Mark Knopfler: sonoridade cada vez mais focada no blues

Resenha - Privateering - Mark Knopfler

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Por Ricardo Seelig, Fonte: Collectors Room
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Nota: 8

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Mark Freuder Knopfler completou 63 anos no último 12 de agosto. A banda que o tornou famoso, o Dire Straits, encerrou as atividades há 17, em 1995. Desde então, o vocalista e guitarrista gravou diversos álbuns solos e trilhas para filmes, distanciando-se cada vez mais do som que o consagrou e o tornou conhecido em todo o mundo.

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"Privateering" é o sétimo disco solo de Knopfler. O trabalho é duplo e traz generosas vinte faixas. A sonoridade é calcada no folk blues e no country, com a inclusão de instrumentos como sanfona, banjo, violino e órgão, entre outros. Esse direcionamento é até certo ponto surpreendente, visto que a música do trabalho é profundamente inspirada e calcada no universo sonoro norte-americano, e Mark Knopfler, pra quem não sabe, é escocês (ele nasceu em Glasgow). Porém, desde a dissolução do Dire Staits, Knopfler tem caminhado para uma sonoridade cada vez mais focada no blues.

Um ponto que chama a atenção é o quanto a voz de Mark Knopfler adquiriu um timbre mais grave e sombrio nos últimos anos. Em algumas canções, parecemos estar ouvindo faixas de algum disco de Leonard Cohen ou de Bob Dylan. Para efeitos de comparação, para situar o ouvinte, há uma similaridade entre as composições de Privateering e o disco gravado por Bruce Springsteen em homenagem a Pete Seeger, "We Shall Overcome: The Seeger Sessions" (2006). O clima é interiorano, bucólico, com canções contemplativas e meditativas, que trazem um Knopfler avaliando a sua própria vida.

O principal mérito de "Privateering" é agregar elementos da música celta ao blues, fazendo surgir um som diferente e único. Em certos aspectos um trabalho que aproxima-se de um esforço arqueológico, as vinte composições de "Privateering" revelam um Mark Knopfler muito mais completo e profundo do que o que conhecemos através do pop do Dire Straits. Esse contraste, essa diferença, entre universos sonoros tão díspares pode fazer com que os ouvintes casuais do Dire Straits não curtam ou não entendam "Privateering", julgando-o, apressada e equivocadamente, como "monótono" e "caipira". Azar deles, pois estarão deixando de curtir um dos discos mais interessantes dos últimos anos.

Um bluesman escocês apaixonado por country: essa é a nova cara de Mark Knopfler, e "Privateering" traduz de maneira certeira o atual momento do músico. Surpreendente, em todos os (bons) sentidos.

Faixas:

CD 1
Redbud Tree
Haul Away
Don't Forget Your Hat
Privateering
Miss You Blues
Corned Beef City
Go, Love
Hot or What
Yon Two Crows
Seattle

CD 2
Kingdom of Gold
Got to Have Something
Radio City Serenade
I Used to Could
Gator Blood
Bluebird
Dream of the Drowned Submariner
Blood and Water
Today is Okay
After the Beanstalk




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Sobre Ricardo Seelig

Ricardo Seelig é editor da Collectors Room - www.collectorsroom.com.br - e colabora com o Whiplash.Net desde 2004.

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