Edenbridge: "Não somos góticos! Somos uma banda de metal!"

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Por Rafael Carnovale
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Na ativa desde 1998, o Edenbridge foi quebrando barreiras ao longo dos anos e mostrando para o mundo que não era apenas uma banda gótica que vivia de CDs com vocais feminino. Para eles, o negócio era fazer heavy metal, e não ter medo de experimentar e ousar. Guiados pelo excelente Lanvall, guitarrista e mentor da banda, e pela belíssima voz de Sabine Edelsbacher (que segundo boatos seria uma das candidatas a substituir Tarja Turunen no Nightwish caso ela saísse da banda), o grupo austríaco foi evoluindo com o tempo, adquirindo experiência, incorporando elementos, e criando seu próprio estilo, solidificado em "Shine" (2004), lançado no Brasil pela Hellion Records. Nesta entrevista realizada com o guitarrista Lanvall por e-mail, falamos de tudo um pouco, e tiramos algumas declarações bem interessantes.

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Whiplash! - Há um fato curioso que percorre a história do Edenbridge: as incessantes comparações ao Nightwish pelo fato de ambas as bandas possuírem uma mulher nos vocais. O que você pensa sobre isso?

LANVALL - Por enquanto as comparações deram um tempo aqui na Europa, porque já é opinião unânime que nosso estilo é próprio e em nada se compara ao deles. Mas estas comparações têm seu ciclo. O próprio Nightwish foi comparado ao The Gathering no começo de carreira.

Whiplash! - A banda começou as atividades em 1998, e um anos depois gravou as primeiras "demos" para o que viria a ser "Sunrides In Eden". Como foram para você os primeiros meses e como a Massacre Records "descobriu" a banda?

LANVALL - Na verdade gravamos todo o álbum por nossa conta e enviamos para mais de trinta gravadoras em todo mundo. Em duas semanas estávamos assinando com a Massacre. Foi bem rápido (risos), o álbum imediatamente nos apresentou ao mundo, firmando nosso nome no mercado. A sensação foi muito boa (risos).

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Whiplash! - Em músicas como "Holy Fire" podemos perceber que a banda flerta com o heavy tradicional, com as vocalizações particulares de Sabine. Vocês já pensaram em ter um vocalista para que possam fazer duetos de vocais masculinos e femininos?

LANVALL - Não, nunca pensamos nisso. Mas é legal ter alguns duetos vocais como o que fizemos com DC Cooper (ex-Royal Hunt, atualmente no Silent Force) no CD "Aphelion" e "backing vocals" masculinos que sempre teremos em nossos álbuns. Muitas bandas já fazem isso dos duetos com dois vocalistas, uma soprano e um gutural. Por que faríamos o mesmo? Sempre gosto de ir contra a maré.

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Whiplash! - Muitas bandas que possuem uma mulher nos vocais são rotuladas como góticas. Embora flerte, em algumas músicas, com este estilo, o Edenbridge segue um outro caminho. É difícil se manter no direcionamento do heavy metal tradicional, com tantas bandas góticas no cenário europeu?

LANVALL - Não é problema. Não somos uma banda gótica, mas temos muitos fãs deste estilo por causa dos vocais femininos. Musicalmente não temos ligações com o estilo.

Whiplash! - O que você acha que diferencia o Edenbridge das bandas góticas?

LANVALL - Gótico é "dark", nos somos a luz! Nossa banda também não possui limites musicais. Gostamos de experimentar muito e temos várias músicas ainda no começo que refletem isso. Pegue por exemplo "The Canterville Ghost", de nosso último álbum. Uma banda gótica não poderia gravar algo como aquilo. Logo, não somos góticos. Somos uma banda de metal!

Whiplash! - Vocês tocaram no festival Busan Rock na Coréia do Sul para vinte mil pessoas, sendo "co-headliners" com a banda Sinergy. Como você analisa este momento? Passava por sua cabeça que sua banda estava crescendo, e que tocaria para tantas pessoas num mesmo lugar?

LANVALL - Foi estranho porque tudo aconteceu muito rápido. Quarenta minutos depois o show já tinha acabado. Acho que a ficha só caiu bem depois, quando me dei conta do sentimento fantástico que eu estava absorvendo. Acho que toquei em transe.

Whiplash! - Nesta época uma turnê brasileira foi agendada em conjunto com a banda Metalium, mas acabou não acontecendo. O que motivou o cancelamento? Você acha que seria interessante tocar como uma banda como o Metalium, que toca o que chamam de "True Heavy Metal"?

LANVALL - A turnê foi cancelada três dias antes do embarque devido a crise econômica que ocorreu no Brasil em 2002 (NR: sempre dizem isso). De qualquer maneira não acredito ser um bom pacote de turnê, porque na Europa fizemos shows juntos e não saiu como esperávamos, já que os fãs são muito diferentes e as duas bandas bem distintas uma da outra.

Whiplash! - Na turnê do CD "Arcana" vocês tocaram com bandas góticas como Trail Of Tears e Sirenia. Como foi a reação do público, considerando a diferença de estilos?

LANVALL - Melhor do que na turnê com o Metalium, mas ainda estávamos em mundos diferentes. Quem sabe devamos fazer nossos próprios shows, porque é difícil combinar com alguém (risos).

Whiplash! - "Aphelion" é um grande CD, mais heavy metal do que os outros, e com um bom trabalho de guitarras. Como foi o processo de composição?

LANVALL - Eu comecei a escrever "Aphelion" logo depois que terminamos "Arcana". Logo isso influiu na composição e fez com que os dois ficassem muito próximos musicalmente. Concordo com você, são bem mais pesados e técnicos, e gostei muito dos resultados.

Whiplash! - Falando sobre o CD / DVD ao vivo "A Livetime In Eden", o DVD vem com seis músicas e seis vídeo-clipes. Porque não lançaram um DVD completo, com o show todo?

LANVALL - Tivemos alguns problemas técnicos durante o show que foi gravado, impossibilitando o lançamento total. Ainda assim, acho o pacote que de "A Livetime In Eden" bem interessante, pois CD e DVD juntos na embalagem foram lançados aqui na Europa ao preço de um CD normal.

Whiplash! - A qualidade dos vídeos é excelente, e o som do CD muito bom. Como vocês decidiram aonde e qual show seria gravado?

LANVALL - Obrigado. Gravamos alguns shows da turnê de "Aphelion", e tínhamos em mãos um bom material. Para o DVD tínhamos a oferta de fazê-lo na Alemanha, e aceitamos de pronto. Foi a melhor maneira de encerrar este capítulo da história da banda, com um CD ao vivo e um DVD.

Whiplash! - Em 2004 vocês lançaram "Shine", com a produção de Dennis Ward, que trabalhou em todos os seus CDs de estúdio. Como é trabalhar com ele? Seu trabalho influencia de alguma maneira na sonoridade da banda?

LANVALL - Dennis apenas trabalhou na mixagem e na parte de engenharia, porque eu produzi os CDs. Ele é um cara legal e com "Shine" de alguma maneira ele se tornou um membro da banda fazendo "backings". É um músico bem versátil e está sempre pronto a dar sugestões e ajudar quando necessário.

Whiplash! - Vocês experimentaram muito neste CD, como podemos ouvir em "Wild Chase" com seus elementos orientais, e com mais passagens góticas. Você concordaria que este é o CD mais experimental do Edenbridge?

LANVALL - Sim, mas definitivamente é o nosso CD mais descompromissado e pegajoso. É o melhor que já fizemos. Acho que essa liberdade que você tem em uma banda, aonde você pode experimentar tudo o que quiser e ainda cativa os fãs é algo que deveria existir sempre.

Whiplash! - Contudo "October Sky" é uma grande canção heavy tradicional, com batidas poderosas e "riffs" agressivos. Como manter sua própria identidade musical com tantas possibilidades e o constante desejo de experimentar?

LANVALL - Isso remete ao que respondi antes. Não poderia compor a mesma música sempre. Isto me mataria e mataria meu interesse na música. Música para mim é descobrir, aprender, e estar aberto para todos os tipos de influência. Sabine tem uma personalidade muito forte e é uma vocalista única, com uma voz bem particular no cenário metal, e isso nos ajuda e muito a manter nossa identidade intacta, por mais que ousemos e experimentemos.

Whiplash! - Como foram os primeiros shows? Há planos para os festivais europeus de verão?

LANVALL - Excursionamos com o Angra em Fevereiro e foi ótimo. Neste momento estou coletando material para o próximo CD da banda, que deve sair em 2006.

Whiplash! - Há planos de shows para o Brasil?

LANVALL - Deve rolar algo em Junho (N. do E.: esta entrevista foi feita no final de Maio) e espero que isso aconteça finalmente. (NR: Até o presente não há planos ou datas reservadas para a América do Sul).

Whiplash! - Muito obrigado pela entrevista e este espaço é seu para deixar uma mensagem para os fãs da banda que visitam o WHIPLASH! Rocksite.

LANVALL - Obrigado pela entrevista e um muito obrigado aos fãs brasileiros por seu apoio e carinho.




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Sobre Rafael Carnovale

Nascido em 1974, atualmente funcionário público do estado do Rio de Janeiro, fã de punk rock, heavy metal, hard-core e da boa música. Curte tantas bandas e estilos que ainda não consegue fazer um TOP10 que dure mais de 10 minutos. Na Whiplash desde 2001, segue escrevendo alguns desatinos que alguns lêem, outros não... mas fazer o que?

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