Eric Martin: "o Mr. Big vai voltar ao Brasil!"
Por Fabia Fuzeti
Fonte: Revista Dynamite
Postado em 17 de junho de 2010
Eric Martin veio ao Brasil para participar da Hard Legends Party, que aconteceu no Hangar Bar, em Curitiba, no dia 22 de maio, e no Carioca Club, em São Paulo, no dia 23. Ele conversou com a equipe Gasolina Filmes/Revista Dynamite após o show de São Paulo:
O fato é que o MR BIG está num hiato. Isso me causou um estranhamento, porque nós estávamos nesse embalo, nós tocamos no Japão, sudeste da Ásia e toda a Europa e ai então nós paramos. Então eu disse para nosso empresário: nós estamos nesse embalo... e ele respondeu: ERIC, você tem que se lembrar... e esse era meu ponto de vista também... Nós queremos que o MR BIG seja prazeroso e divertido o tempo todo. Como antigamente o MR BIG excursionava por muito tempo, nós terminávamos meio que querendo matar uns aos outros no final, nos abusávamos verbalmente ou ignorávamos uns aos outros e ficávamos remoendo coisas.
Eu ouvia rumores de que eu não gostava de sair em turnê e eu adoro! Muito. Eu faço minha turnê solo que é meio maluca. Com o MR BIG é melhor, mas também nada muito luxuoso. Mas minha turnê solo é numa van, rodando bastante, as pessoas não falam minha língua. Me mantém em forma e preciso fazer isso.
Nós falamos sobre isso (com o MR BIG) e eu disse: estou indo para a América do Sul. Eu estou chateado porque o MR BIG não tocou lá, mas eu entendo porquê. Acho que eles querem que a América do Sul seja o grande lance para 2011. Mas eu não pude esperar. Eu sempre adorei vir para o Brasil. Nos anos 80 tudo girava em torno de Los Angeles, LA era a bola da vez. Mas quer saber de uma coisa? Não precisamos de LA. O Brasil detona. O Japão devia notar isso. O Japão é um lugar incrível pro rock, porque eles são muito leais, mas o Brasil é um daqueles países onde as pessoas nunca se cansam do rock.
Eu fui no camarim do JEFF SCOTT SOTO no fim do show e disse: você é o cara! E ele respondeu: não, você é o cara. E ficamos trocando elogios. Eu disse para ele: você é demais, você me ensinou muito.
Quais são as outras pessoas que você admira?
AEROSMITH... o MR BIG fez uma turnê com o AEROSMITH nos anos 90 e eu era um grande fan do STEVEN TYLER quando eu estava crescendo no fim dos anos 70. Eu lembro do nosso primeiro show com eles em Barcelona. Nós fomos pro palco e a equipe estava preparando o equipamento, nós estávamos atrasados... e eu fiz algo que não deveria. Essa era a primeira turnê com eles, certo? Eu corri em direção ao STEVEN TYLER e ele disse para mim: hey, você é o ERIC MARTIN? Você é uma estrela. E eu disse: hun? Sério? Ai meu deus, isso me deixou extasiado. Isso foi...
Eu sou muito feliz com o que conquistei e foi incrível. E ele vinha no nosso camarim todas as noites, nós tocamos uns seis meses pela Europa, era a turnê do álbum "Permanent Vacation", foi sensacional para nós, e todas as noites STEVEN TYLER, eu e a banda cantávamos músicas dos BEATLES, só para ele aquecer. Foi uma experiência incrível.
E uma outra coisa, lá no começo, entre 1989 e 1992, nós abríamos para o RUSH, nós tocamos duas turnês com eles. E no começo ninguém queria saber da gente. Nós tínhamos uma canção chamada "Addicted to that Rush". E eu dizia para a platéia: are you addicted to RUSH? (Vocês são viciados no RUSH?). E eles respondiam: yeah! E a gente então tocava...
Todos os shows, GEDDY LEE e ALEX, não o NEIL, o NEIL é uma pessoa diferente, perfeita. Mas GEDDY e ALEX vinham e diziam: ERIC, muito obrigado por trazer mulheres para o show.
Você pode falar um pouco sobre o álbum "Timeless"?
É um projeto japonês. Quando eles me pediram para fazê-lo eu pensei: ok, ROD STEWART cantou o "American Songbook", eu posso fazer isso. Nós vamos chamá-lo de "Mr Vocalist", mas nós queremos que você cante baladas super pop e músicas de rock midtempo. São hits que venderam 20 milhões de cópias, cantados por mulheres.
Eu não sou a MARIAH CARREY, nem a WHITNEY HOUSTON. Eu sou o ERIC MARTIN e posso fazer isso do meu jeito. E é um ponto de vista masculino.
E você teve que usar terno e maquiagem...
Sim, tive que usar ternos. Na primeira vez que tive que vestir o terno achei estranho.
Isso foi algo que a gravadora pediu para você fazer?
Sim, exatamente. Mas eu gostei. ROD STEWART fica bem vestido assim. Mas eu sempre fui um cara que usa jeans e camiseta. Eu sou um cara dos anos 80 que usava botas de cowboy com esporas, e eu me orgulho disso. Era bacana e ainda é bacana. Mas o terno... também é um bom visual.
A Sony americana quis lançar esse álbum e o chamou de "Timeless", porque essas músicas são atemporais, especialmente músicas como "Superstar", dos CARPENTERS, que era uma das minhas músicas favoritas quando eu era jovem, e "You´ve Got a Friend". Você sabe que você ama essa música... É uma grande música... É da CAROLE KING, que era uma das minhas heroínas na época. Eu cresci nos anos 70. Eu não sou tão jovem quanto vocês pensam. Se você chegar perto você verá algumas rugas. Mas eu sou jovem de espírito.
O que eu posso prometer é que nós vamos gravar o álbum em setembro/outubro. E eu vou dizer uma coisa. Eu tenho uma ótima expectativa em relação a esse produtor, KEVIN SHIRLEY, que vai produzir o MR BIG, é um cara bacana, e ele já produziu o JOURNEY, IRON MAIDEN... e o álbum que eu considero um dos melhores, "By your Side", do BLACK CROWES. Nossa, que álbum pesado e melódico. Esse cara fez esse álbum. Ele é um produtor brilhante.
Quando eu disse pro BILLY SHEEHAM que estava vindo para a América do Sul, ele disse para eu me divertir e para dizer a todos que o MR BIG vai voltar. E é isso. Não posso dizer exatamente quando será. Mas a América do Sul está na ponta da língua do BILLY SHEEHAM. BILLY, PAT, PAUL e eu temos grande afeição pelo Brasil. Quando nós tocamos em São Paulo muitos anos atrás pra 100 mil pessoas na praia, não existe nada como aquilo, nunca houve nada como aquilo nas nossas vidas. Então nós voltaremos.
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