Jon Doman - Entrevista exclusiva com o baterista do Vitalij Kuprij.

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VK3, o terceiro trabalho solo de Vitalij Kuprij, tecladista e cérebro do Artension, fez grande sucesso e recebeu ótimas críticas em todo o mundo. Neste álbum, repleto de virtuosismo, belas harmonias/melodias e seções rítmicas bem trabalhadas, concretizou-se a imagem do grande baterista que é Jon Doman.

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Há um bom tempo, Doman lançou seus primeiros trabalhos com Greg Howe. Porém, a consagração definitiva veio em seus trabalhos ao lado de Vitalij Kuprij, onde ele mostra toda a sua criatividade e eficiência ao tocar diversos estilos com extrema competência. Nesta entrevista concedida a Whiplash!, Jon, entre outras coisas, conta detalhes de sua carreira e fala sobre o futuro. Confira abaixo como foi a entrevista com o simpático baterista.

Por Thiago Corrêa

Tradução: Thiago Corrêa

Whiplash! / Você está trabalhando em alguma gravação agora? Quais são seus projetos para o futuro?

Jon Doman / Atualmente, eu estou praticando muito e me preparando para um show na Itália. Também estou trabalhando bastante em meu web site (http://www.jondoman.com), assim posso fazer com que outros músicos ouçam meu trabalho. Possivelmente posso gravar alguns álbuns assim.

Whiplash! / O fato de ser um "músico de estúdio" faz com que você trabalhe com artistas que você pouco conhece. Como você lida com isso?

Jon Doman / Na maioria das vezes, eu escrevo todas as músicas com o artista principal, com o qual estou trabalhando. Depois, nós mandamos as fitas para o guitarrista (no caso de Vitalij) e então para o baixista. O mesmo acontece quando gravo com Greg Howe.

Whiplash! / Dá para adaptar seu estilo e colocar suas idéias no som de artistas que você pouco conhece?

Jon Doman / Não. Eu venho tocando há tanto tempo que eu já pego a idéia do que eles querem e coloco daquela forma nas músicas.

Whiplash! / Quanto você arrecada em média com os álbuns que grava?

Jon Doman / Bem... nunca o bastante. Mas é uma honra tocar com os excepcionais músicos, com os quais estou envolvido.

Whiplash! / Dá para sobreviver com o dinheiro que você ganha com gravações e shows? O que mais você faz para se manter?

Jon Doman / Sim, é possível me manter com as gravações e shows. Mas, também sou um artista gráfico e faço artes gráficas e web pages. Isso me permite ter uma vida maravilhosa e de sobra ter a liberdade para ser um artista. Se eu fosse um músico e trabalhasse numa casa de mercadorias, construção, ou algo deste tipo, eu iria a loucura. Ser um artista gráfico é muito útil quando você é um músico.

Whiplash! / Você trabalha com Greg Howe há muito tempo. Como você o conheceu e como foi o começo de seu relacionamento com ele?

Jon Doman / Eu conheci Greg através de meu irmão, Steve Doman. Ele teve aulas de guitarra com Greg, quando Greg não estava em turnê. Isso aconteceu em 1994. Eu fui até o local onde Greg dava aulas com o meu irmão e nós nos conhecemos. Nós temos a mesma forma de trabalho. Escrevemos e gravamos 100% do tempo quando estamos juntos. Nunca saímos para nos divertir. Você sabe, são negócios. Não me entenda errado. Ele é um grande amigo, mas a nossa relação é mais profissional mesmo.

Whiplash! / Greg também toca e entende bem de bateria. É difícil tocar o que ele prepara para a bateria? Ele costuma preparar tudo e passar para vocês ou ele deixa um bom espaço para improvisos?

Jon Doman / Não. Eu toco todas as minhas partes de bateria da forma como escrevemos. Greg tem muito conhecimento de muitos instrumentos e é impressionante ver o quão talentoso ele é, mas ele me dá total liberdade.

Whiplash! / Você e Kevin Soffera foram os bateristas que mais participaram de CDs de Greg Howe. Inclusive, em alguns álbuns, você toca em algumas faixas e ele em outras. Como em "Tilt" e "Parallax". Rola alguma rivalidade entre vocês, em decorrência disso?

Jon Doman / Eu estive com Kevin apenas uma vez. Ele é um músico formado, graduado. Eu sou um 'baterista de rua'. Não há nenhum tipo de comparação possível entre nós. Ele aprendeu dos livros. Eu aprendi vendo outros bateristas. Eu sou mais um baterista rústico com a atenção mais voltada para a técnica e para o aprendizado com a forma de tocar e a técnica de outros bateristas. Eu acho que somos bateristas bem diferentes.

Whiplash! / Qual a sua opinião sobre Kevin?

Jon Doman / Acho que ele é ótimo. Lê partituras como poucos e aprende as coisas realmente rápido.

Whiplash! / No último álbum de Greg, Kevin Soffera tocou em todas as músicas. Por que você não participou de "Hyperacuit"?

Jon Doman / Eu estava vindo das gravações de VK3, que me cansaram bastante. Eu havia dado tudo de mim. Então, eu simplesmente não estava disponível.

Whiplash! / Você conheceu Vitalij Kuprij através de Greg Howe? Como foi seu primeiro contato com Vitalij?

Jon Doman / Sim. Foi através de Greg. Eu estava tocando muito fusion com ele, até que ele me falou sobre esse virtuoso acima da média e me perguntou se eu poderia fazer uma gravação com dois bumbos. Eu gosto de dois bumbos e falei: Vamos nessa. Então, conheci Vitalij e desde então, nos tornamos grandes amigos. Ele estava sempre na minha casa e saímos e nos divertimos bastante. Ele é sensacional.

Whiplash! / Vitalij Kuprij, toca, em seus três CDs, com baixistas e guitarristas diferentes. Porém, ele parece ter se apaixonado pelo seu trabalho, pois de baterista ele não troca. Existe um grande entrosamento entre vocês? Como é essa relação entre vocês?

Jon Doman / Acho que isso tem a ver com a nossa personalidade. Nós estamos nessa mais para nos divertir e fazer o que gostamos e isso pode ser visto em nossos álbuns.

Whiplash! / Apesar de ter tocado muito jazz/fusion ao lado de Greg, você dá a impressão de não ter sentido problemas com o neo-clássico de "High Definition". Foi realmente fácil se adaptar e tocar nesse estilo?

Jon Doman / Não. Era um grande desafio pra mim. Foi muito complicado, mas eu consegui superar todas as dificuldades. Daí pra frente, os outros álbuns neo-clássicos foram bem mais fáceis.

Whiplash! / O que veio a sua mente quando apareceu a oportunidade de tocar neo-clássico em "High Definition" de Vitalij Kuprij e posteriormente, em "Ascend" de Greg Howe?

Jon Doman / Era um grande desafio, pois o fusion é mais livre. Eu tive que seguir as 'regras' e foi uma fase de muito aprendizado. Você tem que estar realmente empenhado para superar essas mudanças, pois não é fácil. Mas em VK3, eu acho que consegui mixar os dois estilos muito bem.

Whiplash! / Na seqüência de seu trabalho com Vitalij Kuprij, tivemos "Extreme Measures" e "VK3", onde você trabalhou com George Bellas e Tony Macalpine nas guitarras, respectivamente. Como foi trabalhar com eles? Faça uma comparação entre o estilo, a técnica e as idéias de cada um.

Jon Doman / George é um cara fantástico. Inacreditavelmente rápido. E fico alegre porque tive a oportunidade de tocar com ele. Eu gosto do 'ataque pesado' dele em Extreme Measures. Tony e eu já havíamos tocado em um show em Chicago em 1997. Eu tocava com Greg e ele acabou tocando conosco. Era um show beneficente para Jason Becker e Eddie Van Halen era a atração principal. Eu já havia pensado em fazer algo com Tony e isso finalmente aconteceu. Eu estou muito feliz com isso. Ele foi um dos primeiros virtuosos e tem todo o meu respeito.

Whiplash! / Vitalij, Greg Howe e você também estiveram juntos em "Ascend", onde há a presença de neo-clássico e também progressivo. Depois de tantos trabalhos com Greg Howe, você alguma vez imaginou que ele fosse fazer algo como "Ascend"?

Jon Doman / Não foi uma surpresa. Greg Howe pode fazer qualquer coisa. Essa é a diferença entre ele e a maioria dos guitarristas. Ele faz o que ele quer e com muita competência. Além do mais, eu sabia que viria algo como "Ascend" depois das excelentes críticas que "High Definition" recebeu no Japão. Era a coisa certa a fazer. Greg e eu vivemos comendo batata frita e café por um tempo. De manhã, de tarde e de noite.

Whiplash! / O que você pensa dessa diferença de estilos entre "Parallax" e "Ascend"?

Jon Doman / Eu acho que a diferença é que "Ascend" tem um toque mais de Rush/Genesis. Enquanto "Parallax" era mais um fusion bem eletrizante. Nós trouxemos Vitalij conosco e já estava tudo pronto. Ele amou "Ascend".

Whiplash! / Em qual destes álbuns com Howe podemos encontrar mais características do seu estilo verdadeiro, de sua essência?

Jon Doman / Parallax.

Whiplash! / Em "Ascend", há uma versão para "La Villa Strangiato" do Rush. O que você achou da idéia de gravar essa música?

Jon Doman / Bom, foi uma decisão de última hora. Nós fizemos a versão com as partes de bateria editadas, pegando todos os detalhes a mais que coloquei e eu acho que toco bem nesta música. Mas, se tivéssemos gravado ao vivo, seria algo espetacular. Eu estou pensando em gravar "La Villa Strangiato" de novo com bateria ao vivo em um trabalho no futuro.

Whiplash! / Qual a sua opinião sobre Neil Peart?

Jon Doman / Neil Peart é um dos maiores bateristas do planeta. Ele teve a oportunidade de trazer a bateria realmente bem tocada para as rádios americanas. Quando o Rush está por aqui, eu não perco um show. Eu acho que Neil Peart é o rei da bateria!

Whiplash! / Qual a sua relação com a banda Poker Face?

Jon Doman / O Poker Face é uma banda da Pennsylvania, que me chamou para gravar algumas faixas em seu álbum. Eu gosto do estilo deles e os considero bons amigos.

Whiplash! / Você já teve alguma perfomance ao vivo ao lado de Vitalij Kuprij e/ou Greg Howe? Como foram essas apresentações?

Jon Doman / Vitalij e eu nunca tocamos ao vivo. Eu e Greg tocamos ocasionalmente. Sempre foi ótimo, principalmente quando abrimos para o Van Halen e em outros grandes eventos. Ele é o cara que eu quero na minha frente na guitarra. Quem não queria?

Whiplash! / Das músicas que você já gravou, quais foram as mais difíceis de tocar? Por que?

Jon Doman / "Dance" do Parallax, "Full View" do Tilt e "Break Through" do VK3. Todas elas têm um alto grau de dificuldade e me trouxeram grandes desafios.

Whiplash! / Como você começou a tocar bateria e o que te levou a procurar este instrumento?

Jon Doman / Minha mãe me comprou uma mini bateria quando eu tinha 3 anos. Então, eu comecei a brincar e desde os 9 anos venho tocando com bandas. Eu amo a música e fico feliz em saber que tenho trabalhos que fiz rodando por aí.

Whiplash! / Quais foram suas primeiras influências? Ainda hoje, podemos encontrar características dessas influências em sua maneira de tocar?

Jon Doman / John Bonham, Neil Peart, Dennis Chambers, Rod Morgenstein. Eu toco um tipo de salada com os ingredientes sendo um toque de cada um desses bateristas.

Whiplash! / O que te levou a procurar desenvolver a sua técnica até chegar ao altíssimo nível em que se encontra hoje?

Jon Doman / Eu acredito que você nasce com um dom. Mas se você não trabalhar duro e praticar, não tem futuro. Você nunca alcançará suas metas. Eu acho que tudo isso é relacionado com trabalho pesado.

Whiplash! / Muitas pessoas, hoje, relacionam a técnica ao feeling e dizem que músicos muito técnicos não têm feeling. Qual a sua opinião sobre isso? Você acredita que é possível aliar técnica e feeling?

Jon Doman / Sim. Antes da minha técnica, eu já tinha meu feeling. Essa é a chave.

Whiplash! / Qual seria a bateria ideal para você? Como você a montaria?

Jon Doman / Eu gosto das baterias Tama. Tons e surdo: 8" 10" 13" 14" 16" 18" 22". Bumbo: 22". Condução: 10"-12". Splash: 16". Pratos de ataque: 17", 18". China: 2- 22".

Whiplash! / Quais foram as maiores dificuldades que você teve no início de seu aprendizado de bateria? Como você as superou?

Jon Doman / Achar o tempo para tocar sem encher a paciência de meus 9 irmãos e irmãs (risos). Eles finalmente se acostumaram.

Whiplash! / Qual conselho você daria aos bateristas que estão começando agora?

Jon Doman / Grave e ouça tudo. Sempre se aqueça e arrume um bom professor.

Whiplash! / Você tem algum projeto de trabalho com George Bellas ou Tony MacAlpine? Houve algum interesse entre vocês de trabalharem juntos após os CDs que gravaram com Vitalij Kuprij?

Jon Doman / Nada definido. George e eu estamos pensando nisso. Eu não conversei com Tony sobre isso, mas é uma boa idéia também.

Whiplash! / Em uma entrevista a uma revista brasileira, Nuno Bettencourt declarou: "Essa coisa de tocar milhões de notas por segundo está fadada a desaparecer". Depois de tocar com guitarristas que normalmente tocam bem rápido como Greg Howe, Tony MacAlpine e George Bellas, você concorda com isso que Nuno disse? Dê sua opinião sobre este assunto.

Jon Doman / Não. Não é bem assim. É difícil tocar rápido. Mas eu prefiro uma forte pegada e um bom groove a um "O quão rápido é você?".

Whiplash! / Falando em "milhões de notas por segundo", há uma mensagem sua no site do guitarrista italiano, Francesco Fareri, que é, muito provavelmente, o guitarrista mais rápido do mundo. Como você chegou até Fareri? Qual sua opinião sobre a música dele?

Jon Doman / Ele me mandou uma carta pelo endereço que está no Extreme Measures (317 Fairview Ave, Ambler, PA, 19002). Então, ele me mandou um CD realmente bom. Eu acho que ele tem uma grande carreira pela frente.

Whiplash! / Fareri é fã dos álbuns de Vitalij Kuprij e já declarou várias vezes que aprecia muito seu trabalho. Há alguma chance de vocês trabalharem juntos? Já houve alguma conversa em relação a isso?

Jon Doman / Se uma gravadora se aproximar com um contrato, eu amaria o desafio.

Whiplash! / Por favor, dê sua opinião sobre cada um dos bateristas abaixo:

Jon Doman /* Dennis Chambers - Um dos maiores bateristas do mundo. Tem um dos estilos mais legais que já ouvi.

* Atma Anur - Atma é único, inconfundível. Ótimo.

* Mike Portnoy - Este sujeito está em chamas em todos os 8 cilindros.

Whiplash! / Qual a sua opinião sobre estilo como techno e dance, que usam muita bateria eletrônica?

Jon Doman / Meus dois primeiros trabalhos foram com baterias elétricas. Eu me diverti com eles, mas, eu amo a bateria acústica, tocada ao vivo, na qual você sente o ser humano. É bem melhor.

Whiplash! / Vamos fazer um pequeno teste de 'conhecimento'. Direi o nome de três álbuns e então você me diz os músicos (todos ou pelo menos alguns) que tocaram neles e o que pensa de cada álbum.

Jon Doman /

* CAB - MacAlpine/Brunel/Chambers/ [N. do T.: Acertou]. Uma palavra, destruidor.

* Heavy Machinery - Allan Holdsworth/Anders Johansson/Jens Johansson/ [N. do T.: Acertou de novo]. É bom ver os irmãos Johansson tocando fusion. Eu gosto deste álbum.

* Rising Force - Yngwie J. Malmsteen/Barriemore Barlow/Jens Johansson/Jeff Scott Soto/ [N. do T.: Certo mais uma vez]. Muito bom.

Whiplash! / Obrigado pela entrevista. O espaço é todo seu.

Jon Doman / Obrigado a todos os meus fãs brasileiros. Pratique bastante e viva bem e você vai ver que seu sonho de ser um músico profissional pode se tornar realidade.

Site Oficial: http://www.jondoman.com

Discografia: Richie Kotzen/Greg Howe - Tilt (1995); Greg Howe - Parallax (1995); Vitalij Kuprij - High Definition (1997); Vitalij Kuprij - Extreme Measures (1998); Greg Howe - Ascend (1999); Vitalij Kuprij - VK3 (1999).




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