Ronnie Von: pioneiro do rock psicodélico brasileiro
Por Aline Luz
Fonte: O Globo
Postado em 16 de setembro de 2012
Um dos primeiros cantores de rock psicodélico no Brasil atualmente tem sua obra redescoberta.
RONNIE VON é um cantor nascido na cidade de Niterói, Rio de Janeiro, em 1944. Entre os anos de 1966 e 1973, construiu uma discografia que transita entre o rock and roll, popularmente conhecido nos países latinos (americanos e europeus) por yê-yê-yê, rock psicodélico e por vezes um R&B.
RONNIE VON é o pioneiro do rock psicodélico no Brasil. Produziu entre 1966 e 1970 seis álbuns de psicodelia pop e experimental. Além disso, batizou e ajudou a divulgar a maior banda do gênero no país, OS MUTANTES.
Era apresentador de um programa de televisão intitulado "O pequeno mundo de Ronnie Von", onde também divulgou nomes do rock psicodélico brasileiro como GAL COSTA.
Em 1966 lançou o álbum intitulado "Ronnie Von", com 7 regravações dos BEATLES (que compreendem os álbuns "Help!", "Rubber Soul" e "Revolver"), e uma dos ROLLING STONES: "As Tears Go By", rebatizada como "Meu Pranto a Deslizar".
Além das regravações de BEATLES e ROLLING STONES, há ainda outras composições menos conhecidas de pop psicodélico e yê-yê-yê. Este disco quase abalou a hegemonia de ROBERTO CARLOS sobre as fãs adolescentes.
Em 1967 lançou um disco inteiramente psicodélico, gravado com OS MUTANTES e CAETANO VELOSO, intitulado "Ronnie Von Nº3".
Em 1969 lança "Ronnie Von", disco experimental que mescla rock psicodélico, Tropicália, Surrealismo, BEATLES, PINK FLOYD e a influência de um grupo britânico chamado BLOSSOM TOES.
Um de seus intuitos era transformar a visualidade do Surrealismo em música. Os discos "A Misteriosa Luta do Reino do Parassempre Contra o Reino do Nunca Mais" (1969) e "Máquina Voadora" (1970), foram realizados com esse propósito.
Também podem ser considerados álbuns conceituais (que possuem alguma linha narrativa), tipo de realização em voga no final dos anos 60.
Avançado para a crítica musical brasileira da época, teve a sua produção psicodélica menosprezada e ofuscada por muito tempo.
Enfrentou contratempos com as gravadoras que não entendiam suas propostas e com a crítica, que insistia em rotulá-lo como cantor de Jovem Guarda e considerava ruim seus discos psicodélicos, por também não se encaixarem totalmente na Tropicália. O simples rótulo rock psicodélico parecia não existir no Brasil de então.
Com isso, o interesse do cantor em realizar discos experimentais decresceu. Nos anos 70 lançou ainda mais dois álbuns de rock: "Cavaleiro de Aruanda" (1972) e novamente "Ronnie Von" (1973), cuja capa é linda.
Aos poucos foi abandonando a carreira musical. Hoje em dia, quando se apresenta cantando, é somente interpretando a canção "A Praça", de 1967, composta por CARLOS IMPERIAL.
Nos anos 2000, houve re-edições de sua obra em CD's e tributos por parte de diversos artistas
Demais fontes:
https://oglobo.globo.com/cultura/o-principe-psicodelico-da-musica-jovem-volta-atacar-com-relancamento-de-cds-4194954
https://psicodeliabrasileira.wordpress.com/2007/03/26/suficiente-com-restricoes-um-pouco-de-ronnie-von/
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