Resenha - Hangover Music Vol. VI - Black Label Society
Por Daniel Dutra
Postado em 29 de julho de 2004
Nota: 9 ![]()
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(Spitfire - importado)
Está na hora de inventarem uma certificação ISO para Zakk Wylde. Não bastasse ser o melhor guitarrista de heavy metal de uma atualidade que já dura alguns anos - aliás, nem poderia mais ser votado naquelas eleições de fim de ano, tem de ser hors-concours mesmo - o eterno pupilo de Ozzy Osbourne vive lançando um disco maravilhoso atrás do outro. Depois de lançar o melhor disco do Black Label Society, The Blessed Hellride, Wylde deu um novo rumo à banda ao pisar no freio e dar ênfase ao violão e ao piano.
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Hangover Music Vol. VI não chega a ser tão acústico quanto seu primeiro e único disco solo, Book of Shadows, já que ele não se esqueceu da guitarra. Se por um lado faltam aqueles riffs sensacionais, recheados de harmônicos, por outro não houve economia nos solos. Como provam a sombria Steppin Stone, que nos remete a Black Sabbath; a bela e suave She Deserves a Free Ride (Val's Song); e as excelentes House of Doom, Woman Don't Cry e Fear, todas de tirar o fôlego.
Momentos mais pesados, como na excelente Layne, convivem muito bem com outros muito bonitos e de grande inspiração. Comandada pelo piano, a lindíssima Yesterday, Today, Tomorrow está entre as melhores do CD, junto a Damage is Done e Woman Don't Cry. Takillya (Estyabou) é apenas Wylde detonando no violão, um instrumental curto que dá passagem a Won't Find it Here, um verdadeiro primor nas seis cordas de nylon. O mesmo vale para a ótima Once More.
Há de se ressaltar, aliás, que a excelência de Wylde não é apenas instrumental. O cara é um compositor e tanto, capaz de escrever com naturalidade músicas mais pesadas, como no Black Label Society e também com Ozzy; sensibilidade para fazer o que temos em Hangover Music Vol. VI; e se aventurar na mistura de peso com southern rock, o que fez há quase dez anos com o Pride & Glory, excelente trio formado logo depois de ter saído da banda do Madman.
Dois bons exemplos de sua capacidade são as ótimas Crazy or High e Queen of Sorrow, cativantes e com refrãos irresistíveis. Ao dar um tempo ao peso dos discos anteriores, Wylde aproveitou também para regravar Whiter Shade of Pale, do Procol Harum (acredite, você já ouviu esta música ao menos uma vez na vida). A versão no piano e voz mostra que se ele não é o melhor vocalista do mundo, também está muito longe de ter de arrumar alguém para assumir o microfone. Na verdade, sua voz também virou uma das marcas registradas do BLS e, pontos a favor, esbanjam feeling.
Wylde contou novamente com o batera Craig Nunenmacher - o guitarrista e braço direito Nick Catenese participa apenas das turnês - mas desta vez teve mais convidados. John Tempesta (ex-Testament) assumiu as baquetas em Once More e o chefão pouco fez no baixo. Em 11 das 14 músicas, as quatro cordas ficaram a cargo de John "JD" DeServio, que já integrou o Black Label Society; Mike Inez, que substituiu Robert Trujillo na última turnê quando este se mandou para o Metallica; e James Lomenzo, ex-companheiro de Pride & Glory e confirmado recentemente como novo integrante.
Não é novidade alguma, mas Hangover Music Vol. VI já nasceu obrigatório, assim como qualquer trabalho que tenha o dedo de Zakk Wylde. Sem dúvida, um dos melhores discos de 2004.
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