Samael
Postado em 06 de abril de 2006
Por Alexandro Antonio Blini Maceiras
Inovar sempre e não se entregar à mesmice. Quebrar regras sem medo dos conservadores. É assim, com atitudes altamente heavy metal, que o grupo suiço Samael vem traçando sua carreira desde o início dos anos 90. Os irmãos Xytras e Vorphalak começaram tocando um som pesado e agressivo, influenciado pelos primeiros ícones do black metal, Venom e o também suiço Celtic Frost. Era preciso contestar a mediocridade do mercado musical da época.Nos primeiros ensaios, em que Xytras assumiu o baixo, seu irmão a guitarra e o vocal, e Masmisein a bateria, foram compostas as faixas que estariam no primeiro trabalho. Financiado pela própria banda, o EP "Medieval Prophecy" mostrou que o Samael queria ser crú e agressivo, procurando diferenciar-se, inclusive, de bandas semelhantes.
A atitude e a garra demonstradas no EP abriram os olhos de uma pequena gravadora francesa, a Osmose Records. Sem melhores oportunidades naquele momento, o Samael assinou com o selo e pôde pensar em vôos bem mais altos. "Worship Him", o primeiro disco oficial, foi gravado em 1991, mas com pouca produção. Não tinha o nível mínimo que os músicos desejavam, porém impressionou a imprensa e o público underground. Já no próximo disco, Xytras passou a ser a mente por trás das composições. Para não se ater aos limites do black metal, o grupo incluiu um tecladista na formação. Rodolphe H. ganhou a responsabilidade de criar climas sombrios e densos. Com ele, a banda gravou "Blood Ritual", que já era mais lento e ainda mais pesado. Cada vez mais forte no underground, o Samael surpreendeu à todos em 1994, já contratado da Century Media Records, com o álbum "Ceremony Of The Opposites". Um disco que rompeu de vez as amarras com o establishment da música extrema, misturando com maestria as guitarras do black metal com arranjos melodiosos dos teclados. Faixas batizadas pela própria banda como "operetas macabras".
O disco chocou os fãs mas ainda era pouco. O que estava por vir alteraria radicalmente os conceitos sobre o Samael nos dois próximos anos. Da brutalidade total à inovação sonora, Xytras - que passou a se chamar apenas Xy - fez de "Passage" o início de uma nova era, a entrada para a arriscada fase do radicalismo total. O público, a partir de então, ou amaria ou odiaria o Samael.
Longe de boa parte dos estigmas das raízes extremas, o Samael teve em "Passage" um dos trabalhos mais criativos da década ao unir a brutalidade do black metal com sintetizadores.
Alguns fãs abandonaram a banda, mas muitos outros surgiram atraídos pela novidade. Finalmente o Samael expandiu suas fronteiras, desembarcando nos Estados Unidos para uma tour. Com o mini-CD "Exodus" o experimentalismo tomou conta do Samael. Peso, remixes e vocais sombrios se condensam criando uma verdadeira sinfonia do inusitado. Após este trabalho, Xy dedicou-se à parte técnica, tendo produzido dois discos do Rotting Christ. As "férias" só terminaram em 1999, quando Xy entrou com toda a força em uma nova mudança. Agora com mais um guitarrista, Kaos, o Samael centrou sua criatividade em passagens atmosféricas, mais sons eletrônicos e peso. Tudo isso gerou "Eternal", um ambicioso passo na história do grupo, que ousou derrubar outra barreira ao trabalhar com um produtor que jamais teve qualquer tipo de ligação com a música pesada. David Richards somou à indecifrável mente de Xy sua experiência com grupos como Queen e Rolling Stones. O local escolhido para as gravações foi o Mountain Studios, o mesmo em que Frank Zappa e Deep Purple já haviam trabalhado.
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