGH - Ótima pergunta, porque ele me dá a chance de acabar com o mito de que o Anathema tem apenas duas "eras". O material antigo e o moderno, classificar a nossa trajetória assim é ser extremamente simplista e preguiçoso. Acho que às vezes esses mitos se perpetuam quando as pessoas falam muito uma coisa e acabam acreditando que aquilo é uma verdade, sem investigação, especialmente na internet. Mas o ponto em questão é, se você olhar para todos os nossos trabalhos desde o início, você vai ver sempre muita experimentação, além disso, se você fosse ouvir os álbuns em ordem, você verá que foi uma coisa gradual, uma evolução natural. Agora que já lançamos 10 álbuns, é óbvio que a trajetória parece mais acentuada porque essa evolução vem acontecendo há 20 anos. Pessoalmente, eu estou feliz de fazer parte de algo que considero único, e se eu sou capaz de ver tudo objetivamente, eu diria que o Anathema é uma das poucas bandas que têm um arco na carreira interessante. Eu acredito que nós começamos com o nosso próprio som e apesar do sucesso inicial, nós nunca tivemos medo de mudar, nunca quisemos nos manter no caminho seguro e apenas dar às pessoas o que elas querem. Sempre tivemos uma crença inata em nós mesmos e no que podemos fazer. Não há destino final, nós nunca vamos nos forçar a encontrar um som que nos faça felizes. O único objetivo é permanecer na nossa própria estrada e seguir em frente.

UNDERGROUND NEWZ (RICARDO) - Quando você assumiu os vocais no álbum The Silent Enigma, havia uma certa agressividade, porém a banda ganhou mais sentimento em suas composições e principalmente nas linhas vocais. Nota-se que os sentimentos nas partes vocais continuam e você está cantando como nunca!! Tudo isso se deve apenas ao tempo ou você sempre buscou aperfeiçoar com muito estudo ao longo do tempo?

VINCENT CAVANAGH - A princípio eu nunca quis ser o frontman, mas nós estávamos no estúdio com um álbum para terminar, então eu tive que aceitar. A banda tinha confiança em mim, então eu fiz, e eu sentia que serviria para aquelas músicas. Não tive tempo para considerar que eu seria um vocalista, depois de alguns anos eu ainda estava tentando me encontrar, e realmente só descobri que podia cantar na época do Alternative 4, e foi então que eu comecei a gostar, assim como a maioria das coisas na música, pois quando você é muito jovem você ainda está tentando descobrir quem você é, ainda tentando encontrar a sua própria voz. Isso foi a descoberta mais importante para mim. Buscar a minha própria voz é algo que acho que tenho feito bastante, mas eu ainda sinto que tenho algo a melhorar. Há muitas coisas que eu nunca faria como um cantor, mas há outras que eu gostaria de tentar.

UNDERGROUND NEWZ (RICARDO) - O álbum Alternative 4 foi um divisor de águas e ali havia indícios de um "novo" Anathema com propostas musicais diferentes de tudo que já haviam feito. Concorda que a pegada progressiva surgiu a partir do clássico álbum Judgement de 1999?

VINCENT CAVANAGH - A maior mudança que tivemos foi entre os álbuns Eternity e Alternative 4. Foi então que nós afinamos as guitarras no padrão E (Mi). Nós tiramos as diversas camadas de guitarras e teclados, para nos focarmos somente na composição. Caso a canção exigisse algo, colocaríamos apenas se fosse absolutamente necessário. Se você está escrevendo músicas profundamente confessionais, que carregam uma verdade absoluta, por que enfeitar? Basta despir as camadas, até chegar na essência do que você está tentando dizer. O âmago da emoção que você está tentando passar, tanto musicalmente como liricamente foi a grande lição que aprendemos, e o início de tudo do que estava por vir.

UNDERGROUND NEWZ (EDILSON) - Falando do álbum Distant Satellites, podemos ver que o mesmo possui uma atmosfera mais obscura e tem mais variações rítmicas em comparação ao Weather Systems, sem contar o lado eletrônico. Como foi o processo de composição do álbum, e podemos dizer que Distant Satellites é mais um passo que a banda deu com relação a sua evolução musical?

VINCENT CAVANAGH - Sim, definitivamente. Especialmente no que diz respeito à base eletrônica e o foco nos ritmos e batidas que continuarão a ser parte do som da banda, nos permitiu mais uma evolução. Há muitos outros instrumentos acústicos que gostaríamos de trabalhar.

UNDERGROUND NEWZ (EDILSON) - Quais foram os maiores desafios que vocês tiveram no processo de criação de Distant Satellites?

VINCENT CAVANAGH - Danny escolheu escrever suas letras no estúdio. Isso foi difícil, porque quando tudo funciona bem, tudo ótimo, mas quando algo não dá certo e o tempo continua passando, a pressão começa a aumentar, mas no fim acabou dando tudo certo. Da próxima vez eu gostaria de ter tudo escrito e preparado antes de ir ao estúdio.

UNDERGROUND NEWZ (RICARDO) - Distant Satellites nos faz sentir fora de órbita em alguns trechos e realmente nos remete a planetas distantes de tão rico e mágico! Vocês tem planos para um próximo lançamento o que seria uma ótima noticia para os fãs espalhados ao redor do mundo e porque não dizer em outros planetas rsrsrs?

VINCENT CAVANAGH - Nós nunca paramos de escrever. Faz parte de nossa rotina. Já temos bastante material que pode ser a base do nosso próximo álbum. Realmente, temos muita coisa. Por isso, vai ser complicado escolher quais as idéias que ficarão de fora, mas tudo isso faz parte do processo. Eu não vou falar muito sobre isso agora.

UNDERGROUND NEWZ (RICARDO) - O rótulo "metal" os perseguem até os dias atuais. Você concorda com o rótulo imposto por alguns fãs ou realmente isso já não faz mais parte do trabalho executado pela banda?

VINCENT CAVANAGH - Não fomos uma banda de metal por quase 20 anos. E fim de história.

UNDERGROUND NEWZ (RICARDO) - E falando em comparações ou rótulos, ser comparado ao gigante Pink Floyd por diversos meios de mídia especializados ajuda ou atrapalha a carreira da banda?

VINCENT CAVANAGH - Isso quase nunca aconteceu. Se fazem eu trato como elogio, mas é algo extremamente incorreto.

UNDERGROUND NEWZ (RICARDO) - Alguns fãs mais curiosos assim como nós têm interesse em saber o gosto musical e principalmente o que vocês ouvem quando tem algum tempo disponível, seja na estrada ou em momento de descanso. Alguma sugestão que você acha interessante no mercado atualmente?

VINCENT CAVANAGH - O que tenho ouvido: Casino vs Japan, worriedaboutsatan, 65daysofstatic, Max Richter,Frankie Sparo, Johann Johannson, Aphex Twin, Amon Tobin, James Blake, Sohn, Deru,Shigeto, Murcof, Caribou, Polinski, Jon Hopkins, Stiver, Brambles.

UNDERGROUND NEWZ (EDILSON) - Vocês estarão novamente no Brasil agora dia 08 de fevereiro. O que os fãs podem esperar desse novo show? Estão preparando algo de especial para esse dia?

VINCENT CAVANAGH - Um ótimo setlist com as novas músicas, além de um mix de algumas coisas dos mais antigos.

UNDERGROUND NEWZ (EDILSON) - Vincent, mais uma vez, agradecemos pela oportunidade. Deixe um recado para os fãs da banda e para os nossos seguidores. Abraços e sucesso sempre!

VINCENT CAVANAGH - Obrigado. Lembranças daqui deste ameno inverno em Paris. Ansioso para usar shorts e chinelos por alguns dias. Vejo vocês lá....

O Anathema, um dos ícones do doom/pop metal mundial, está de volta à América Latina. A banda inglesa retorna ao Brasil para única apresentação. O show que acontece, neste domingo (08/02), na Clash Club, em São Paulo, faz parte da aclamada turnê promocional do álbum "Distant Satellites".




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Sobre Edilson Luiz Piassentini

Amante do metal desde os 13 anos de idade, fã indiscutível de King Diamond e Mercyful Fate, e também um grande apreciador das cervejas estilo Weiss e um dos editores do site Rock N'Breja! Rock e Cerveja, a combinação perfeita.

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