Roy Z: origem do nome, influências e mais em entrevista

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Por Thiago Coutinho, Fonte: Steel Mill, Tradução
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O guitarrista e produtor Roy Z — conhecido por seus inúmeros trabalhos com gente do porte de BRUCE DICKINSON, ROB HALFORD, HELLOWEEN, SEBASTIAN BACH, entre muitos outros — concedeu em abril de 2009 uma entrevista ao site Steel Mill, do guitarrista K.K. Downing (JUDAS PRIEST), e deu uma geral em sua prolixa carreira. Confira o bate-papo logo a seguir:
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Steel Mill — Olá, Roy! Antes de tudo, qual a origem do seu nome “Roy Z”?

Roy Z: "Meu nome de batismo é Roy Ramirez. Quando comecei a ficar mais conhecido, meu sobrenome não era muito popular em Los Angeles por conta do assassino em série chamado Richard Ramirez. As pessoas perguntavam a todo tempo se éramos parentes e comecei a ficar cansado daquilo. Sentindo que isso era bem negativo, comecei a assinar meu sobrenome de trás para frente, ‘Zerimar’. Fui a uma audição para integrar a banda solo de RONNIE JAMES DIO, meu nome estava escrito em um quadro negro como ‘Roy Z’. Um amigo meu, que havia me acompanhado para ajudar com o equipamento e tal, gostou e começou a me chamar de Roy Z e o nome acabou pegando".

Steel Mill — Como músico e guitarrista, quais bandas foram suas maiores influências?

Roy Z: "Há tantas bandas que, de imediato, vou listar as minhas cinco prediletas: THE BEATLES, LED ZEPPELIN, JIMI HEANDRIX e a BAND OF GYPSIES, FLEETWOOD MAC e o JUDAS PRIEST".

Steel Mill — Durante os ano 80 você tocou com incontáveis bandas. Do que você se lembra daquela década e o quão difícil era para um músico despontar na cena?

Roy Z: "Os anos 80 foram difíceis para mim por inúmeras razões. O visual importava mais do que a música em Los Angeles. Acredito também que minha etnia era algo negativo para as pessoas na música. Devo dizer que OZZY quebrou isso quando escalou Rudy Sarzo, Randy Castillo, Mike Inez e Robert Trujillo para sua banda. Havia muitas formas e cabelos naquela época, mas também havia muita música sendo descoberta".

Steel Mill — Provavelmente, sua banda mais conhecida é o TRIBE OF GYPSIES, cujo álbum de estreia foi lançado em 1996, mas apenas no Japão, certo?

Roy Z: "Exatamente. Originalmente gravamos o CD em 1992, mas logo entramos em uma batalha litigiosa com nossa gravadora por cerca de 18 meses. Após uma série de longas brigas na justiça, lançamos o álbum entre 1995/1996 por nossa própria gravadora. Naquela época, ninguém pensava em fazer isso. Assim que a fumaça foi ficando mais clara, lançamos o álbum no Japão na esperança de uma distribuição mundial. Isso acabou não acontecendo porque a gravadora não conseguiu achar uma brecha para nós no mercado. Após isso, voltamos para o cenário underground".

Steel Mill — Qual dos álbuns do TRIBE é o seu favorito e por quê?

Roy Z: "O meu favorito ainda é o 'Revolution 13'. A concepção e a produção por trás dele ainda são, para mim, muito claras e viáveis. Nosso trabalho auto-intitulado também é meu segundo favorito, embora escutá-lo seja doloroso".

Steel Mill — Bruce Dickinson deu o pontapé inicial em sua carreira solo com o álbum “Balls To Picasso”, de 1994, com você co-escrevendo e tocando guitarra. Como você acabou trabalhando com Bruce?

Roy Z: "Trabalhar com Bruce aconteceu apenas como uma chance. Estava trabalhando com o engenheiro de som Shay Baby [N. do T.: produtor de “Balls To Picasso] na mixagem do primeiro CD do TRIBE OF GYPSIES. O estúdio em que estávamos chamava-se 'Good Night Los Angeles', que era propriedade de Keith Olsen [N. do T.: produtor de uma das três versões do álbum 'Balls To Picasso']. Trabalhávamos muito, especialmente à noite, porque assim o preço de locação do estúdio caia. Um dia Shay pediu para que eu fosse mais cedo porque o Bruce ia tirar um dia de folga das gravações. Enquanto andava pelos corredores naquele dia, vi um cara de cabelo longo agitando a cabeça ao som da minha banda. De imediato fiquei puto, porque não queria que ninguém ouvisse meu trabalho ainda inacabado. Para minha surpresa, aquele cara que estava agitando era Bruce Dickinson e ele realmente estava curtindo o que ouvia".

Steel Mill — Alguns anos depois você gravou com ele os álbuns “Accident of Birth” e “The Chemical Wedding”, que foram aclamados tanto pela mídia especializada quanto pelos fãs. Pouco tempo depois, você se viu em uma situação similar com Rob Halford e os álbuns “Resurrection” e “Crucible”. O que rolou? Rob esteve atento aos seus trabalhos com Bruce e meio que tentou a mesma coisa para marcar seu retorno ao metal?

Roy Z: "Definitivamente. Primeiro, fiz uma audição como guitarrista para a banda solo de Rob. Acho que acabei não ficando com a vaga porque discutia constantemente com seu produtor na época acerca do estilo que Rob estava tocando e que não era isso que os fãs queriam ouvir. Eu cheguei a lhe dizer: ‘se você for procurar a definição do que é Heavy Metal, verá Rob em cima de sua Harley’. Como você deve imaginar, não fiquei com o posto, mas algum tempo depois fui requisitado para produzir o álbum, porque minha visão de como as coisas deveriam ser era bem clara".

Steel Mill — Um de seus solos que é o meu favorito é o da faixa “Tears of the Dragon”. Você pode lembrar de detalhes específicos na hora de gravar esse solo e o que você queria passar com ele?

Roy Z: "Quando comecei aquele solo, realmente queria tocar algo atemporal. Ouvi ‘Hotel California’ e ‘Stairway to Heaven’ comecei a pensar em meu solo, algo que passasse no teste do tempo. Acredito que consegui isso".

Steel Mill — Lembro-me de ler em algum lugar que o processo de composição e gravação do último álbum solo de Bruce, “Tyranny of Souls”, foi bem diferente do usual. Você pode nos falar mais a respeito?

Roy Z: "Não dispúnhamos de tempo para gravá-lo. Compus vinte músicas. Bruce pegou as oito primeiras na mesma sequência em que elas aparecem no CD, adicionou mais duas depois. Bruce me deixou boquiaberto quando cantou o álbum inteiro em apenas três dias, quando o IRON MAIDEN fazia três shows em Los Angeles. O que deixa a coisa toda ainda melhor é que ele quase havia quebrado uma costela. O cara gravou levou três dias de agonia para gravar um clássico. Acho que ninguém conseguiria fazer isso, a não ser Bruce".

Steel Mill — Mais recentemente você produziu o álbum “Angel Down’, de SEBASTIAN BACH, em que Axl Rose cantou em algumas músicas. Como Axl acabou aparecendo no CD? É claro que já ouvimos diversas histórias a respeito de seu comportamento. Do seu ponto de vista, foi fácil ou difícil trabalhar com ele?

Roy Z: "Foi o Sebastian que na verdade arranjou tudo isso. As gravações de ‘Angel Down’ com Axl foram mágicas. Ele foi um autêntico cavalheiro e totalmente profissional. Ele tem um tipo de voz única e versátil. Espero trabalhar novamente com ele algum dia".

Steel Mill — Que tipos de equipamento você tem usado hoje em dia? As guitarras Flying V ainda são as melhores?

Roy Z: "Hoje em dia uso dezenas de equipamentos diferentes. Gosto muito das KUON V's. Elas são balanceadas e possuem um som mágico. Comecei a usá-las ainda nos anos 80, quando vi Albert King tocar ao vivo e fiquei impressionado. Mas no meu coração sou um cara das Les Paul. Não importa o quanto, mas as guitarras Les Paul são essenciais para o meu som e minha performance".

Steel Mill - Você é um dos raros casos de músicos que tocam, produzem e compõem com muitos artistas. Qual o segredo por trás de ser capaz de combinar todos esses elementos? Apenas trabalhando?

Roy Z: "Acho que minha apreciação e desejo de ser parte da música e sua história é o que me guia pelo que tento fazer. No fim das contas, é meu coração e minha alma que me dirigem em tudo que faço. E acredito que a maior parte do tempo é para ser ouvido".

Steel Mill — Você produziu o álbum que marcou a volta do JUDAS PRIEST, “Angel of Retribution”, de 2005. Qual era o seu objetivo com este álbum, um dos mais importantes da banda, e qual é a principal diferença em se trabalhar com eles e com a banda HALFORD?

Roy Z: "Meus objetivos com ‘Angel of Retribution’ eram simples: fazer a visão do artista acontecer, fazer o álbum detonar e ‘cortar fora o queijo’".

Steel Mill — Como você definiria as diferenças no estilo de tocar de K.K. e Glen Tipton?

Roy Z: "Glen é mais mágico, acredito que ele consegue se aproximar mais fácil do que ele ouve e coração em escalas e notas. Ele compõe a maior parte de seus solos sem se preocupar com teorias e tudo mais. Já K.K. é mais como um atirador, mas que também sabe muito de teoria, ele é como um ‘Filho de Hendrix’".

Steel Mill — Você também co-escreveu a canção “Deal With The Devil”. Conte-nos a história por trás dessa música.

Roy Z: "A história por trás dessa faixa, do meu lado, é a de que havia essa possibilidade por alguns meses. Inicialmente, eu não ia apresentar nenhum material para o PRIEST. O Glen ficava me perguntando a todo tempo se eu não tinha nada para lhe mostrar. Finalmente, eu desisti e, para minha surpresa, eles gostaram da maior parte do que mostrei. Eles colocaram aquele tempero extra e a música acabou tomando sua própria forma".

Steel Mill — O álbum “The Dark Ride” (2000), lançado pelo HELLOWEEN também é um de seus trabalhos mais pesados e legais. Ele mostrou um som mais escuro, mas culminou com a saída de dois membros da banda. Foi um esforço consciente deixar o som mais pesado e ‘dark’? Você se lembra dos desentendimentos na banda sobre neste álbum?

Roy Z: "Trabalhar no ‘The Dark Ride’ foi uma viagem. Eu me diverti muito com os caras e senti que eles estavam prontos para algumas mudanças. Não coloquei nenhum limite para eles. A única regra na minha cabeça era de que o álbum deveria ser pesado e com muito rock! A banda acabou entrando em uma confusão em quase todos os dias da produção e acabou levando isso para a música. Sentimentos pessoais acabaram entrando no caminho e dois membros acabaram deixando a banda. Mas ainda acho que ‘The Dark Ride’ vai passar no teste do tempo".

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Sobre Thiago Coutinho

Formado em Jornalismo, 23 anos, fanático por Bruce Dickinson e seus comparsas no Maiden. O heavy metal surgiu na minha vida quando ouvi o vocalista da Donzela de Ferro em "Tears of the Dragon", em meados de 1994. Mas também aprecio a voz de pato bêbado do controverso Dave Mustaine, a simplicidade do Ramones, as melodias intrincadas do Helloween, a belíssima voz de Dio ou os gritos escabrosos de Rob Halford. A Whiplash apareceu em minha vida sem querer, acho que seus criadores são uns loucos amantes de rock e acredito que este seja o melhor site de rock do país, sem qualquer demagogia!

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