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Brujeria: O tão falado show da "favela" carioca

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Por Rodrigo Freire
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Na apresentação do Brujeria no RJ, Juan Brujo chamou de "Favela" o local da última apresentação da banda. Muita gente que estava no Teatro Odisseia em 2014, sete anos depois, riu muito da piada do vocalista. Alguns dos presentes, como eu, que estavam na fatídica apresentação, riram com gosto da coisa, mas afinal de contas, muito pouco se sabe sobre o show da favela. Muitos bangers que não estavam lá e a galera mais nova estava curiosa. Afinal, O que foi isso?

Quando começou a circular o boato que o Brujeria iria tocar no RJ, muita gente duvidou. Nenhuma casa de show anunciava o evento, apenas um post no finado Orkut (além do boca a boca) anunciava o grupo pseudo mexicano em um lugar um tanto que inusitado: Duque de Caxias, município "Chapa quente" (na gíria carioca) da baixada fluminense, por um preço convidativo: R$ 20. Lugar que, até onde eu sabia na época, não tinha nenhuma casa de show com porte para um evento desse calibre.

Naquela tarde de domingo posterior ao show do The Police no Maracanã (alguns foram quase virados), nos encontramos no Centro de Niterói para pegar a van que alguns dos lojistas que estavam promovendo o show alugaram. Seguimos.

Ao chegar em Caxias, a primeira surpresa: o show iria ser na quadra de um tipo de clube, que ficava BEM longe do centro, em uma enorme ladeira, em um bairro residencial. Lugar que olhava torto para os grinders chegando em excursões de todo estado. Logo que desembarquei, encontrei meus amigos do Unliver, que foram uma das trocentas bandas de abertura do evento.... e aí começa o desencontro de informações com o que foi contado na mídia especializada.

Foi largamente publicado que o time (de qual esporte não sei ao certo) do clube precisou treinar e isso atrasou a abertura da casa, isso ocorreu segundo alguns, mas não foi só isso. O primeiro grande problema foi com a bateria do evento, um instrumento surradíssimo que seria para todas as bandas (até para o principal). Na época, Adrian, recém saído do Cradle of Filth, recusou-se a tocar no instrumento em petição de miséria. Os organizadores saíram loucos atrás de uma bateria em melhor estado para alugar, nas barbas do show começar.

Problema resolvido? Nem tanto. Durante a passagem de som, vi claramente Jeff Walker saindo do camarim pela esquerda do palco, com uma lata de cerveja na mão e com uma cara nada agradável. Ele olhava desolado para tudo e dava para ler o pensamento dele: "O que eu tô fazendo aqui?" Bem irritado, o baixista teve uma reação bem reprovável, pegou o microfone e gritou: Bullshit!! (besteira, merda) e jogou com raiva no chão. Se fosse dele ele faria isso?

Outro detalhe interessante foi que o Brujeria tocou com material emprestado. Parece que parte do acordo não foi cumprido e faltava ferragens de bateria. Assim, gentilmente a banda de abertura Unliver cedeu suas peças, peguei na mão a caixa com a pele autografada pela banda, já que sou bem amigo dos caras.

Mas o pior estava por vir...


Na frente do palco não tinha nenhum tipo de proteção, só uma corda. Aquilo bateu mal quando eu entrei na quadra, alguma coisa dizia que não ia dar certo. Para piorar, não havia seguranças no palco. Havia também uma escada que dava LIVRE acesso ao público para o palco. Estava anunciada a tragédia...

Começa Brujeria com som embolado (novidades?) e logo em uma das primeiras músicas a guitarra para! La guitarra se murió! Gritou Fantasma. Problema resolvido rápido. Mas o pior se aproximava.

Em La Migra, já no fim, um infeliz rouba o chapéu de Jeff Walker. Eu estava numa posição em um tipo de escada à direita do palco e vi a cena de camarote. Tudo para. Jeff não quer voltar. Um dos organizadores manda acender as luzes e protagoniza um verdadeiro fiasco: pede que o ladrão devolva o chapéu, que ganharia fotos e autógrafos com a banda. Que meigo.

Anunciando que "com uma grande demonstração de profissionalismo" a banda volta ao palco e termina o show. Já nos primeiros minutos de segunda-feira voltamos para casa.

Com o passar do tempo, soube que o chapéu voltou para Jeff, uma menina tomou do ladrão e mandou para ele via sedex. Boatos? Quem me disse também é um grande amigo e afirmou que foi uma ex-namorada dele. Só se diverge onde isso ocorreu. Na imprensa saiu que o cara foi para um show de metal com o chapéu, a minha "fonte" afirma que foi na finada festa rave DDK, no mítico Cine Íris, centro da boemia carioca.

O fato é que Ana, a responsável pelo retorno do chapéu ao dono foi apresentada ao público no Teatro Odisseia, fechando mais um hilário capítulo do extremo underground do Rio de Janeiro!!

Vale lembrar que o evento de Caxias continuou em atividade trazendo Paul D'ianno, Angra, Krisiun e (acredite se quiser) Mayhem. No Mayhem eu estava, e a organização foi bem melhor.

Um grande amigo meu sempre disse que quem frequenta o underground do som pesado tem história para contar....


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Sobre Rodrigo Freire

Rodrigo Freire, nascido no ano que Ozzy Deixou o Black Sabbath, é guitarra e vocal da banda de Doom/Black Silentio Mortis, já tendo participado de diversos outros projetos frustrados do underground. Ouve do extremo grindcore e punk, mas nutre uma paixão pelo som prog/ psicodélico da década de 70. É professor e linguista nas horas vagas.

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