Ayreon: As fantasias reais e virtuais de Actual Fantasy
Resenha - Actual Fantasy - Ayreon
Por Michel Sales
Postado em 14 de junho de 2020
O holandês e multi-instrumentista Arjen Lucassen lançou em 1996 o segundo disco da Rock Opera Ayreon, intitulado ‘Actual Fantasy’, um álbum não conceitual e mais diferenciado que ‘The Final Experiment’ (1995). Em Actual Fantasy, ‘Alien’ parece ter definido melhor a identidade de seu projeto. E aqui, ele simulou fantasias reais e virtuais, desprendendo uma sonoridade progressiva, onde cada música sintetiza uma pequena história.
Na faixa Actual Fantasy, a introdução orquestrada refere aos belos contos que serão revelados no decorrer do álbum, remetendo de cara para Abbey Of Synn, a canção é inspirada no romance ‘O Nome da Rosa, de Umberto Eco. Essa música destaca o papel dos sintetizadores no projeto Ayreon e conta a história de um monastério onde as risadas são proibidas. No desenrolar do enredo, os monges começam a morrer misteriosamente, um por um, e todos com as línguas e dedos enegrecidos. A investigação descobre que aqueles monges haviam tocado num livro de comédia escrito por Aristóteles e que suas páginas estavam envenenadas, bastando o monge lamber seu dedo, virar a página e morrer em seguida.
Já em Stranger From Within, a canção revela uma garota doente tentando ser reanimada no Hospital. Em sua dormência, ela fantasia uma aparência estranha e mágica que promete curar sua enfermidade, mas com a condição de fazer parte de sua vida.
Em Computer Eyes, um garoto está há dias retido em seu computador, num momento em que ele não mais entende se está fora ou dentro da máquina. Suas emoções inexistem no tempo real e ele acaba findando preso no universo virtual, sem conseguir escapar. O curioso é que esse tema é bastante explorado na discografia de Lucassen.
Já na faixa Beyond The Last Horizon, Arjen descreve um conto na Idade Média - durante as Cruzadas - quando um soldado de Deus é emboscado e morto. Diante da morte, o templário enxerga uma luz no horizonte, caminha até o fim da estrada e encontra o Paraíso tomado pelas trevas.
Em Farside Of The World, a canção foi baseada em um filme obscuro intitulado ‘The Navigator: A Medieval Odyssey’, que refere a vida de um garoto na Inglaterra Medieval, onde a praga está dizimando os habitantes. O menino surta e tem a visão de uma jornada que poderá salvar o vilarejo. Para isso, uma cruz deverá ser fincada no ápice de uma montanha de prata, mas o caminho até lá é tortuoso e a ocasião gera mais mortes.
Já em Back On Planet Earth, um homem que habita sozinho uma fria estação espacial - dentre as milhares existentes e dispersas na Galáxia - tenta manter contato com os sobreviventes da Terra que perderam sua emoção pela vida após uma Guerra que devastou o planeta. Percebendo o tamanho do colapso e perturbação, o ser espacial envia imagens dos velhos e bons tempos floridos, poéticos e de sorrisos estridentes.
A faixa Forevermore é mais uma canção baseada em um filme clássico, ‘A História Sem Fim’, onde um garoto furta um livro, chega atrasado na aula, depois esgueira-se no sótão de sua casa com um cobertor para apreciar o conto. E neste mundo fictício, a ‘Fantasia’ agoniza, sendo devorada pelo ‘Nada’ e o herói deve encontrar uma forma de reverter tamanha tragédia.
Fechando este clássico surge Dawn Of Man, uma canção experimental segmenta nos filmes 2001 e 2010, de Stanley Kubrick. Esta faixa incorporou ainda mais ficção na interpretação de ‘Alien’ Lucassen. Vale ressaltar que Actual Fantasy também foi relançado em 2004 sob o título ‘Actual Fantasy Revisited’, apresentando uma versão remasterizada e recheada de bônus. No mais, confira esta obra-prima genial e contemporânea no volume máximo.
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