"Quest for fire" (Piece of Mind): Iron Maiden, em busca da origem da força

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Por Rodrigo Contrera
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Salve, ironmaníacos. Aqui estou eu de volta com mais uma viagem ao redor de uma faixa de nossa maior paixão, o Iron Maiden. Uma faixa que é menor na carreira da Donzela, que passa quase batida para a maioria dos fãs, mas que deixa uma imagem indelével em outros (como eu), e que remete a vários dos aspectos que fazem do Iron Maiden uma banda única.

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Quest for Fire. A faixa que remete a um filme que alguns viram e muitos não viram, mas que naqueles que o viram deixou uma marca também bastante profunda. Uma faixa também em que vemos o Bruce soltar alguns dos gritos mais marcantes de sua carreira. Uma faixa que remete a questões existenciais diversas, e a leituras variadas. Em suma, uma faixa do caralho. Vamos primeiro a um breve excurso pessoal, ligado à forma como os meus textos saem publicados.

Jornalismo?

Seria mais simples se eu me ativesse às faixas em si, ao tema que abordam com base na letra e na música, ou a aspectos relativos à sua gênese e como foi gravada, etc. e tal. Ou se fizesse comentários mais pessoais sobre trechos, sobre a gravação, sobre as melodias, etc. Como todos aqui costumam fazer. Mas não é essa minha praia. Não busco também entrar em falsas polêmicas sobre eventos que se originaram a partir da música, ou comentários sobre tours, etc. Não busco isso. Em alguns artigos, busco explicar melhor a letra, com remissão a imagens e vídeos diversos, a livros, e tudo mais. Mas também exagerar em remissões não é o que mais me atrai. O que realmente me fascina é a paixão que o tema da música exerceu eu mim e exerce nos meus colegas ironmaníacos. Porque no fundo é isso o que nos cativou na banda, o que ainda nos cativa nas músicas, o que nos faz viajar em pensamentos. Por isso, não esperem muitos detalhes sobre como a música foi feita ou gravada, ou remissão a momentos da música na carreira do Iron, nem nada. Não é esse meu foco. Daí que irei entrar aqui, neste tema, o da busca e disputa pelo fogo, de forma como sempre enviesada. Pela tangente. Pois não considero que a paixão esteja em geral nos fatos. Está naquilo que imaginamos.

Uma pequena viagem

Quando eu era moleque, tinha uns pequenos livros que falavam sobre astronomia, dinossauros e coisas do tipo. Tinha também um pequeno dicionário ilustrado, e outro maior, com o qual me informava sobre as coisas do mundo. Eu era uma pessoa curiosa, e começava a me envolver nos mistérios do cosmos e da história (ou pré-história). Meu foco principal eram os astros e os dinossauros. Era interessante ver aquelas imagens, que ainda repercutem na minha história. Com o passar do tempo, eu lia as National Geographic que caíam nas minhas mãos, eu ficava sabendo das Voyagers da vida e tudo se tornava ao mesmo tempo mais complexo e mais distante. Os dinossauros não eram um foco tão importante nessa época levemente posterior.

Terra de Gigantes

O Elo Perdido

Mas eu via filmes na tv, aqueles que fizeram sucesso em todo o mundo desde os anos 60, e com isso eu entrava em tramas de mistério e suspense outras, que me dispersavam. Lembro-me de Terra de Gigantes, de episódios sobre guerra, etc. A questão da pré-história era abordada em seriados bem mal-feitos (como O Elo Perdido), e eu não tinha com o que viajar nas minhas viagens pessoais (ao menos nesse assunto). Mas o cinema passava por uma revolução, ou diversas, e logo iriam surgir grandes filmes que iriam nos fazer literalmente pirar em nossa imaginação. 2001: Uma Odisséia no Espaço iria ser um deles. Guerra nas Estrelas, outro (anterior, em minha imaginação). Havia também Jornada nas Estrelas, o seriado. E havia a questão da pré-história, que iria ser abordada por Quest for Fire. Este filme iria render a música. Iria nos levar ao Iron Maiden.

Meios de pirar

Mas 2001 abordava o assunto ser humano de uma forma complexa e mais atenta ao destino da humanidade do que a aspectos concretos de seu desenvolvimento. Havia a questão da evolução, dos hominídeos, e de como se deu a ligação entre os grupos e entre as tribos (na base da porrada). Guerra nas Estrelas era uma história romanesca, com mocinhos e vilões, príncipe e princesa, tudo embalado com músicas de alto nível e efeitos especiais marcantes. Jornada nas Estrelas era uma história mais contida, com uma Corporação, em que a humanidade ia em busca de novas vidas, e as encontrava, sendo defrontado com o desafio da possibilidade de vida fora da Terra. Havia também Alien, com todo o potencial de medo advindo dessa possibilidade. Havia outros filmes, também. Já Quest for Fire parecia um pouco mais rasteiro. O filme do francês falava da luta pelo fogo. Da questão do poder. De como ele foi encontrado e de como ele era mantido pelas tribos. Era uma forma mais concreta de viajar sobre as origens e o destino do ser humano.

Na época do Piece of Mind, eu não era público para filmes como Quest for Fire. Estava terminando o colegial, logo iria fazer cursinho, e somente bastante tempo depois eu iria ficar sujeito à influência (fundamental) do cinema (e de alta qualidade). Quando fui atingido pela pedrada do Piece of Mind, eu nem sabia que a faixa se referia a um filme, ou a qual filme - e vim saber disso muito tempo depois. Mas a mera ideia do argumento me atraiu fortemente. Dava para perceber que aquilo era MAIOR. Dava para sacar que a jogada do Iron era discutir assuntos mais importantes, mais permanentes do que simplesmente um amor de juventude, ou algo desse tipo. Por outro lado, os méritos da faixa em si me cativaram já de cara, e a faixa tornou-se uma de minhas preferidas no LP (depois, CD).

O filme

Hoje o filme ficou como um clássico daquela época. Há quem tenha se sentido bastante surpreso com ele, e outros que o tenham colocado na lista dos preferidos (alguns leitores do Whiplash me disseram isso). Eu, como já disse, vi o filme somente muito depois de lançado. E com uma ideia já meio preconcebida do tema. Eu já era pós-graduado na época, e o meu conhecimento das humanidades não era tão rasteiro do que quando adolescente. Já havia assistido o 2001, e muitos outros filmes de qualidade, e já estava ensaiando a possibilidade de me tornar roteirista. Nesse sentido, algo do peso do filme já havia ido embora. Menos o peso do tema. O filme, venhamos e convenhamos, é único. E parece único até mesmo no seu gênero. Fácil entender por que ele bateu tão fundo no Steve.

Trailer

O filme do francês narra, de uma forma bastante crua para a época, o assunto da descoberta, luta e conquista do fogo. Mostra os seres humanos como hominídeos parecendo macacos, lutando por territórios e pelo próprio fogo. Faz uso de uma estrutura de roteiro que cria "personagens" que nos causam simpatia, a mais das vezes, e que nos envolvem na trama, em meio a cenários paradisíacos. É muito bonito, o filme, e bastante interessante sob o ponto de vista científico. Levou-me a reler o começo de A Origem das Espécies, do Darwin, e a compreender melhor a trajetória de curiosos como o conquistador Richard Burton, tão afeito ao ser humano enquanto fenômeno. No caso, o Burton bem que merecia uma música por parte de alguém. Êta sujeito porreta, sô.

A música

Um aspecto que sobressalta em Quest of Fire já no seu começo é a forma crua com que tudo entra no clima. Uma batida simples de bateria, uma introdução com todos os instrumentos em uníssono, e os acordes da música em si. Nada mais simples. Os versos, feitos sob medida para aquele duo de guitarras, com o baixo mais escondido, simplesmente narram uma história. Versos bastante simples, que não se propõem comentar nada do que narram. A música em si é bastante simples, mas sentimos que entramos em algo mais alentado que uma simples história de amor. É uma história com H maiúsculo. Quando aparece o refrão, somos convidados a compartilhar do prazer de ver tudo se desenrolar à nossa frente.

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A música faz as vezes novamente de espelho. Pois, tirando uma parte central, em que entram os solos, muito bem arranjados mas que dificilmente são comentados em resenhas, a música repete a sua forma praticamente de forma idêntica após os solos. Há um trecho, enquanto as guitarras comentam em duo, que o ritmo fica mais marcado, mas nada que surpreenda muito. Porque a faixa parece ter nascido pronta, como uma obra de arte em que qualquer detalhe a mais estragaria o efeito total. Não há muito o que comentar além disso, porque a faixa é realmente bastante simples. Mas lembro-me claramente do efeito que ela me causava. Eu me sentia no meio de uma trama histórica, com homens das cavernas andando em pradarias e tentando sobreviver. Uma trama com heróis cujo único feito era sobreviver, realmente.

Bom, pessoal, termino por aqui. Eu havia feito o texto faz bastante tempo, e não me lembrava muito dele. Meu estilo também mudou de lá para cá, mas preferi não jogá-lo fora. Por outro lado, não tenho mais tanto tempo assim para viagens com documentos, então preferi parar por aqui, fazendo um texto um pouco mais curto, com menor número e variedade de referências. Espero que mesmo assim tenham gostado.

Up the irons!

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Sobre Rodrigo Contrera

Rodrigo Contrera, 48 anos, separado, é jornalista, estudioso de política, Filosofia, rock e religião, sendo formado em Jornalismo, Filosofia e com pós (sem defesa de tese) em Ciência Política. Nasceu no Chile, viu o golpe de 1973, começou a gostar realmente de rock e de heavy metal com o Iron Maiden, e hoje tem um gosto bastante eclético e mutante. Gosta mais de ouvir do que de falar, mas escreve muito - para se comunicar. A maioria dos seus textos no Whiplash são convites disfarçados para ler as histórias de outros fãs, assim como para ter acesso a viagens internas nesse universo chamado rock. Gosta muito ainda do Iron Maiden, mas suas preferências são o rock instrumental, o Motörhead, e coisas velhas-novas. Tem autorização do filho do Lemmy para "tocar" uma peça com base em sua autobiografia, e está aos poucos levando o projeto adiante.

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