Trilhas Sonoras: O Rock and Roll e o Universo Cinematográfico Marvel
Por Ricardo Bellucci
Postado em 08 de maio de 2018
Um filme é muito mais do que uma mera coleção de imagens, é antes de tudo um conjunto de elementos em perfeita composição: uma narrativa envolvente, imagens que falam além das palavras, cenário, contexto, muitos elementos combinados formando um fino tecido, uma composição onde a trilha sonora é, sem sombra de dúvida, um dos eixos da obra.
Os filmes mais marcantes são aqueles que transcendem a mera narrativa, eles emocionam, nos tocam intensamente em termos de valores profundamente humanos.
Em 2008 quando a Marvel iniciou a franquia "Iron Man", ela iniciou uma nova estética em seus filmes. Ela procurou demonstrar aspectos humanos em seus super heróis, o que acabou por gerar uma profunda empatia entre seus personagens e o público. O resultado foram estrondosos sucessos de bilheteria.
Um desses elementos de aproximação do público em relação aos filmes foi, sem sombra de dúvida, a trilha sonora. Isso é bastante perceptível na trilha sonora do segundo episódio da franquia "Iron Man", onde o AC/DC marca presença.
O sucesso foi enorme. E estimulou a Marvel a continuar no caminho da integração entre o rock e o Universo Cinematográfico Marvel. Para muitos o sucesso dessa combinação foi surpreendente, visto que boa parte do público não era composta de fãs do velho e bom rock and roll. Na verdade, uma parcela apreciável dos fãs do novos filmes é constituída por jovens que muitas vezes pouco ou nenhum contato com o rock tiveram. Creio que uma possível explicação para esse casamento quase perfeito foi de um lado o tipo de narrativa na qual os filmes se baseiam e o som escolhido para ser o pano de fundo de cada história. Retornando a "Iron Man" ,por exemplo, temos um herói meio canastrão, às vezes até meio cínico, profundamente inteligente, meio playboy, mas profundamente humano, um herói agitado, sempre ativo, ligado, que acabou por combinar com a música do AC/DC, cuja temática se aproxima exatamente do espírito que o personagem revela. Um verdadeiro gol de placa da Marvel.
Em Guardiões da Galáxia temos o resgate de uma era do rock, os anos dourados, das décadas de setenta e oitenta, resgatando bandas como Eletric Light Orchestra e Fleetowod Mac. Novamente a narrativa acabou por encaixar de forma perfeita, unindo o lado retrô do estilo musical com a narrativa de cada um dos filmes dos Guardiões, principalmente ao redor do personagem principal, Peter Quill (Star Lord).
Outro momento marcante desse casamento entre o Universo Marvel e o rock foi Thor Ragnarok, onde o tema principal foi nada mais nada menos do que o Led Zeppelin, onde o Deus do Trovão da mitologia nórdica combinou de forma sublime com a composição do Zeppelin:
Em Avengers, a vez foi do Soundgarde, com "Live to Rise" servindo como pano de fundo da história do time de super heróis da Marvel:
Esse casamento acabou por render bons frutos, para as bandas, para a Marvel e sobretudo, creio eu, para o próprio rock, que acabou por se aproximar de uma nova base de fãs através dos filmes. Percebo isso em alguns de meus alunos, jovens, na faixa dos doze ou treze, que acabam "gostando" do som e vão explorar de forma mais consistente o rock mais tarde. Ao conversar com vários deles, percebi isso claramente, in loco. Começaram escutando a trilha sonora dos filmes e acabaram por se tornar fãs das bandas. Claro que isso não aconteceu com todos, o que quero dizer é que os filmes se transformaram em plataformas de aproximação entre a música e os jovens.
Não sei por quanto tempo esse casamento vai continuar, afinal de contas nada é eterno, no entanto, espero que possa durar um pouco mais, de maneira a aproximar ainda mais jovens do nosso bom e amado rock and roll!
Longa vida ao rock!
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