Siouxsie Sioux: Para não esquecer
Por Juliana Vannucchi
Fonte: Audiograma
Postado em 27 de junho de 2018
Mais uma vez estou aqui para homenagear Siouxsie Sioux. Espero que isso se torne uma tradição, pois pra mim é sempre uma honra imensurável escrever a respeito dessa grande personalidade que me inspira há alguns anos.
Não é uma tarefa difícil descrever porque Siouxsie sempre foi tão brilhante. Em suma, nossa querida vocalista conquistou todos os seus notáveis feitos porque um de seus traços sempre foi a coragem, virtude esta que a levou a romper com todos os paradigmas que a incomodavam e que considerava desnecessários de serem seguidos. Assim, distanciando-se de tudo o que era insignificante e construindo uma vida nova a partir do que lhe agradava, Siouxsie deu um passo a frente em relação à maior parte de seus contemporâneos.
Posso garantir que não é fácil ter essa imensa coragem que Siouxsie sempre carregou consigo. Se desvincular do mundo externo, descartar certas coisas e arquitetar sua própria realidade são atitudes que exigem muito empenho, originalidade disciplina e ousadia - sabemos que poucos, de fato, seguem esse caminho. Nenhum obstáculo nunca pareceu tão penoso para ela. Siouxsie, de maneira espontânea, sempre conseguiu concretizar seus projetos e, como consequência, sua imagem passou a simbolizar o arquétipo da mulher forte, inteligente e independente.
Assim, ao logo do tempo, a vocalista dos Banshees assumiu uma personalidade, hora dionisíaca, hora apolínea, hora, ambas. Enfim, foi aquilo que se propôs a ser. O importante para ela, era progredir, escrever história - e que fique claro: tratava-se de escrever a SUA história. Para isso, agia como almejava agir. Com erros e acertos, com desvios morais, incomodando o conservadorismo e pisoteando o senso comum, ela deixou sua marca e isso jamais irá se alterar, independentemente do tempo e do espaço em que o mundo se encontre. Uma vez, uma jornalista europeia escreveu algo muito bacana sobre a Siouxsie... não lembro o nome dessa jornalista e tampouco da fonte... também não me recordo exatamente como era a frase em inglês, mas era mais ou menos assim: "Sioux não fez sua carreira através de um rostinho bonito ou usamos seu corpo, ela moldou sua história usando seu cérebro". Eu só posso concordar, afinal, de fato, a arte dessa mulher, além de não ser nada clichê, é essencialmente inteligente, dialogando com o intelecto e instigando nossa intuição. É arte de artista de verdade. Siouxsie não precisou de um decote e ou riminhas enlatadas para chegar aonde chegou.
Por todas as razões citadas acima e por inúmeras outras, Siouxsie nos deixou uma herança magnífica pela qual compartilha conosco os traços de sua aguçada genialidade e de seu raro e especial talento. Que ela esteja feliz, aonde quer que esteja (acho que está numa tal cidadezinha francesa, enfim, não é um detalhe tão relevante). Sucesso para o WOLVES!
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