MC5
Por Saulo Gomes
Postado em 06 de abril de 2006
Em 1969, na cidade universitária de Ann Arbor, perto de Detroit, capital da indústria automobilística americana, surgiriam duas das bandas mais visionárias da história do rock: o MC5 e o Stooges, que apesar de suas carreiras efêmeras, deixaram um legado musical que poucas bandas conseguiram forjar em tão pouco tempo e discos.
Ambas bandas desde o início de suas carreiras tiveram muito em comum, dividindo várias vezes o mesmo palco e até mesmo a aparelhagem de som, porém seria o MC5 que primeiro chamaria a atenção para o som de Detroit.
O MC5 foi formado em 1964, inicialmente por Rob Tyner (vocal), Fred "Sonic" Smith, Wayne Kramer (guitarras), Pat Burrows (baixo) e Bob Gaspar (bateria), sendo os dois últimos substituídos por Dennis Thompson (bateria) e Micheal Davis (baixo). Com esta formação a banda gravou em 1966 um compacto de distribuição local, com as faixas "Look At You" e "Bouderline". Apesar da pouca repercussão deste lançamento, a banda começou a se destacar na pequena cena roqueira de Detroit, não só por tocar muito alto mas também por uma série de incidentes com a polícia.
Devido a seu som agressivo e sua ficha policial extensa, a banda chamou a atenção de John Sinclair, professor da universidade de Ann Arbor. Uma figurinha estranha que se intitulava "The King of The Hippies" de Detroit. Além de suas atividades acadêmicas, Sinclair mantia uma comunidade de artistas "alternativos", chamada Trans-Love Energies (que mais tarde seria o embrião do partido político White Panther), numa fazenda nos arredores da cidade.
John Sinclair logo se tornaria empresário e guru espiritual da banda, e os levaria para sua fazenda, onde serviriam de trilha sonora para o recém criado White Panther, um partido político em resposta ao Black Panther(Panteras Negras). O partido não tinha qualquer conotação racista, e pelo contrário pregava a liberdade total, tendo como lema o slogan: "Rock’n’Roll, Dope and Fucking in the Street"; equivalente mais radical do já manjado sexo, drogas e rock’n’roll.

Foi Sinclair quem convenceu o MC5, em 1968, a ir à Chicago, durante a convenção do Partido Democrata americano, para fazer um concerto em protesto à guerra do Vietnã. A idéia de Sinclair seria fazer um grande concerto ao ar-livre, com várias bandas, mas apenas o MC5 apareceu para tocar. A convenção feita meses após o assassinato de Bob Kennedy, virtual candidato do partido democrata à presidência dos EUA, não era o lugar ideal para um concerto de rock. Temendo-se o risco de novos atentados, fora montado um aparato de segurança que contava até mesmo com a ajuda da guarda nacional. A convenção ficaria marcada na história daquele país por uma série de conflitos entre a polícia local e manifestantes pacifistas. Com tanques e o exército nas ruas, qualquer um teria desistido de fazer o show. Porém Sinclair não se abalou com o clima de guerra-civil que reinava na cidade e seguiu em frente com sua idéia. Como era de se esperar, o concerto acabou em pancadaria, tendo que Sinclair e sua trupe fugir da cidade, para não pegar uma temporada na cadeia de Chicago.
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Contrariando todas as expectativas o Lp chegou ao 30º lugar da Billboard, na primeira semana de seu lançamento. Devido à letra da faixa título, que continha um palavrão, o grupo teve que enfrentar um boicote pelas lojas e distribuidoras de discos e, mais tarde, um processo pelo FBI, do qual a banda sairia ilesa. John Sinclair, por outro lado, pegaria uma pena de 10 anos por tráfico e consumo de maconha.

Em 1970 o grupo lançaria o seu segundo álbum, "Back in the USA", agora pelo lendário selo Atlantic — que também contratara no mesmo ano o Velvet Underground. A banda havia sido dispensada da Elektra sem maiores explicações após os problemas com a justiça americana. Em "Back in the USA" o MC5, já sem a influência de John Sinclair, deixa um pouco a pregação política de lado, e se volta às suas raízes roqueiras, com um repertório que mesclava composições do começo da banda, como, "Look At You", lançada em compacto em 66, e impagáveis covers de Chuck Berry e Little Richard. Apesar de seu insucesso comercial (o MC5 na época ainda sofria boicote de algumas lojas de discos e distribuidoras) o álbum é incluído com freqüência em qualquer lista dos melhores discos de rock dos últimos trinta.

No ano seguinte lançariam seu último, e para muitos o melhor álbum, "High Time", uma obra visionária, e bem mais elaborada. No entanto os Estados Unidos não estavam prontos para o massacre sônico de músicas como "Sister Anne" ,"Baby Won’t Ya" e "Gotta Keep Movin’". O resultado é que o álbum marcaria o fim da banda, devido principalmente ao seu fracasso comercial e ao envolvimento dos músicos com drogas pesadas, como heroina, que acabaria por dissolver a banda no início de 1972.
O MC5 nunca tocou junto outra vez. Rob Tyner morreu em 1991 de ataque cardíaco após gravar seu primeiro álbum solo. Fred "Sonic" Smith morreu em 1995 de câncer; era casado na época com a roqueira Patti Smith, para quem co-escreveu e produziu o Lp "Dream of Life" de 88. Wayne Kramer, que chegou a passar um tempo preso na década de 70 por tráfico de cocaína, conseguiu se recuperar e gravou nos anos 90 três álbuns solos pela gravadora americana Epitaph, especializada em punk rock. Kramer é o único membro original do MC5 que continua na ativa, uma vez que Thompson e Davis depois de alguns obscuros projetos musicais nas décadas de 70 e 80, abandonaram definitivamente a música. Thompson chegou a ter uma interessante banda com o guitarrista dos Stooges, Ron Asheton, chamada New Race, que teve seu único registro, a gravação de alguns shows de uma tour pela Austrália, lançado em cd.

Contudo, graças às novas tecnologias, aos cds e até mesmo à Internet, o quinteto de Motor City está longe de ser esquecido e hoje sua lenda está mais viva do que nunca.
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