Beatles: em 1968 o primeiro álbum duplo no topo das paradas

Resenha - White Album - Beatles

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Por Elias Rodigues Emidio
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O ano era 1968 os Beatles haviam se consagrado como a maior banda de Rock de todos os tempos com o lançamento do aclamado “Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band” no ano anterior. Um pouco cansados do imenso sucesso que faziam e tentando se afastarem do comercialismo ocidental os Beatles decidiram fazer um retiro espiritual na Índia, porém não ficariam na Índia por muito tempo, insatisfeitos com a monotonia do retiro e com a comida fortemente temperada indiana que incomodava o estomago de Ringo (que acabou sendo o primeiro a retornar para a Inglaterra). Em junho começariam a trabalhar em seu novo que seria intitulado apenas como “The Beatles”, muitas das canções deste disco seriam compostas durante o retiro do quarteto na Índia.
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“The Beatles” também é conhecido como “White Album” devido a sua capa totalmente branca que apenas contém o nome do disco e um pequeno número serial abaixo do titulo do álbum, contrastando com a capa viva e cheia de cores do álbum anterior, o que de certa forma expressa um adeus dos Beatles à psicodelia. É o primeiro álbum duplo a chegar ao topo das paradas de sucesso.

Este disco marca o crescimento da importância das composições de George Harrison dentro dos Beatles, a maior canção do disco e o seu primeiro sucesso Nº1 “While My Guitar Gently Weeps” é de sua autoria. Além disso, o disco é notadamente creditado como o começo do fim da carreira dos Beatles como grupo. As gravações deste álbum foram marcadas pela tensão gerada pela disputa de egos dentro da banda; além da presença constante da nova namorada de John Lennon Yoko Ono, cuja presença constante durante as gravações desagradava aos demais membros da banda. O próprio George Martin afirmou que trabalhar com os Beatles estava se tornando impossível e que certas vezes era possível encontrá-los trabalhando em estúdios de gravação diferentes, muitas canções deste disco foram gravadas apenas por um único Beatle, além disso, o engenheiro de som Geoff Emerick que trabalhou com os Beatles nos dois álbuns anteriores abandonou a gravação do disco cansado das constantes disputas internas. Ringo se afastou durante uma semana das gravações, porém depois retornaria arrependido, por causa disso as duas primeiras canções do disco “Back In The URRS” e “Dear Prudence” trazem o excelente multi-instrumentista Paul MacCartney na bateria. Apesar da tensão durante as gravações este disco saiu belíssimo e é recheados de ótimas canções. Este disco se mostra o mais diversificado da carreira da banda mesclando vários ritmos musicais de Soul, Blues e Rockabilly, passando por Reggae, Rock Progressivo e até Heavy Metal/ Hard Rock (vide “Helter Skelter”), além disso, o disco inclui uma colagem avantgarde “Revolution 9”.

O disco abre com um Rock vigoroso “Back In The URRS”, composta por Paul MacCartney quer toca guitarra e bateria, John e Harisson estão nos baixos e também dão apoio nos Backing vocais, pode-se se ouvir ao fundo um barulho de avião decolando durante a maior parte da música, grande faixa de abertura. A segunda faixa “Dear Prudence” é uma música composta por John durante o retiro na Índia, música mais tranquila que a faixa anterior, na verdade trata-se de um convite para a irmã de Mia Farrow, que ficava durante o retiro trancafiada no quarto, sair e brincar um pouco. A terceira faixa é “Glass Onion” foi composta por John e é uma brincadeira para confundir a cabeça das pessoas que procuram tirar mensagens ocultas das músicas dos Beatles, contêm referências a outras músicas do grupo como “Fixing A Hole” e “Strawberry Fields Forever”, umas das últimas músicas feitas pela banda com apelo psicodélico. Na sequencia temos “Ob-La-Di Ob-La-Da” um Reggae composto por Paul MacCartney, canção alegre de ritmo contagiante para levantar o astral, umas das mais divertidas em todo o disco. “Wild Honey Pie” se assemelha mais a uma vinheta do que a uma música é resultados das experimentações de Paul durante as gravações que toca todos os instrumentos escutados na faixa. “The Continuing Story Of Bungalow Bill” é mais uma faixa de John que fala de uma caçada de tigres na Índia, o ritmo alegre e contagiante desta canção fazem dela uma das mais engraçadas de todo o disco. Nesta canção Yoko ajuda nos vocais em uma frase e o vocal feminino que se percebe durante a maior parte da canção é de Maureen Starkey esposa de Ringo. Na sequência temos “While My Guitar Gently Weeps”, uma das melhores composições de Harisson nos Beatles e o maior destaque do álbum. Esta canção é um rock com uma forte batida pop, o solo no meio da canção é de Eric Clapton que foi trazido para o estúdio de gravação por Harrison para aliviar o clima tenso que começou a surgir durante as gravações. A próxima canção do disco “Happiness Is A Warm Gun” é uma canção escrita por John Lennon baseada em uma frase retirada de uma revista de armas. Uma das difíceis de serem gravadas já que tem não tem compasso definido e na realidade trata-se de junções de canções inacabadas, tem uma forte tendência ao Rock Progressivo. Está entre as melhores do disco. A próxima faixa “Martha My Dear” é uma homenagem de Paul a sua cadela Martha, tem forte influencia jazzística típica das Big Bands da década de 50. “I’m So Tired” é praticamente uma continuação de “I’m Only Sleeping” do álbum “Revolver”, na qual John mais uma vez dá voz preguiça e a vontade não querer fazer nada. “Blackbird” é um belíssima balada de Paul, que canta e toca violão acompanhado de uma marcação rítmica simples, a canção tem efeitos de pássaros retirados dos arquivos da EMI. Está entre as melhores do disco. “Piggies” é uma música divertida composta por George Harrison e que dá uma elevada no astral do álbum, apesar de ser bem engraçada (a canção inclui até um grunhido de porco feito por John Lennon) ela contém uma forte sátira social. É a vez de o rockabilly dar as caras “Rocky Raccoon” é uma canção de Paul que conta a história de um personagem inspirada no velho oeste, destaque para o órgão Honk Tonk tocado por George Martin. “Don’t Pass Me By” é a primeira canção de Ringo a entrar em um disco dos Beatles, possui uma melodia bem alegre, característica típica das composições de Ringo nos Beatles vide “Octopus Garden” do disco Abbey Road. “Why Don’t We Do It In The Road” é mais uma experimentação sonora de Paul que toca todos os instrumentos, John sempre achou esta uma das melhores composições de Paul, apesar de ela conter apenas duas frases de duplo sentido. “I Will” é mais uma balada de Paul MacCartney que toca violão acompanhado pelo restante da banda que contribui na percussão. “Julia” é uma música solo de John (a única em sua careira de Beatle) em homenagem a sua mãe, a mais bela em todo o disco e é a canção que encerra o primeiro disco deste álbum duplo.

O segundo disco começa com “Birthday” um rock vigoroso e dançante e uma das últimas composições genuinamente Lennon-MacCartney, o coro de vozes escutado na canção é feito por Yoko Ono e Pattie Harrison (esposa de George). “Yer Blues” como o nome sugere é um blues composto por Lennon que traz a melodia mais pesada e triste em todo o álbum. “Mother’s Nature Son” traz uma das belas melodias elaboradas por Paul que toca violão acompanhado por sopros. “Everybody's Get Something To Hide Except Me And My Monkey” é uma música com um ritmo contagiante e enérgico composta por John Lennon baseado em um desenho que mostrava John com um macaco nas costas, com a cara de Yoko. “Sexy Sadie” é uma canção de John composta com base na suposta tentativa do Maharishi (líder espiritual indiano) de dar em cima das mulheres que estavam no grupo de meditação, o destaque da bela melodia da canção fica por conta do piano tocado por Paul MacCartney. “Helter Skelter” é um Hard Rock composto por Paul MacCartney, que na realidade era para sair como uma Jam de 27 minutos, mais a versão do disco é outra, é a música mais pesada já feita pelo Beatles e um dos destaques do segundo disco. “Long, Long, Long” é a terceira canção de Harrison inclusa no disco que canta e toca guitarra, o barulho estranho ouvido durante ao final da canção é uma xícara de chá vibrando sobre a caixa do amplificador de guitarra. “Revolution 1” é uma versão mais acústica de “Revolution”, música de protesto que entrou no 1º single do álbum que tinha a música “Hey Jude” como lado A, como foi a primeira a ser gravada recebe no nome o número 1. “Honey Pie” é uma balada de Paul cuja melodia tem como elemento principal piano acompanhado por sopros, lembrando as canções tipicamente Hollywoodianas das trilhas sonoras de filmes mais antigos, outra bela canção de Paul. “Savoy Truffle” é mais uma canção alegre escrita por George Harrison, que contém referências a “Ob-La-Di Ob-La-Da”, grande parte da letra é formado pelo nome de marcas famosas de chocolate. “Cry Baby Cry” é uma balada composta por John Lennon inspirado no cantor Lewis Carrol e que tem como elemento principal o piano. “Revolution 9” é uma música que na realidade é uma colagem avantgarde desorganizada de sons diversos como multidões gritando, choro de bebê, vidro quebrando, entre outros, além de fitas tocadas ao contrário e comentários sem sentido, o que cria uma melodia extremamente perturbadora. É uma canção mais John Lennon e Yoko Ono do que propriamente Beatle e que gerou muita discussão entre John Lennon e Paul MacCartney que não a considerava uma música dos Beatles. Para dar uma acalmada nos nervos após a audição da faixa anterior o segundo disco encerra com “Good Night”, uma balada de John composta para Ringo que canta acompanhado por uma orquestra de 30 músicos comandados por George Martin.

Este disco foi lançado no Reino Unido em 22 de novembro de 1968 e ao contrário dos lançamento anteriores, não contém uma coesão musical tão grande já que muitas músicas foram gravadas individualmente. Mas como já citado anteriormente esse disco está recheado de excelentes canções e mesmo com a banda não tão unida como nos lançamentos anteriores, o talento inquestionável dos seus integrantes fez com que a banda saísse das gravações com um dos melhores discos de sua carreira. Além das trinta canções que estão no disco mais duas canções foram lançadas em single “Revolution” que na realidade é uma versão com guitarras altas e distorcidas da canção “Revolution 1” (John e Paul achavam a versão original lenta demais para ser lançada em single) e “Hey Jude”, umas das melhores músicas já feitas pelos Beatles em sua vasta discografia.

Disco básico em uma boa coletânea de Rock.

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