Sanctuary: Heavy Metal por excelência
Por Eduardo Harry Luersen
Postado em 22 de julho de 2007
Sanctuary foi mais uma das inúmeras ótimas bandas de heavy metal, que tiveram um curto período de atividade, a surgirem nos anos 80. Além de um heavy metal por excelência, seu instrumental ainda absorvia alguns elementos do thrash. A banda, oriunda de Seattle (berço de outros excelentes grupos como Queensryche, Metal Church, Heir Apparent, Fifth Angel, etc...), iniciou suas atividades em 1985, tendo nas guitarras Lenny Rutledge (principal compositor dos riffs e arranjos) e Sean Blosl, enquanto que a bateria ficava a cargo do hoje produtor Dave Budbill. Os dois membros restantes mais tarde fariam parte do Nevermore, mas já possuíam certo renome na cena local. Jim Sheppard, o baixista, tocou com a banda glam Sleeze (da qual também fazia parte o falecido frontman do Alice in Chains, Layne Staley), enquanto que Warrel Dane, uma das vozes mais poderosas da época, havia sido membro da emergente Serpent’s Knight.
O Sanctuary iniciou sua trajetória com uma demo-tape de duas faixas, auto-produzidas, o que lhes garantiu um contrato com a gravadora Epic. Antes disso, porém, dividiram um split álbum com a banda local Fifth Angel, que saiu pelo selo CBS. Nesse disco, justamente nomeado de "Interchords: Words and Music", havia algumas faixas com algumas entrevistas das bandas e músicas das mesmas. Aí já podíamos perceber que Sanctuary não era apenas um grupo montado pelos caras mais cabeludos do mundo, mas que além disso tinham muita música boa para nos mostrar.
Isso tudo preparou o terreno para que fosse possível que o Sanctuary tivesse seu primeiro álbum, "Refuge Denied", de 1987, produzido por Dave Mustaine, fundador do Megadeth, que acabou por gravar o solo da introdução do cover de "White Rabbit", do Jefferson Airplane. A música ganhou peso e uma melodia diferenciada e, diga-se de passagem, um solo bem bonito. Esse cover já era executado pelo Serpent’s Knight, mas em uma versão mais próxima à original.
"Refuge Denied" é um álbum mais sujo e rápido que o seu sucessor, "Into The Mirror Black", de 1990, que em compensação é um álbum com letras que mais maduras. Nesse último lançamento, verificamos um Warrel Dane mais contido, mas ainda assim com um grande controle sobre sua voz. A faixa inicial, "Future Tense", ganhou inclusive um videoclipe, que foi veiculado com várias aparições no programa Headbanger’s Ball, da MTV.
Nessa época o Sanctuary já se projetava com grande potencial, e se afirmava no cenário metálico, abrindo shows para bandas de renome, como o Megadeth e os alemães do Warlock. Após o lançamento do segundo álbum, ainda em 90, o grupo gravou um EP promocional chamado "Into the Mirror Live: Black Reflections".
Após isso se sucedeu uma grande turnê abrindo para o Helloween, a qual gerou o bootleg mais conhecido da banda, chamado pelos fãs de "Battle for Detroit". Há também mais um show não-oficial gravado (dois CDs) enquanto tocavam em uma turnê pelo Japão, apelidado de "Live in Tokyo".
Durante uma turnê do segundo álbum, pelo famoso motivo da diferença na direção musical entre as partes, Lenny Rutledge decide deixar a banda. Jeff Loomis une-se a Warrel e companhia para terminar a tour. Logo após, sem um de seus principais compositores, o grupo decide abandonar as atividades. Desse encontro entre Warrel, Jim e Jeff, surge, algum tempo depois, o Nevermore.
Pouco se ouviu sobre os demais membros desde então. Sabe-se que Dave Budbill tem alguns novos projetos, no entanto, nenhum desses projetos causa tanto entusiasmo aos fãs como a notícia de que o baterista participará do álbum solo que Warrel Dane está escrevendo. Teremos aí algo que lembre a extinta banda dos dois? Veremos.
É difícil dizer o que poderia se esperar de um próximo disco do Sanctuary sem sua formação original, no entanto, o que podemos afirmar com certeza, é que os dois álbuns oficiais da banda ficaram como legado de que o heavy metal teve uma força nos anos 80 que dificilmente será novamente alcançada. Mas fica aqui a lembrança de que se apoiado, ainda poderemos ver o estilo em um novo apogeu, seja com ótimas bandas surgindo (e as temos) ou fazendo referência aos mestres do passado.
Batam suas cabeças!!!
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