Shows que marcaram a minha vida: Megadeth (11/10/2005) em São Paulo

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Por Mateus Ribeiro
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Quem é fã de heavy metal sabe como é legal ver um show. Desde a expectativa criada antes do show até a última música do espetáculo, vale a pena cada segundo e cada centavo gasto. Sem contar o fato das histórias que ficam na memória para sempre.

Enquanto eu mexia na minha memória de elefante, relembrei de alguns momentos e tive uma ideia: criar (mais) uma série, para falar sobre espetáculos que marcaram a minha trajetória. Os textos vão contar um pouco dos perrengues que um headbanger do interior (no caso, eu) passa para ver um show de alguma banda.

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O primeiro show que vou relatar em minha série é o que o MEGADETH fez em São Paulo, dia 11 de outubro de 2005. Boa diversão.

ANTES DO SHOW

A minha vida era muito legal no ano de 2005. Eu trabalhava como auxiliar de laboratório em uma renomada farmácia de manipulação da cidade (inclusive, agradeço até hoje a professora Gislaine, que me indicou para a vaga) e frequentava as aulas durante a noite, na tentativa de me tornar um técnico em Química. Não deu certo, mas ao menos, rolou uma química entre eu e a música pesada.

O meu tempo livre era dividido entre a música e o futebol. Na época, eu estava ouvindo muito MEGADETH, principalmente o disco que marcou a volta da banda, "The System Has Failed", lançado no ano anterior.

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Naquelas alturas, o meu sonho de princesa era ver o MEGADETH ao vivo. Era questão de vida ou morte. Até que em um belo dia, enquanto paquerava na rede mundial de computadores, fiquei sabendo que a banda iria se apresentar no Brasil, mais precisamente, em São Paulo. Eu li a notícia no finado Orkut e confesso que quase caí de costas quando confirmei a informação. Eu decidi então que iria ver o show, que seria realizado no dia 11 de outubro daquele ano.

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Pois bem, mas eu morava no interior e não queria ir sozinho. Imaginei que fosse sair alguma, excursão, caravana ou qualquer coisa parecida. Com o passar dos dias, percebi que meus amigos headbangers não estavam com muita vontade de assistir o show, que apesar de ser em uma véspera de feriado, caiu em uma terça-feira.

O tempo estava passando, o charuto já estava chegando no beiço e nenhuma solução aparecia. Eu cogitei pegar um ônibus e passar a noite em São Paulo, mas como na época eu tinha mais medo que o Salsicha do Scooby-Doo, descartei a ideia em questão de dias.

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Uma semana antes do show, alguém me disse que um rapaz daqui costumava fazer excursões, o grande CLEITÃO. Dei um jeito de entrar em contato com o rapaz. Ele me informou que infelizmente, não faria excursão. A música triste do Chaves já estava começando a tocar e o show deixava de ser um sonho para se tornar um pesadelo.

Porém, a vida é uma caixinha de surpresas, e Cleiton passou o telefone de uma pessoa que iria ao show. Ainda existia esperança, que se confirmou assim que liguei para o jovem que salvaria meus sonhos e a minha alma.

No dia seguinte, o então misterioso companheiro do show apareceu na porta da minha casa para acertarmos alguns detalhes, como horário de saída e o valor da carona. Eu descobri que a fera, chamada Gustavo, tinha amizade com o meu irmão, o que facilitou a conversa e me fez perder o medo de embarcar em uma viagem sem volta no carro de um ilustre desconhecido. Faltando dois dias para o show, eu confirmei que iria ver o MEGADETH.

Você, que está lendo o texto com atenção, notou que eu não falei em nenhum momento do ingresso, não é mesmo? Então, eu não havia comprado. Deixei para comprar na última hora. E me arrependi amargamente, como você vai notar nos parágrafos seguintes.

O DIA DO SHOW

Eis que o dia tão esperado chegou. Acordei cedo, tomei um banho, troquei de roupa e fui trabalhar. A hora passou voando e rapidamente, estava em casa. Não demorou muito para Gustavo aparecer em casa e por volta das 4 horas da tarde, já estávamos indo para o lugar do show.

Eu estava confiando no senso de direção do meu novo amigo, já que essa era a única tecnologia ao nosso alcance. É claro, óbvio e evidente que iríamos nos perder no caminho. Depois de meia hora girando mais que o pião da casa própria, conseguimos achar a casa de shows.

Quando cheguei ao recinto, fiquei assustado. Avistei uma fila gigantesca para comprar o ingresso, e ali fiquei. Como eu tinha certeza que passaria bastante tempo (e raiva), decidi pegar uns drinks para amenizar a ansiedade. Quando me dei conta, já havia tomado quase meio fardo de cerveja, estava quase mijando nas calças e a porra da fila não andava. Após muito sofrimento e aperto na bexiga, a minha vez foi se aproximando.

A minha vez estava chegando e eu estava fazendo contagem regressiva. Quando a pessoa da minha frente foi comprar, o aperto que estava na bexiga foi para o peito, ao ouvir as três palavras pronunciadas pelo segurança: "MEGADETH PISTA ACABOU". Eu também falei três palavras, que rimam perfeitamente com a expressão "tomate cru".

As únicas opções eram plateia superior e camarote. Eu não queria a primeira e muito menos tinha dinheiro para a segunda opção. Decidi então infringir a lei e procurar por algum cambista. De repente, duas moças apareceram como anjos falando que tinham um ingresso para a pista. Fiz a minha oferta e fechamos o acordo. Esperei a consagrada me trazer o convite e quando peguei na mão, notei que era para a plateia superior. Contei até três, paguei a cidadã e consegui meu ingresso. Eu não iria ver o show no setor que eu desejava, mas naquelas alturas, depois de me perder, ter tomado um semi-balão e quase mijar nas calças, a sobrevivência era lucro.

Depois de me amaldiçoar por ter deixado para comprar o ingresso na última hora, resolvi entrar na casa de shows. Procurei a minha cadeira e me acomodei ali, desgraçado da cabeça por não estar na pista. Estava ansioso, queria que o show começasse logo.

De repente, começa uma movimentação no palco. Meu coração começou a bater mais forte e imaginei que estava na hora do show começar. De fato, o show começou. E era o show de uma banda de abertura, o APOCALYPTICA, grupo finlandês que toca clássicos do heavy metal no violoncelo. Tudo muito legal, tudo muito bonito, exceto por dois fatos: eu não estava preparado psicologicamente para uma banda de abertura simplesmente detesto o som feito por eles.

Os caras são competentes demais, fazem um lance original, mas não é a minha praia. Pelo menos por alguns momentos, ficar na plateia superior não me pareceu tão ruim. Eu até consegui me animar e lembro-me de ter comprado um saco de PIPOCA para assistir aquela enfadonha apresentação, que graças aos deuses, depois de um tempo, acabou.

Enfim, o show que eu queria ver começou. Eu fiquei extremamente emocionado e comecei a chorar logo nos primeiros acordes de "Blackmail The Universe", a pancada que abriu o show. Porra, bicho, eu estava vendo o Dave Mustaine. De longe, mas estava. Como é que vou segurar a emoção?

O caminhão de emoções continuou o seu trajeto em altíssima velocidade, enquanto o MEGADETH tocava músicas que me faziam voltar no tempo e me emocionar cada vez mais. Eu voltei no tempo ouvindo "Wake Up Dead", "Set The World Afire", "Die Dead Enough", "Trust", "Angry Again", "In My Darkest Hour", "Skin O´my Teeth, "She-Wolf", "A Tout Le Monde" e obviamente, "Holy Wars... The Punishment Due".

Eu gostei muito do que vi. Por mais que o dia das crianças fosse só algumas horas depois, o marmanjo aqui estava se esbaldando com aquele show, que era o presente perfeito.

Eu lavei a alma durante a apresentação. Cantei até perder a voz, chorei como uma criança, e agitava como podia dentro do minúsculo espaço que me era permitido. Mas, infelizmente, o show havia acabado. Seja lá como for, valeu cada centavo e cada segundo, apesar de todas as cacetadas que tomei e de hoje, ver como o MEGADETH é frio e chato ao vivo.

DEPOIS DO SHOW

Eu estava muito feliz, afinal, havia realizado um sonho. Agora, precisava encontrar o Gustavo, para pegar o caminho da roça. Depois de um tempo procurando, encontrei. Como estávamos muito cansados, resolvemos descansar um pouco ali mesmo, dentro do carro, antes de cair na estrada.

Esse descanso durou um pouco mais do que era pra durar e acordamos com o segurança batendo no vidro do carro. Aliás, o "Gustavo móvel" era o único carro presente no estacionamento. Todo mundo já tinha picado a mula e após a "orientação" do segurança, resolvemos fazer o mesmo.

O caminho de volta foi divertido, mas a vaca quase deitou quando em um cruzamento, já em Limeira, um busão por pouco não deu no meio do carro, o que certamente, iria dar em game over. Curiosamente, esse cruzamento fica na mesma avenida que alguns anos depois, o amigo Gustavo abriu um bar.

Quase quinze anos depois do show, sou um fiel cliente de seu bar e ele, por sua vez, se tornou um dos meus melhores amigos.

No final das contas, se eu tivesse arrumado uma excursão, ou ido sozinho, não teria me divertido tanto.

O show foi do MEGADETH, mas como diria O RAPPA, "Valeu a pena".

Obrigado pela atenção de quem leu este texto. Em breve, volto com outra aventura, tão agitada quanto essa.

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Sobre Mateus Ribeiro

Fanático por Ramones, In Flames e Soilwork. Limeirense com muito orgulho (e sotaque).

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