Nervosa: entrevista exclusiva para o Rock Amazonense
Por Maurício Martins
Fonte: Rock Amazonense
Postado em 10 de novembro de 2014
A Nervosa é uma das principais bandas de thrash metal da atualidade no país e que vem alcançado cada vez mais reconhecimento e admiração do público. Elogiadas até pelo Max Cavalera (que dispensa apresentações), a banda vem trabalhando duro desde o seu nascimento, em 2010, lançando alguns trabalhos e realizando shows por todo o país.
Formada por Prika Amaral (guitarra e backing vocals), Fernanda Lira (baixo e vocal) e Pitchu Ferraz (bateria), a banda vem divulgando com força total o álbum "Victim of Yourself", com 12 faixas e lançado neste ano.
O Rock Amazonense bateu um papo exclusivo com a Nervosa que esteve pela primeira vez em Manaus no mês passado. Aproveitem o papo e não deixem de compartilhar, comentar e de curtir a página da banda.
ROCK AMAZONENSE - Recentemente vocês foram elogiadas pelo Max Cavalera, muito bacana. O quanto vocês acreditam que isso poderá contribuir para o trabalho da banda e, claro, o que representa esse reconhecimento em particular para vocês?
PRIKA – Isso é um fato que só nos inspira e dá forças, ser elogiada por um ídolo é demais, é muito importante o apoio de cada um, mas de um grande nome é muito especial, isso nos anima e nos guia, porque isso é uma indicação de que estamos no caminho certo. Sem dúvidas é um sonho!
Pitchu Ferraz - Elogios de um ídolo como Max Cavalera é muito massa, faz todo o trabalho da banda ser reconhecido por pessoas que vivem o thrash metal e sabem o quanto é importante isso! Obrigada Max!
ROCK AMAZONENSE - Uma banda de trash formada só por mulheres é algo que por si só já chama a atenção. Mas quais foram as principais dificuldades que vocês enfrentaram no começo, tiveram que superar algum tipo de machismo ou até desmerecimento só pelo fato de serem mulheres fazendo thrash metal?
PRIKA – Esse tipo de preconceito vem de pessoas que não tem noção da vida, são coisas ruins do qual eu ignoro, eu vou fazer o que eu gosto e não vou me importar com pessoas preconceituosas. Isso não nos atrapalha e nem nunca vai atrapalhar, pois o público em sua maioria nos aceita e nos apoia.
Pitchu Ferraz - Acho que a gente no palco, na hora de tocar ao vivo, é que supera o machismo, mostrando que podemos sim tocar thrash e se divertir como qualquer um.
ROCK AMAZONENSE - Uma pergunta chata, mas necessária. Vocês ainda são incomodadas pela apresentação de vocês no Showlivre? Ainda tem uma galera que guarda aquele momento como a única coisa que vocês fizeram até hoje como banda (!!!!)? Qual foi a maior lição deixada por esse episódio?
PRIKA – Aquilo foi um episódio de desleixo da banda, não tínhamos repertório e tínhamos que encher linguiça com cover, e tiramos de qualquer jeito, não treinamos e tiramos na nossa afinação que é completamente diferente da original. Isso foi um erro, está horrível e tenho vergonha de cada vez que assisto. Mas foi bom porque serviu de lição, pois isso fez com que algumas pessoas deixassem de gostar da gente. Mas quem acha que isso foi a única coisa que fizemos, é uma pessoa preconceituosa, pois nem buscou informações sobre a gente e esta julgando com bem entende. Nós fizemos muitas coisas legais, a banda mudou drasticamente de lá pra cá, não apenas com a troca da baterista, mas sim também com evolução natural que a estrada traz para a banda num geral.
Pitchu Ferraz - Ainda não estava na banda, mas vendo de fora, não tem só o Showlivre e sim outros tantos vídeos e shows que mostram a evolução geral de um trabalho com carinho e dedicação da Nervosa.
ROCK AMAZONENSE - Prika, em uma entrevista sua, para a Heavy Metal Breakdown, você tem a seguinte frase: "Se a sua banda não está na internet, ela não existe". Por favor, você pode falar dessa importância que a internet possui hoje para as bandas e, principalmente, o papel que ela teve para a Nervosa? Se puder, aponte os principais erros, em sua opinião, que as bandas cometem ao buscar a internet como ferramenta de divulgação.
PRIKA – Eu disse isso como uma análise do cenário atual, hoje as pessoas estão conectadas o tempo todo, e internet é o único meio de comunicação para muitas pessoas. Hoje em dia ninguém se comunica por cartas, bandas de metal não estão mais na TV, então se você não colocar sua banda na internet sua banda estará no anonimato. A internet tem muitos pontos ruins, mas tem os pontos positivos, e hoje para divulgar a sua banda é muito mais fácil, pois a rede permite atingir muitas pessoas em pouquíssimo tempo. Se você usa a internet para divulgar a sua banda não tem pontos negativos, a não ser que você fique enchendo o saco dos seus amigos para curtir a página, ou pra entrar num grupo ou para confirmar presença em eventos, isso deve ser natural e espontâneo, pois só assim você vai saber quem realmente gosta da sua banda ou não. O grande erro que muitos comentem é ficar criticando o trabalho alheio, por pior que você ache o trabalho do outro, fique na sua, pois o que você acha ruim outras pessoas podem achar bom, se preocupe com a sua banda e não em denegrir o trabalho do outro, pois todo trabalho houve esforços, houve dedicação e devemos respeito.
ROCK AMAZONENSE - E nítido perceber a evolução da banda desde o lançamento da demo de vocês, em 2012, até o lançamento do álbum "Victim of Yourself", em 2014. Mas antes do lançamento do "Victim...", qual foi o processo pessoal pelo qual você, junto com a Fernanda e Pitchu, teve que passar? Ou seja, do que vocês tiveram que abdicar, suportar e aprender para chegar onde estão hoje?
PRIKA – No processo de composição do disco foi bem tranquilo, pois éramos só eu e a Fe Lira, então as coisas funcionaram bem e conseguimos terminar o disco em um tempo bem curto. Logo depois do início das gravações a Pitchu entrou para banda, e isso nos deu um gás, uma batera como ela, dedicada e tranquila, só nos trouxe confiança, e a estrada foi nos polindo, ainda temos muito o que crescer, evoluir e melhorar, mas só de estarmos dando passo a frente já nos deixa felizes. Foi uma mudança natural e perfeita, a banda se completou agora e o time fechou, essa é a Nervosa.
Pitchu Ferraz - Estar sempre tocando faz agente evoluir naturalmente, errando, acertando, vamos seguindo com dedicação no que se está fazendo agora.
ROCK AMAZONENSE - E a turnê sulamericana de vocês, não rolou? Qual o motivo e se existe previsão de quando irá acontecer?
PRIKA – Vários motivos levaram ao cancelamento dessa turnê, muitas bandas atualmente estão cancelando suas turnês pela América do Sul, e com a gente não foi diferente, porém temos shows isolados marcados, que é o que funciona melhor, pois assim um show não depende do outro. Agora, dia 15/11, vamos tocar em Buenos Aires, na Argentina, e em dezembro na Nicarágua, El Salvador e Guatemala, então está rolando, ano que vem teremos muitas novidades.
Pitchu Ferraz - Não rolou, pois existem falhas de logísticas, datas, etc., onde é normal acontecer com bandas que estão trabalhando suas tours, e logo estaremos com shows por lá novamente.
ROCK AMAZONENSE - Em novembro vocês tocam no México, essa será a primeira tour da banda fora do país de fato, correto? Qual a expectativa para os shows por lá e qual a importância, em sua opinião, em desbravar territórios além do Brasil por meio da música. EUA e Europa são as próximas paradas da banda? Neste ano ainda tem chances disso acontecer?
PRIKA – Os nossos shows no México foram cancelados também, nós já fizemos dois shows fora do Brasil, na Colômbia e Bolívia, e foi demais, tanto aqui no Brasil quanto fora é sempre legal, cada país tem sua particularidade e pra mim é legal tocar em todos os lugares. Ano que vem temos muitos planos para tocar fora do Brasil, estamos começando a agendar tudo e falar de datas agora seria muito precipitado, mas temos muitas coisas engatilhadas já que temos um contrato com a Rock The Nation, nos EUA, e com a The Flaming Arts, na Europa, então uma hora desenrola e vai! (risos)
Luis Alberto Braga Rodrigues | Rogerio Antonio dos Anjos | Everton Gracindo | Thiago Feltes Marques | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
ROCK AMAZONENSE - Vocês estão ouvindo alguma banda nova de metal? Quais? Além disso, além do metal, vocês ouvem algum outro estilo de som?
PRIKA – Bandas novas? Difícil, eu ando ouvindo CD novos de bandas antigas, serve? (risos) Tenho escutado muito o novo do Judas Priest, Vader, Exodus e Accept. E tenho ouvido muito metal nacional, o novo do Korzus, NoWay, MX, Woslom, Lacerated and Cabonized, e todos estão maravilhosos, só banda de alto nível. Além do rock no geral, eu escuto muito blues e músicas dos anos 60 e 70, como Jimi Hendrix, Grand Funk, etc., mas nada além disso.
Pitchu Ferraz - Vader, Behemoth, Coroner são bandas que estou escutando bastante, das novas ainda não (risos).
ROCK AMAZONENSE - Gostaria que vocês contassem a história de uma roubada no qual a banda esteve (seja ela de perrengue ou bizarra) e, em seguida, de uma boa lembrança que você tenha com a banda desde o início. Pode ser?
PRIKA – Com a Nervosa eu tive pouquíssimas roubadas, mas teve um show com uma situação bem engraçada e apocalíptica (risos). O show começou com muita fumaça que a banda sumiu, eu caí de joelho no retorno quase caindo do palco que tinha quase três metros de altura, o baixo parou de funcionar, a bateria estava tocando outra música, o prato caiu e pra finalizar a corda da guitarra estourou, tivemos que pedir desculpas, tive que trocar a corda e começamos de novo. E uma boa lembrança foi o nosso primeiro show fora do Brasil que foi na Colômbia, foi um show para quatro mil pessoas, éramos a banda principal, e foi demais, foi bem marcante.
Pitchu Ferraz - Ter nossos instrumentos extraviados pela companhia aérea e fazer show com outros emprestados da galera, foi crítico! Coisa boa são as pessoas cantando algumas musicas e curtindo Nervosa! Valeussss!
ROCK AMAZONENSE - Outras mulheres já veem vocês como referência? Ou seja, algumas mulheres ou até mesmo meninas dizem que se espelham em vocês para tocar metal? Qual a sensação e como isso se tornar um combustível pra banda?
PRIKA – Sim, algumas meninas nos dizem que somos inspiração para elas, e isso é sensacional, fico muito lisonjeada e feliz, pois espero que a participação das mulheres no metal seja cada vez maior. E isso nos dá forças para continuar, porque isso representa um apoio muito grande pra gente, é inspirador.
Pitchu Ferraz - Sim isso é demais! Os homens que se cuidem, mulheres thrashers!!!
ROCK AMAZONENSE – Contem o que acharam de tocar em Manaus e qual música não pode ficar de fora do repertório de vocês?
PRIKA – O nosso show em Manaus foi muito legal, o público é sensacional, vocês tem uma cena muito forte e é maravilhoso de se ver, admiro muito a garra e fidelidade com metal, é muito bom ver uma cena tão legal quanto a de Manaus, me surpreendeu muito. Não vemos a hora de voltar. Estamos divulgando o nosso disco, e a faixa título e single não podem faltar, que é a "Victim of yourself" e a "Death". Quando o evento permite fazemos o nosso show tocando todas as nossas músicas, o que dá por volta de uma hora de show.
ROCK AMAZONENSE - Para encerrar, gostaria que vocês deixassem uma mensagem não só para os músicos, mas para todos que possuem um sonho e que se veem diante das dificuldades e cogitam desistir, seja por falta de grana, incentivo, entre outros. Qual a mensagem que você pode deixar para que essas pessoas continuem e não desistam? Além de conselhos, claro!
PRIKA – Desistir não faz parte da vida de quem ama o que faz, não importam as dificuldades, o amor pela música irá sempre existir e em tudo o que formos fazer, sempre existirão as dificuldade e se você não as enfrentar nunca irá conquistar nada, pois em toda vitória há uma batalha, e geralmente a batalha nunca é fácil. Amor pelo que faz acima de tudo é o segredo. Obrigada pela oportunidade da entrevista, valeu pelo apoio e um obrigada aos leitores, e que todos continuem apoiando a nossa cena. Valeuuuuu!
Pitchu Ferraz - Não desista nunca! Escutar muita música, ter paciência, aprender errando e errando aprendendo! Thrash Metal is life!! Obrigada!
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