Arquivo do Rock: Dossiê Dire Straits

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Por Rafael Ferrara, Fonte: Radio Catedral do Rock
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Em Londres, em meados de 1977, surgia a banda Dire Straits, resultado da união dos irmãos Mark Knopfler (voz e guitarra) e David Knopfler (guitarra) com o baixista John Illsey. O baterista Pick Withers completava a formação básica, a qual apenas Mark Knopfler e John Illsley permaneceram até o final. Com o nome original de Café Racers, a ideia de Dire Straits veio de um amigo de Pick Withers fazendo referência a dramática situação financeira dos músicos. Num período em que o rock dos anos setenta começa a demonstrar desgaste entre o público e que o punk rock era a febre do momento, surge uma banda com uma proposta de rock mais leve, bem estruturado no rock clássico. A banda, claramente, desde a sua formação, até o seu final, sempre demonstrou diversas influências como jazz, folk, country e até mesmo blues.

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O Dire Straits durou apenas 13 anos e produziu seis álbuns de estúdio, ainda assim, teve mais impacto no mundo da música que muita banda que atravessa por décadas de história. Em sua trajetória, foram quatro prêmios Grammy, três Brit Awards, vários prêmios da MTV e uma quantidade enorme de discos de platina por todo o mundo. Em 2018, a banda entrou para o Rock and Roll Hall of Fame.

Ainda em 1977, a banda gravou uma fita demo de sua apresentação no Rock Garden e distribuiu por alguns profissionais do ramo. Dentre esses profissionais estava Charlie Gillet, apresentador de um programa da rádio BBC de Londres chamado Honk Tonk. Charile adorou o trabalho que continha cinco faixas e colocou uma delas para tocar. A faixa era Sultans of Swing, o que seria um dos maiores sucessos da banda. O trabalho chamou a atenção da Vertigo, uma gravadora parte do grupo Phonogram, e a banda pode assinar o seu primeiro contrato. Daí, surgiu o primeiro álbum de nome Dire Straits.

O álbum, que foi gravado entre o início de fevereiro e início de março de 1978, tem muitas referências às experiências vividas por Mark. A faixa Donw to the Waterline, que abre o álbum, é composta por imagens das memórias de Mark enquanto vivia em Newcastle, por exemplo. Originalmente, o álbum foi lançado com 9 faixas, sendo Sultans of Swing a primeira do lado B. Curiosamente, além de não ter sido lançado com Sultans of Swing como faixa de abertura do álbum, a versão da música no álbum original não possui o icônico solo que a fecha. Pouco depois relançaram o álbum com a troca das faixas do lado A com as faixas do lado B, além de colocar a versão completa e mais conhecida de Sultans of Swing.

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Para um trabalho de estreia, o álbum alcançou resultados impressionantes. Chegou ao terceiro lugar nas paradas da Alemanha e quinto no Reino Unido. Não bastante, ganhou discos de platina em diversos países, sendo 4 no Canadá, 2 no Reino Unido e 2 nos EUA. Dentre várias turnês que a banda fez para divulgar o álbum, a mais emblemática foi a que abria os shows para o Talking Heads.

Ainda em 1978, entre o final de novembro e meados de dezembro, a banda já gravava seu segundo álbum, Communiqué. Ainda com sua formação original, Communiqué é um álbum que reforça o estilo que seria marcante para o Dire Straits. Curiosamente, mais uma vez, as melhores faixas estão no lado B. Destaque para a bela Lady Writer e Portobello Belle, cujas versões ao vivo são bem mais poderosas. A capa é um projeto artístico da agência da Phonogram e ganhou em 1979 o prêmio de capa do ano.

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O álbum conseguiu um grande feito na Alemanha ao ser o primeiro a bater o topo da parada ainda na sua primeira semana de estreia. Vale lembrar que nessa mesma época, na Alemanha, o álbum anterior ainda estava na terceira posição. Além da Alemanha, o álbum também chegou ao topo na Nova Zelândia, Espanha e Suécia. No Reino Unido chegou ao 5º lugar e 11º nos EUA. Sobre a vendagem, mais de dois milhões de álbuns vendidos no mundo com destaque para os dois discos de platina que ganhou na França e os três discos de platina recebido na Suíça.

Com o ano de 1979 inteiramente dedicado para turnês, o Dire Straits só pode iniciar novos projetos em 1980. Mas, antes, foi nomeado a dois prêmios Grammy, nas categorias melhor novo artista e melhor performance de rock por Sultans of Swing. Em outubro do mesmo ano, a banda entra em estúdio para gravar seu terceiro disco. Numa parceria entre Mark Knopfler e Jimmy Iovine, produtor de diversos projetos, inclusive Bruce Springsteen, surge o álbum Making Movies. Mais um projeto dentro do padrão Dire Straits. Ainda assim, por conta de desavenças na parte de criação, David Knopfler resolve sair da banda e seguir em carreira solo, sendo substituído por Sid McGinnis.

O álbum apresenta um diferencial em relação aos anteriores, faixas mais longas. A que teve mais sucesso foi Romeo and Juliet, que bateu a 8ª posição nas paradas britânicas. A música que conta a história de um fracasso amoroso tem um toque autobiográfico de Mark, como na maioria de suas canções. Apesar de não ter recebido a atenção de divulgação que merecia, a faixa Solid Rock do lado B também ganhou bastante notoriedade, principalmente nas apresentações ao vivo. Outra faixa que merece destaque é Tunnel of Love que abre o álbum com um trecho de The Carousel Waltz de Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II.

Making Moves, que tem o título tirado de uma frase da faixa Skateway, obteve resultados um pouco mais tímidos em relação aos dois anteriores. Vendendo pouco mais de duas milhões de cópias, ele recebeu um disco de platina na Nova Zelândia e no Estados Unidos, além de dois no Reino Unido.

Mais uma vez a banda sai em turnê e só volta aos estúdios em maio de 1982 para gravar seu quarto álbum, Love Over Gold. O nome do álbum veio de um grafite que Mark via sempre da janela de seu flat em Londres. A álbum teve um formato já bem diferente dos anteriores e é o primeiro produzido exclusivamente por Mark Knopfler. Com apenas cinco faixas, o trabalho investe em músicas mais longas, com grandes passagens. Vale destacar a presença de Alan Clark no piano e teclado. Para substituir em definitivo David Knopfler, Hal Lindes assume a guitarra.

Love Over Gold abre com a enorme Telegraph Road com pouco mais de quatorze minutos. Seguindo e fechando o lado A, Private Investigations foi a faixa single de destaque do álbum que bateu o 5º lugar nas paradas do Reino Unido, a primeira faixa da banda a chegar tão alto. No lado B, outras três faixas que não obtiveram tanto sucesso, mas vale destacar Industrial Disease.

Mesmo com um formato diferente, o álbum chegou ao topo em diversos países como Austrália, Noruega e Reino Unido. Sobre as vendas, dois discos de platina no Reino Unido e um disco de platina no Canadá, na França, na Alemanha e Nova Zelândia.

Após o lançamento do álbum, a banda mais uma vez saiu em turnê e para ajudar Alan Clark, a banda chamou Tommy Mandel, ficando então com dois tecladistas. A banda fez duas apresentações com ingressos esgotados em Londres em julho de 1983. Essas apresentações viraram um registro oficial, Alchemy Live. O álbum, apesar de não ter grandes números de vendagem, é um grande trabalho da banda por trazer versões mais trabalhadas e icônicas de seus maiores sucessos. O trabalho foi lançado como álbum duplo, mas também como registro em vídeo (VHS). Diferentemente do que muitas bandas faziam para melhorar a qualidade de seus registros ao vivo, o Dire Straits não utilizou do recurso overdubs. O registro é tão incrível que foi relançado como DVS e Blu-ray quase trinta anos depois.

A banda voltou aos estúdios de outubro de 1984 e iniciou o que seria o maior trabalho da década e um dos mais importantes da história do rock and roll. No famoso AIR Studios na Ilha de Monteserrat, no Caribe, era iniciada a gravação do quinto álbum do Dire Straits, Brothers in Arms. Em parceria com Mark Knopfler, Neil Dorfsman ajudou na produção do álbum. Ele já tinha ajudado Mark na trilha sonora de Local Hero de sua carreira solo em paralelo. O álbum, em seu projeto inicial, já foi um marco por se tratar do primeiro álbum da história gravado todo digitalmente. Isto é, era um projeto para ser o primeiro álbum inteiramente produzido para virar CD.

O resultado final foi um álbum que, para quem desconhece a discografia da banda, parece uma coletânea de sucessos. Todavia, é um álbum de estúdio de músicas inéditas. No lado A, cinco faixas e todas foram sucessos tocando nas rádios: So Far Away, Money for Nothing, Walk of Life, Your Latest Trick e Why Worry. Dessas faixas, Money for Nothing é uma das raras músicas as quais não são creditadas exclusivamente a Mark Knopfler. Outra faixa com essa rara característica é Tunnel of Love por conta da introdução que leva um trecho de outra música como já dito anteriormente. No lado B, mais quatro faixas, sendo a última uma das baladas mais famosas da banda, a música título do álbum Brothers in Arms.

Nessa época, o Dire Straits, assim como diversas bandas, investiu em videoclipes para divulgar suas músicas. O videoclipe de Walk of Life é extremamente divertido com diversas cenas de lambanças em esportes. Já Money for Nothing ganhou um clipe com uma pegada bem profissional e inovadora. Tanto que levou 9 prêmios MTV Video Music Award de 1986, a premiação exclusiva de clipes.

Lançado em maio de 1985, Brothers in Arms foi o álbum mais vendido daquele ano no Reino Unido, com mais 4,3 milhões de cópias vendidas. Ele chegou ao topo das paradas britânicas e por lá ficou por incríveis 228 semanas. Nos EUA não foi muito diferente. Vendendo mais de 9 milhões de cópias, ele chegou ao topo e por lá ficou por nove semanas. O topo também foi a parada de Brothers in Arms em mais de outros 10 países. Considerando apenas as paradas de singles, os números também são impressionantes. Money for Nothing bateu o topo nos EUA e 4º no Reino Unido. A faixa Walk of Life, que quase ficou de fora do disco se não fosse uma insistência de Neil, chegou ao 2º no Reino Unido e 7º nos EUA. So far Away ficou entre as 20 mais, tanto nos EUA quanto Reino Unido. Sem citar a faixa título e Your Latest Trick que ficaram entre as 30 primeiras nas duas paradas. Ele foi indicado a álbum do ano no Grammy de 1986, perdendo para o álbum solo de Phil Collins No Jaquet Required. Entretanto, ganhou no mesmo ano o Grammy de melhor produção.

As vendagens, que já foram enormes nos dois principais países do mundo musical, permaneceram com números grandiosos em outros países. O álbum recebeu 3 discos de platina na Espanha, 6 na Dinamarca, 7 na Suíça, 9 nos EUA, 14 no Reino Unido e 17 na Austrália, além de um álbum de diamante na França por quase 2 milhões de cópias vendidas. É estimado que o álbum vendeu mais de 30 milhões de cópias pelo mundo. Por conta disso, ele entrou para o Livro dos Recordes como o primeiro CD a vender na casa de milhões e, por isso, a popularizar o formato.

Mark assume que o estrondoso sucesso de Brothers in Arms, que trouxe turnês em mega-estádios com plateias na casa de dezenas de milhares de pessoas, causou um certo susto nele. Daí, somado à necessidade de tocar projetos pessoais, a banda fez uma pausa em 1987. Nesse meio tempo, tanto Mark, quando John Illsey, deram prosseguimento a projetos pessoais. A banda em si só se reuniu para uma apresentação no Estádio de Wembley para o aniversário de 70 anos de Nelson Mandela e nada mais.

Em 1991, após quatro anos de hiato, a banda se reuniu novamente com sua formação base de Mark Knopfler e John Illsey, além dos tecladistas Alan Clark e Guy Fletcher os quais trabalharam no último álbum. Outros membros foram chamados, destaque para Jeff Pocaro, baterista que trabalhou em diversos projetos, inclusive a banda Toto. Com a banda completa, o Dire Straits inicia as gravações do que seria seu último álbum de estúdio, On Every Street.

O álbum que conta com ótimas canções como Calling Elvis e Heavy Fuel não emplacou grandes hits nas paradas. Ainda assim, o álbum num todo conseguiu um bom desempenho chegando ao topo do Reino Unido, Itália, Noruega, Austrália, além de um 12º nos EUA. Sobre as vendas, ele recebeu 2 discos de platina na Austrália, no Canadá e no Reino Unido, além de um nos EUA.

Com álbum novo, a banda saiu novamente e turnê e a sua apresentação na França em maio de 1992 virou um registro oficial. Desse show surgiu o álbum On The Night onde a banda toca sucessos do álbum Brothers in Arms, sucessos anteriores ao famoso álbum, além de músicas do recente On Every Street. A apresentação é impecável com um palco tomado de músicos contando com saxofonista (Chris White), percussão (Danny Cummings), dois teclados (Alan Clark e Guy Fletcher), bateria (Chris Whitten), slide guitar (Paul Franklin), uma guitarra base (Phil Palmer), além dos dois membros fundadores Mark Knopfler e John Illsey.

O álbum, como a maioria dos álbuns ao vivo da época, não teve uma repercussão tão grande quanto ao padrão Dire Straits. Vendendo pouco mais de 1 milhão de cópias pelo mundo, On The Night ganhou disco de platina apenas na França, Holanda e Espanha.

Ao final da turnê, Mark mais uma vez demonstrou desconforto com grandes turnês e shows em estádios lotados e, assim, opta por encerrar de vez o Dire Straits. Mesmo assim, Mark seguiu em carreira solo trabalhando em discos próprios e trilhas de filmes. Todavia, estava oficialmente encerrada a história de uma das maiores bandas de rock da história que fez mais barulho em tão pouco tempo do que muita banda que se perpetua há tanto tempo no mercado.


O Arquivo do Rock é um programa de 1 hora de duração que vai ao ar na Rádio Catedral do Rock todo sábado às 14 horas. O Episódio 12: Dossiê Dire Straits foi ao ar no dia 25 de Abril de 2020 e está disponível no formato de Podcast no Spotify e Deezer.

Rafael Ferrara é locutor da Rádio Catedral do Rock (90,1 FM – Petrópolis) onde apresenta o programa Arquivo do Rock.




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