Fernanda Simionato - Talento no rock nacional
Por Thiago Sarkis
Postado em 16 de novembro de 2005
Novos ares e talento para o rock nacional, é isso o que temos com a música de Fernanda Simionato. Se logo em sua estréia, no CD "Sonho", a cantora já arrebatou o público com muita atitude, agora então ela parece atingir outro patamar neste novo e mais pesado EP "Liberdade". Conversamos com ela sobre seus trabalhos, e também a participação que teve no FAMA da Rede Globo, ficando entre as 10 melhores do Sudeste. Teria a tendência ao rock parado sua caminhada no programa? Veja o que ela tem a dizer.
Fotos por Flávio Hopp e Ricardo Zupa
Whiplash! – Fernanda, pra começar fale-nos um pouco de seu início na música, e o que te levaram a se enveredar pela vida artística...
Fernanda Simionato - Comecei muito nova, pois cresci vendo minha mãe, que canta, toca violão e piano, e minha avó - formada em piano - sempre ligadas à música. Me apaixonei. Aos 15 anos fui fazer violão e com 18 entrei pra faculdade. Ai não deu pra conciliar as duas coisas. Fiz Engenharia Civil, período integral, então você deve imaginar como foi... uma loucura! Me formei e fui morar em Angra... foi quando comecei a compor e decidi que era hora de gravar meu CD.
Whiplash! – E desde o começo o objetivo era de partir para uma carreira solo?
Fernanda Simionato - Não. Mas na época eu não tinha uma banda, e o CD foi gravado no estúdio de alguns amigos, que me ajudaram na produção e fizeram todos os arranjos, pois a música já vinha pronta, mas sem as linhas de guitarra e bateria. Foi uma produção bem complicada.
Whiplash! – E você lançou o CD "Sonho" sem gravadora mesmo, na cara e na coragem, não?
Fernanda Simionato - Sim. Era pra ser um CD pra mim, não uma super produção, como se tornou de repente.
Whiplash! – Você faria isso de novo?
Fernanda Simionato - Hoje eu faria um CD demo, pois o investimento financeiro é muito grande para uma gravação como a de "Sonho". Mas não me arrependo. Estamos trabalhando e divulgando o álbum, e já alcançamos alguns objetivos. Preparamos agora um EP, que trará cinco ou seis músicas novas próprias e será lançado em breve. Esse sim sairá com a cara da banda, pois agora temos um grupo de verdade.
Whiplash! – Sim, inclusive ouvi uma de suas músicas mais pesadas, "Liberdade", já deste novo EP. Essa é uma tendência para seu futuro? Como é essa referência do rock na sua vida como musicista?
Fernanda Simionato - Acho que o rock é o som que esteve no passado, está no presente, e sobreviverá pra eternidade! Amo esse som novo e já estamos fazendo o segundo CD. É sim uma tendência forte, pois a banda toda curte rock e nós conseguimos unir pensamentos, criar linhas fortes e marcantes.
Whiplash! – Quais influências você mencionaria como as principais para o som que faz atualmente?
Fernanda Simionato - No início, e até hoje, escuto de tudo. Não tenho preconceitos, só preferências. Gosto desde Guns N’ Roses até Kid Abelha. Só não curto música que agride meu ouvido (risos).
Whiplash! – As letras de algumas músicas me lembram aquele lado da Paula Toller meio provocativo ao público masculino. Você consegue notar isso também?
Fernanda Simionato - Provocativas? Nossa, nunca pensei nisso. A Paula é fantástica, meiga, mas acho que não tem nada a ver comigo. Fiz músicas que me vieram a cabeça, e que achei legal, não tinha o intuito de provocar o público, mas se provocou, valeu, gostei (risos).
Whiplash! – (risos) Tem um "q" disso sim. Mas bem, seguindo... você esteve nas eliminatórias do FAMA. Conte-nos um pouco sobre essa experiência...
Fernanda Simionato - Foi uma experiência indescritível, fantástica. Havia uma super estrutura e um tratamento VIP a todos os participantes. Conheci pessoas maravilhosas. Dessa experiência eu trouxe força e garra pra continuar lutando, pois na vida só se conquista o que se quer batalhando. Como a própria música que cantei (N. do E.: "Elevador", Ana Carolina) diz: " Se na vida eu apanho, outras vezes eu bato".
Whiplash! – Até onde você foi no FAMA? Por que acha que não foi possível chegar até as finais e estar na casa?
Fernanda Simionato - Fiquei entre os dez finalistas do Sudeste e, com isso, me apresentei ao vivo na Globo! Eram 28 mil candidatos do sudeste e 40 mil de todo Brasil, então foi uma super vitória!
Whiplash! - Você acha que a tendência ao rock na sua música pode ter influenciado no fato de ter parado ali, e não chegado um pouco mais a frente? Seria possível pensarmos assim?
Fernanda Simionato - Não sei, pode ter influenciado sim. O professor, PH, me elogiava e sempre brincava fazendo o símbolo do rock / metal. Ficávamos num hotel em São Paulo e ele me disse um dia antes da final: " Pra mim você é uma das melhores". Vai entender! Mas cinco tinham que entrar e eu não entrei, é a única explicação que tenho!
Whiplash! – Como você reagiu à eliminação?
Fernanda Simionato - Fiquei triste no dia, pois você se desgasta muito, e batalha pra chegar até o final, mas depois é bola pra frente e continuar um trabalho feito com muito amor!
Whiplash! – Como foi a interação com os outros participantes e, também, o momento de se apresentar ao vivo para todo o Brasil?
Fernanda Simionato - Nós ficávamos juntos no Hotel, e era uma bagunça. Na hora da apresentação fiquei à vontade pra cantar, mas a pressão de estar sendo "avaliada" é péssima!
Whiplash! – O que você achou do resultado do programa? Como todo respeito ao vencedor... na hora que ele revelou seu lado "Presuntinho", já ficou bem na cara que viraria símbolo e ganharia o programa, né?
Fernanda Simionato - (risos) Acho que foi merecido, assim como seria se a Shirle ou a Evelyn ganhassem. É sempre assim. Mas ele é ótimo, canta divinamente bem, agrada a mulherada, e sabe o que está fazendo.
Whiplash! – Havia algum contato com a apresentadora do programa, a Angélica?
Fernanda Simionato - Não, ela nem falava com a gente, não tivemos contato algum, só aquela melação no palco!
Whiplash! – (risos) Voltando à música, o seu repertório varia bem entre levadas suaves e outras mais rock mesmo. Como o público reage a isso nos shows? Quais músicas obtêm mais sucesso com a platéia?
Fernanda Simionato - Isso depende muito do local que tocamos, mas geralmente as músicas mais rock têm melhor repercussão com o público. Eu as canto com a alma, e é contagiante! "Vai", "Acredite", "Um dia", e a nossa música de trabalho "Liberdade" vão muito bem nos shows.
Whiplash! – Você toca algumas músicas covers também, não?
Fernanda Simionato - Sim, e "Uma Noite e Meia" da Marina Lima detona ao vivo, essa não tem pra ninguém. Toco também Alanis Morissette, Guns N’ Roses, e, do rock e pop nacional, Pitty, Kid Abelha, Ira!.
Whiplash! – Por falar em Pitty, gostando ou não, ninguém pode negar que o mercado se abriu ainda mais ao rock após o sucesso dela. Seria um novo espaço e momento de destaque para o rock, principalmente para as mulheres... de Pitty a Nightwish?
Fernanda Simionato - Com certeza! Agora o mercado está pedindo isso. É uma tendência, vozes femininas cantando som pesado, é fantástico! Nightwish, por exemplo, uma voz lírica, misturada com um baita som, e deu no que deu, né? Estão inovando e é um sucesso.
Whiplash! – Ao mesmo tempo é uma coisa meio perigosa... sorrateiramente alguns músicos que nunca tiveram a ver com o estilo vão entrando no rock, e fazendo uma graça aqui e ali. Por exemplo, independentemente de cantar nessa linha já há muitos anos, só depois do sucesso do Nightwish é que a Sandy – até ela, resolveu mostrar seu trabalho no canto lírico. Enfim, tem muito artista tentando se manter em destaque, seguindo a maré só porque o rock parece ter voltado a ser foco principal. É bem fácil notar quem está ali com sinceridade e quem está se aproveitando do momento, não?
Fernanda Simionato - É verdade. Acho que você deve seguir o que gosta, ser sincero. Não dá pra cantar o que você não gosta só porque é "moda". Você tem que ter envolvimento, entrega. Eu, por exemplo, não pretendo fazer um som que possa ser comparado ao Nightwish. Não é muito a minha. Quem gosta de rock, canta lírico, e tem voz e técnica pra isso, tá no caminho certo, pois sabe colocar sua voz, e aí cantar se torna uma tarefa mais simples. Só que o público não saberá que nosso diafragma está sendo esmagado (risos)! Mas isso é problema nosso! O público ouvindo , agitando, e entendendo a mensagem é o que importa pra mim.
Whiplash! – Fernanda, muito obrigado pela entrevista. O espaço é todo seu...
Fernanda Simionato - Gostaria de agradecer o convite pra essa entrevista e dizer uma frase que ouvi de minha avó e jamais vou cansar de dizer: "SONHO que se sonha só, é só sonho; Sonho que se sonha junto é REALIDADE!". Valeu o carinho de todos que curtem nosso som e nos fazem acreditar ainda mais nos nossos sonhos a cada dia que passa!
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