Hexafônicos
Por Cassio Luis Almeida Alves
Fonte: MySpace
Postado em 18 de dezembro de 2009
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O ano é de 2006, ritmo de copa do mundo e de nossa seleção rumo ao Hexacampeonato. Nesse mesmo ano, na cidade de Joinville/SC, surge a primeira edição do "FEMIC - Festival da Música e Integração Catarinense" onde o músico Leandro Gonçalves decide compor uma música especialmente para o evento. Carregado pelo sentimento nacionalista então aflorado pelo clima da copa, escreve a música Pororoca e monta uma banda para a apresentação.
Eis que surge uma coincidência: No palco, o grupo composto por seis músicos de destaque na cidade, vestidos de verde e amarelo e confiantes na originalidade de sua composição que mistura ritmos brasileiros como afoxé, baião, frevo, samba, xote e maracatú. No campo, a seleção brasileira como a grande favorita da competição buscando o Hexacampeonato. O nome não poderia ser outro... Neste momento nasce a Hexafônicos.

O resultado dado pelo júri no festival foi tão infeliz quanto o gol de Henry que mandou nosso Brasil de volta para a casa nas quartas de final. Derrotado duplamente, uma como brasileiro e outra como músico, Leandro, em seus momentos de introspecção, fica com uma curiosa lembrança dos ensaios que rolaram para o festival. Recorda das frases musicais utilizadas por Giuliano e Orimar Hess, respectivamente tecladista e acordeonista. Na introdução da música Pororoca, onde ocorrem contínuas modulações de acordes dominantes, era comum escutar comentários como "só tem aranha aqui" de alguém referindo-se à dificuldade na execução dos acordes. Ou então "é só acorde cabeludo". A principal lembrança sempre seguida de risos era "essa música deveria se chamar Tarântula!". Não deu outra: Leandro então decide compor a verdadeira Tarântula.

Inicialmente a música seria regida por uma seqüência de acordes incomuns para violão. Porém, durante a composição, um mal-entendido afasta do compositor uma amiga querida no que acaba por mudar suas idéias sobre a música. A nova harmonia elaborada convidava para uma letra que descreveu tal fato..
Na poesia o equívoco é metaforizado em um inseto comido por um sapo. Se algumas pessoas têm certa dificuldade de "engolir um sapo", quem dera beijar um que acabara de comer um fétido besouro? Nesse momento a tentativa de Tarântula se transforma em Percevejo.
Clóvis Correia, baixista desde a primeira formação do grupo, se torna o maior incentivador de Leandro para prosseguir com suas peculiares composições. Durante alguns ensaios com os amigos Fernando Dall’Acqua (baterista) e Marcos Bedin (guitarrista), onde rolavam temas improvisados e alguns covers de bandas como Dream Theater e Liquid Tension, o baterista, fã de estilos voltados para o rock progressivo e metal, mostrou para o Leandro algumas diferentes bandas que vinha ouvindo ultimamente. Em especial uma que acabaria por se tornar sua grande influência junto a música instrumental brasileira: a banda sueca Meshuggah. Seu estilo agressivo e pesado misturado com freqüentes polirritmias influenciaram diretamente as novas composições da Hexafônicos intituladas Escravos, Tempo e Profecia.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel | E finalmente foi composta a música Tarântula, onde na letra são expressos o amor e a dificuldade da profissão de músico e a dependência pela sublime arte da combinação dos sons e poesias. Nela há um resgate da rítmica tribal e do swing latino, bem como a mistura do rock pesado com ritmos brasileiros também evidenciados nas próximas composições como Baião de Core, Maracathrash, Samba Rock e Frevo Roll. Para fechar o ciclo foi resgatada a Pororoca, primeira música do grupo e que se tornou a última faixa do CD.Com a aprovação no Edital de Apoio à Cultura de Joinville o grupo começa a gravação do álbum Tarântula.
Antes de entrar em estúdio para a criação do seu primeiro cd são compostas mais duas músicas. A primeira evidencia o ritmo funk misturado ao samba e em compasso misto, intitulada Funk 765. A segunda, para homenagear seu melhor amigo e também técnico de som Evandro Oliveira "Maguinho", foi criada ao sétimo homem a música Sete que mescla o rock com polirritmias estruturadas em grupos de sete notas.

Durante as gravações o vocalista Leandro conhece o contrabaixista e violonista paulistano Marcos Parreira "Bocão", o qual participou das gravações do violão das faixas Tarântula, Profecia e do conturbado Percevejo e dos baixos de Maracathash, Samba Rock e Pororoca.
Na gravação do álbum há diversas participações de músicos amigos como Orimar Hess, Tiago Moraes, Adilson Nascimento, Wagner Heiden e Marcelo Vieira, bem como de ilustres músicos renomados como os guitarristas Eduardo Ardanuy, Marcinho Eiras e o baterista Endrigo Bettega que preenchem o disco com uma qualidade musical invejável.
Em seguida outra boa notícia surge: o grupo é aprovado pelo Mecenato Municipal e é contemplado com um clipe musical patrocinado pela Prefeitura Municipal e Fundação Cultural de Joinville. O incentivo foi captado através da empresa TOTVS / Datasul e apoiado pela loja de instrumentos musicais Stage Music.

A Hexafônicos participa ainda da segunda edição do Femic com a música Samba Rock, porém os jurados novamente não enxergam o seu potencial e elegem apenas composições "feijão com arroz" (requentado).
Devido a dificuldade de ter um guitarrista definitivo, o grupo entra em contato com o renomado guitarrista de Curitiba Airton Mann, conhecido nacionalmente por sua agilidade e musicalidade e também fundador de dois institutos de guitarra na capital paranaense que levam seu nome. Após receber o cd demo, Airton vê o potencial que ali há e durante uma ligação para Leandro comenta - "velho, tô dentro, vamos botar pra quebrar".
A banda ainda precisava de um tecladista. Sua procura terminou ao conversarem com o produtor musical e tecladista Jediel Araújo. O mesmo já havia participado das gravações de voz do álbum Tarântula.

E então a nova coincidência: os seis músicos e a junção em véspera de copa. E independente da conquista ou não do hexa para o Brasil seleção, um Hexa já existe no fônico do rock e na cultura da música dessa mesma nação.
Math rock, rock progressivo, jazz fusion, ritmos brasileiros, letras inteligentes e arranjos vocais são a receita para esse novo tipo de rock brasileiro, onde a busca pela originalidade não dispensa bom gosto.
Desligada de tendências e modismos, a Hexafônicos não é uma tentativa. É algo concreto e conciso a um sentimento sincero. Como seis membros, Hexafônicos são seis palavras: Fusão, arte, erudição, vontade, cultura e verdade.
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