Eloy Casagrande, baterista de Andre Matos, em entrevista exclusiva
Por Maurício Dehò
Postado em 19 de maio de 2008
Eloy, como você começou a tocar bateria e como teve contato com o Metal?
Eloy Casagrande: Eu comecei a tocar com sete anos, quando eu ganhei de presente de natal uma bateria de brinquedo da minha mãe. Era toda azul, de plástico, e depois de um ano eu ganhei uma de verdade. Eu gostei pra caramba e fiz minha primeira apresentação. Já gostei desse negócio de tocar para o público. Tive seis anos de aula lá em São Bernardo (SP), quando aprendi muita coisa de ritmos brasileiros, toda essa base com samba, baião. Depois mais seis meses com o Lauro Léllis, baterista do Tom Zé, e também aprendi bastante coisa brazuca. Passei, então, por dois anos de aula com o Aquiles (Priester, Hangar), que foi a época em que comecei mesmo a ouvir Metal. Foi lá por 2004.
Você começou a gostar de Metal já tocando. Quem foram seus ídolos desse e de outros estilos?
Eloy Casagrande: Eu tenho muitos. O Aquiles me influenciou muito, porque foi meu professor. Aí têm Mike Terrana, Tommy Aldridge, Deen Castronovo, nesta área. Fora disso tem Fusion, com o Dennis Chambers, o Vinnie Colaiuta...
E você ainda gosta de escutar bastante coisa de estilos diferentes?
Eloy Casagrande: Sim, eu gosto bastante e ouço muito material de bateria. Eu acho sempre legal acompanhar, porque o mundo da bateria evolui muito, constantemente. Cada hora surge assuntos novos, técnicas diferentes, então é importante acompanhar, não ficar só nesse mundo fechado.
Quando foi o momento em que te disseram que você estava num nível bom para a sua idade e que tinha futuro para a bateria?
Eloy Casagrande: Desde pequeno eu assistia aqueles festivais de bateria, como o Modern Drummer. Eu lembro que peguei um de 1997 para assistir. Na época eu tinha 12 anos e tinha um menino da minha idade tocando lá. Quando vi aquilo eu pirei, falei "eu tenho que tocar nesse negócio". Eu ganhei esse festival, em 2005, e comecei mais a me envolver com banda. Toquei no Mr. Ego, de Ribeirão Preto (SP), depois no União e fiz o teste para entrar com o Andre. Foi algo natural mesmo, uma necessidade minha de querer ser baterista.
Conte um pouco de como foi este prêmio.
Eloy Casagrande: Foi um concurso mundial, eu enviei meu material, um vídeo superlegal, que produzimos num estúdio. Mandei sem esperar nada, só para ver o que ia dar, nunca esperava ganhar. Depois de uns dois meses, chegou um e-mail de um americano, dizendo que eu tinha sido o vencedor e podia viajar para abrir o festival. Eu não acreditei, achei que o pessoal estava me passando um trote. Eles falaram com a Vera Figueiredo, baterista da banda Altas Horas (Rede Globo), e ela veio falar comigo: "Eloy, é verdade, pode falar com os caras, que é verdade". Só aí eu caí na real. Tive um tempo muito grande de preparação antes de ir para lá e foi complicado, era muita responsabilidade, com muitas pessoas e meus ídolos na platéia, como o Ian Paice, do Deep Purple, e o Chad Smith, do Red Hot Chilli Peppers. Fiquei muito apreensivo, nervoso, um tempo antes eu fiquei doente até, mas de doenças psicológicas, por estar preocupado. Mas depois foi muito legal.
Como foi o teste para o Andre?
Eloy Casagrande: Eu fiquei bem nervoso também. Fui chamado dois dias antes do teste pelo empresário do André e foi neste estúdio mesmo (Brainless Brothers, em São Paulo). Eu trouxe minha batera e nós tocamos umas quatro, cinco músicas. Queria muito entrar, porque desde pequeno sou fã dos caras, sempre escutei o Angra e depois o Shaman, então acompanhei a carreira do Andre, do Luís e do Hugo. Tocar com eles é uma grande oportunidade, estou muito feliz.
O que você tocou no teste?
Eloy Casagrande: Eu lembro que misturamos várias coisas do Angra e do Shaman. Teve "Nothing To Say", "Carry On", "Distant Thunder", mais os clássicos mesmo. Lembro até que eu errei uma nota em uma delas e, depois que fui embora, fiquei muito apreensivo, pensando que aquilo poderia ter acabado com a minha chance. Mas deu tudo certo!
E a primeira vez no palco em uma banda com tanta gente importante?
Eloy Casagrande: Foi em Jaú (SP), uns dois meses depois que eu já estava na banda. Nós ensaiamos muito, umas três vezes por semana, então foi bem maçante, porque era uma coisa nova, eu nunca tinha tocado assim com uma banda. No palco, foi uma grande responsabilidade, porque sempre fui fã dos caras e sei o peso que eles tem.
Você já foi até para o Japão com a banda do Andre, como foi esta experiência?
Eloy Casagrande: Foi a primeira vez que toquei fora do Brasil com eles e foi legal pra caramba, porque o festival é gigantesco, num estádio para umas 20 mil pessoas. E só banda top. Vários bateras que gosto estavam lá, como o Vinnie Appice, com o Heaven And Hell, os do Trivium. Conversei com o pessoal do Machine Head, eles assistiram ao nosso show e vieram falar que gostaram. Foi muito legal.
E conte um pouco dessa vida na estrada que você está tendo.
Eloy Casagrande: É muito legal, é todo mundo engraçado. O Luís é uma figura, não tem como descrever, só viajando do lado dele mesmo. Estão todos muito animados, com um clima legal, sem parar de rir um segundo. Até no show a gente faz piada o tempo inteiro. Esta diferença de idade não teve problema, só têm horas que eles falam coisas que eu não entendo muito, tipo de uns seriados dos anos 70. Aí eu fico meio por fora (risos). Eles têm muita bagagem, muitas histórias para contar de outras turnês, é algo que não tem fim.
Você já entrou direto no palco, como acha que vai ser sentar num estúdio de gravação e na hora de compor também?
Eloy Casagrande: Eu acho que vai ser uma experiência muito boa, porque os caras têm grandes idéias. Eu gostaria, claro, de colocar as minhas também, acho vai ser algo muito proveitoso.
Além de tocar com o Andre, você ainda estuda. Como tem sido conciliar isso tudo?
Eloy Casagrande: Eu estou no terceiro colegial e agora tem negócio de vestibular, Enem... Está bem complicado, fora que não posso repetir de ano. É difícil fazer tudo, o negócio é não dormir, varar a noite mesmo (risos). Não tem jeito, se for mal na escola ferrou, né?! (risos)
Isso é exigência de quem?
Eloy Casagrande: Da minha mãe mesmo (risos). A marcação é cerrada!
Leia também a entrevista com Andre Matos e Hugo Mariutti no link abaixo.
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