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Saxon: Eternos gladiadores do trono do Heavy Metal

Resenha - Unplugged and Strung Up - Saxon

Por Ronaldo Celoto
Postado em 08 de dezembro de 2013

Nota: 10

Nada no mundo se compara à persistência. Nem mesmo o talento sobrevive sem ela. Não há nada mais comum do que homens malsucedidos e com talento, gênios não recompensados, negligenciados que são extremamente cultos. A persistência e a determinação são por si sós, onipotentes, onipresentes, oniscientes. O slogan ¨não desista¨ já salvou e sempre salvará os problemas da raça humana. No mundo da música, ¨não desistir¨ também significa reinventar-se, e, porque não, voltar carregado de triunfo.

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Começa aqui a história do recente disco de uma lenda mais do que viva, uma lenda que foi tida como extinta em meados das décadas de oitenta e noventa, e, que, feito FÊNIX, renasceu das cinzas a cada novo trabalho, e, agora, brinda seus fãs com um álbum acústico-orquestrado-plugado, acompanhado (na edição digipack) de uma coletânea bônus com canções épicas, com uma nova roupagem de remasterização. Começa aqui a epopéia de ¨Unplugged and Strung Up¨, do SAXON.

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A abertura fica por conta de "Stallions of the Highway", remixada (sem orquestras) de forma a tornar-se mais atraente, e, com êxito supremo nesse sentido. De imediato, a épica versão orquestrada de "Crusader" surge como que a escoar todas as águas do dilúvio em um Planeta recém-seco. Ouso dizer que esta versão está superior até mesmo à original, guardados os saudosismos, mas o que o SAXON conseguiu com esta reformulação de um de seus maiores hinos, tornando-o magnífico, foi algo acima do bem e do mal. Muitos leitores críticos com mais dificuldade de aceitar mudanças sonoras poderão dizer que o SAXON ¨não é mais o mesmo¨, ou não gostar desta mistura épica. Mas eu pessoalmente achei fantástica, e, frise-se, não perde em momento algum, a sonoridade pesada e a energia saxônica. Vejam o vídeo abaixo.

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E os chamados de batalha dos antigos conquistadores bretãos urgem novamente, com a grandiosa canção "Batle Cry", mostrando que BIFF BYFORD e sua trupe estão em excelente forma, e, extremamente atuais, de modo a estar em sintonia com a musicalidade de hoje. Sim, porque, quer queiram ou não os mais severos críticos, o SAXON ainda é, ao lado do IRON MAIDEN, o grande expoente da NWOBHM – New Wave Of British Heavy Metal. E, com o devido respeito à donzela, que, em cada álbum lança um DVD ao vivo repetindo incansáveis vezes os seus grandes êxitos, os saxões estão em plena ordem criativa, e, a meu ver, menos presos ao passado glorioso. E isto é digno de todos nós oferecermos a estes músicos aplausos sinceros, pela sua coragem. Só para matar um pouco a curiosidade do que viria a ser o chamado de batalha para os povos saxões antes de cada guerra (a exemplo do famoso grito criado para o enredo do filme "King Arthur", antes da primeira batalha no degelo), os membros mais nobres dos exércitos saxões costumavam entoar em vozes, os coros ¨Olicrosse!¨ e ¨Godamite!¨, enquanto que os soldados do solo, da batalha do chão, como eram conhecidos, respondiam: ¨Ut! Ut! Ut!¨.

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Segue-se a incrível versão orquestrada para o clássico "The Eagle Has Landed", com solos brilhantes e um peso renovado das guitarras. O lirismo encaixado ao teor colossal da letra, realmente, e, novamente, faz-me pensar em quão melhores estão estas versões orquestradas deste disco, sem perder o peso e a originalidade, mas com um rearranjo que beira o divino. Eu bem sei que as pessoas mal acostumadas e que não entendem estas incisões clássicas, dirão que o SAXON cru é melhor, etc, etc, etc. Mas, qual banda define tão brilhantemente letras sobre batalhas e reescreve de forma tão brilhante a história da Inglaterra, da Bretanha, de um povo de raça pura que sonhava com a salvação dos seus descendentes em um mundo tão infestados por outras crenças, que não seja o SAXON? Qual banda merece mais um encaixe clássico (lembrando aos mais estapafúrdios e desconhecedores que a música clássica era a forma com que eram contadas guerras, triunfos, separações de reinados, entre outras coisas) que não sejam estes bretões?

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"Red Star Falling", com suas belas guitarras, que lembram o UFO de MICHAEL SCHENKER em áureos tempos, sussurradas pela voz de BYFORD, que aqui parece mais um historiador do que um cantor, e, é capaz de cortar qualquer ruído do vento em direção às altas colinas de batalha.

Seguindo com a avalanche pesada e lírica, "Broken Heroes", uma das mais belas canções do SAXON e de toda história da música, está descomunal. Começa um pouco tímida, mas na segunda parte, a emoção de BYFORD e de toda banda, que, juntos, conjugam instrumentos medievais de forma única (harpa, celos, violinos) conclamados com um peso único, quando ele simplesmente diz: "The engine pulls you out towards the Somme... towards the Somme... towards the Somme"... e a emoção toma conta da canção, que ganha um prisma apoteótico. Sim, tive de parar neste momento, respirar e lembrar o quanto esta banda é importante para a história da música, e, como muitos esquecem em meio aos anos que se vão. E enquanto a emoção me acorda, ainda ouço BYFORD dizer: "The pipes are calling young men back to Belfast/The general says you march to Stalingrad/You rode into the valley with the hundred/Seven lonely graves on Goose Green", até que as guitarras se anunciem com força, como se uma marcha avançasse em direção às montanhas mais altas, e, a orquestra de fundo servisse para dizer que esta é a nação de um povo... esta é a nação dos saxões !!!

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Ufa... e ainda tem mais... muito mais... "Call To Arms" é a próxima, onde a banda homenageia novamente os heróis esquecidos e disseminados pelas guerras. Que bela versão!!! A seguir, "Militia Guard" dá o tom hard rock sem orquestras ao disco (sim, pois o trabalho tem versões acústicas, remixadas e orquestradas) o tom SAXON mais pessoal para os fãs. "Forever Free" também anuncia o SAXON cru e sem orquestras, apenas com a diferença de que foi recriada. O mesmo ocorre com "Just Let Me Rock", que ficou muito boa nesta nova roupagem, não muito diferente da original, mas com um som característico menos datado.

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E então, surgem as canções acústicas. De início, a melhor de todas, "Frozen Rainbow", disparadamente superior à versão original, com um trabalho belíssimo de voz e musicalidade conjunta de todos. Novamente, utilizo o recurso dos vídeos (abaixo), para mostrar a vocês o quão magnífica está esta versão.

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"Iron Wheels", "Requiem" (muito linda, também superior à original) e "Comming Home" (reinventada sob a esfinge de um blues ao estilo Mississipi) também destilam sonoridade acústica, que posso dizer, me agrada e me agrada muito. Os bretões não tem mais medo de se reinventar, reinserir, pois eles são o que são, e, podem misturar-se a outras experiências, sem deixarem de ser eternos gladiadores do trono do "Heavy Metal". Afinal, eles são os saxões!!!

E, não se preocupem aqueles que pensavam em algumas canções, que por ventura estiveram de forma desta fornalha recém-editada, pois a edição digipack ainda traz como bônus uma coletânea de clássicos, chamada de "Heavy Metal Thunder", com a sonoridade e produção atualizadas, para darem maior ênfase àquela que já era uma das melhores marcas do SAXON... a energia e a força impactante de suas letras e canções. São elas: Heavy Metal Thunder/Strong Arm Of The Law/Power and The Glory/And The Bands Played On/Crusader/Dallas 1PM/Princess Of The Night/Wheels Of Steel/747 (Strangers In The Night)/Motorcycle Man/Never Surrender/Denim and Leather/Backs To The Wall.

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E assim, o SAXON mostra para todos os dois lados de uma mesma moeda: A bela (representada pelas versões orquestradas, recriadas e acústicas) e a fera (numa coletânea que dispensa quaisquer apresentações). Que os ventos do norte possam empunhar, uma vez mais, esta flâmula que, se depender dos fãs brasileiros, sempre irão repetir: Long live SAXON !!!

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Sobre Ronaldo Celoto

Natural do Estado de São Paulo, é escritor, professor, poeta e consultor em direito, política e gestão pública. Bacharel em Direito, com Mestrado em Ciência Política, atualmente cursa Doutorado em Direito, Justiça e Cidadania pela Universidade de Coimbra. Além destas atividades, dedica diariamente parte de seu tempo à pesquisa e produção de artigos científicos, contos, romances, matérias jornalísticas, biografias e resenhas. Seus interesses pessoais são: cinema, política, jornalismo, literatura, sociologia das resistências, ética, direitos humanos e música.
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