Lírio de Vidro

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Por Marcos A. M. Cruz
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Inúmeras foram as vezes em que comentei e até mesmo escrevi sobre a pouca quantidade de registros sonoros das bandas de Rock brazucas dos anos setenta, principalmente as mais "pesadas", algo lastimável mas aceito inclusive pelos remanescentes daquela época, que alegam uma infinidade de causas, a mais comum de todas o fato de ninguém achar que aqueles tempos fossem acabar, e no fim das contas considerar o que faziam como algo "não tão importante"! Por isso recebi com carinho a notícia que a Medusa Records (loja da Galeria do Rock em SP) estaria lançando um CD trazendo material do LÍRIO DE VIDRO, lendária banda paulistana que até então eu só conhecia de nome, inclusive pelo relato de um conhecido que presenciou uma apresentação dos caras no final da década de setenta - relato meio vago, é verdade, não se esqueçam que sobriedade nos shows era algo incomum naqueles tempos...

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Tudo começou no final de 1977 com dois amigos, o vocalista/ guitarrista Kim Kehl e o baterista Ricardo "Índio" Cardoso, que decidiram montar uma banda influenciada pelo Blues e pelo Rock Progressivo, chamando dois amigos, Raul "Zica" Müler e Luiz "Frajola" Marcelo para ocupar respectivamente a segunda guitarra e o baixo.

Logo após algum tempo de ensaio a banda, já batizada LÍRIO DE VIDRO e com um repertório próprio, cai na estrada, tendo no ano seguinte tocado ao lado do PATRULHA DO ESPAÇO, na época ainda com Arnaldo Baptista, além de fazer diversas outras apresentações em Teatros paulistanos e vários concertos ao ar livre.


Seus shows lhe renderiam uma excelente reputação, a ponto de terem sido convidados para excursionar com o "Festival Rock & Jeans", evento produzido por Oswaldo Vecchione (MADE IN BRAZIL) e Luiz Carlini (TUTTI FRUTTI), que viajaria por várias cidades do país.

Após passar por uma mudança em sua formação, com Paulinho "Pirata" passando a ocupar a segunda guitarra e Neto cuidando do baixo, a banda encerra atividades no final de 1979.


Kim e Índio passam então a integrar o MADE IN BRAZIL, com o qual gravam o disco "Minha Vida É Rock'n'Roll", editado em 1981. No ano seguinte, o PATRULHA DO ESPAÇO lança seu segundo LP, que trazia "Mar Metálico", composição original do repertório do LÍRIO.


Kim continuaria por algum tempo no Made, e ainda em 1982 forma o MIXTO QUENTE, que chega a lançar um LP pela gravadora Baratos Afins. Daí em diante, segue participando de diversos projetos independentes, tais como LIGAÇÃO DIRETA, MARIA ANGÉLICA NÃO MORA MAIS AQUI, OS ALQUIMISTAS e muitos outros. E alguns anos mais tarde acaba se juntando ao NASI & OS IRMÃOS DO BLUES, com o qual grava quatro CDs - o vocalista do IRA é um velho conhecido da época do Lírio, pois sempre marcava presença nos ensaios. Por sinal, a música "Vampiro" foi gravada pelo grupo no disco "O Rei da Cocada Preta".


Paralelamente aos seus outros trabalhos, Kim mantém há anos a banda OS KURANDEIROS, que lançou em 2003 seu primeiro disco, KIM KEHL & OS KURANDEIROS, mantendo sua ligação ao velho e bom Rock'n'Roll.

Passados vinte e seis anos, Ray, proprietário da Medusa Records, decide lançar um CD trazendo gravações realizadas entre 1978 e 1979 na garagem da avó de Kim, Dona Margarida (mesmo lugar onde o PATRULHA ensaiava), registrados de forma amadora em um velho gravador de rolo Phillips.

Trazendo em quase oitenta minutos treze faixas registradas pela primeira formação e cinco pela segunda, além de "Blues", com ninguém menos que ANDRÉ CHRISTOVAM na guitarra (outro que também ensaiava na mesma garagem!)


Embora a qualidade sonora deixe um pouco a desejar (somente cinco dos dezenove registros são em estéreo, os demais foram gravados originalmente em mono), fica patente que o LÍRIO foi um dos legítimos representantes do Rock'n'roll brazuca, digno de figurar ao lado do MADE IN BRAZIL, TUTTI FRUTTI e principalmente do PATRULHA DO ESPAÇO, banda com o qual mantém um certo "vínculo sonoro", haja visto haver uma certa semelhança entre ambos, principalmente nos trabalhos que o Patrulha realizou no início dos anos oitenta.

Além das versões originais de "Mar Metálico" e "Vampiro", o CD conta com excelentes canções de rock'n'roll a lá ROLLING STONES ("Osso Duro", "Até o Fim"), instrumentais com pitadas de Blues e mesmo um pouco de Fusion ("Povo", "Tira a Mão"), baladas roqueiras ("Lírio de Vidro", "Vem Comigo"), e até verdadeiros "petardos" que poderiam estar no lendário AEROBLUS ("Rock'n'Roll Lili", "Cigana"), por sinal, mais um elo de ligação com o Patrulha (pois no comando das baquetas do power-trio latino americano estava o baterista do Patrulha, Júnior).


Parafraseando o autor do texto do encarte do CD, Raito Raine:

"Este é o único registro sonoro existente da banda, e um sonho de Kim que se realiza. Tudo em nome do velho Rock'N'Roll"!

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