Por Raul Branco
Após o lançamento do antológico álbum “Liege And Leaf”, Ashley “Tyger” Hutchings, baixista do Fairport Convention, ficou desapontado com os caminhos que seus companheiros decidiram trilhar e saiu para montar seu próprio grupo, onde pudesse continuar a misturar a música folk britânica com o rock.
Para isso começou por chamar uma dupla da cidadezinha de St. Albans (Inglaterra), Tim Hart e Maddy Prior. Logo após veio o casal galês Terry e Gay Woods. O grupo começou a preparar o material para seu primeiro disco, com Gay e Maddy revezando-se nos vocais, apoiadas por Tim e Terry. O nome da banda, Steeleye Span (personagem central de uma velha balada de Lincolnshire, “Horkstow Grange”), foi sugerido pelo respeitado guitarrista/violonista do circuito folk, Martin Carthy, e o álbum foi intitulado “Hark! The Village Wait”.
Esta formação, contudo, não chegou a se apresentar ao vivo, com a saída dos Woods; em seu lugar entraram o já citado Martin e um violinista/bandolinista até então desconhecido, Peter Knight. Este quinteto gravou o que seria um marco no folk-rock, “Please to See the King” e “Ten Man Mop or Mr. Reservoir Butler Rides Again”, além de participarem da peça “Corunna”. Uma mudança para um teatro maior e uma possível turnê pelos EUA gerou nova desavença, desta vez com a saída de seu fundador, Tyger Hutchings. Na disputa entre Tim, que preferia um novo baixista, e Martin, que gostaria de um multiinstrumentista, o Steeleye Span ficou com Tim Hart e perdeu Martin Carthy. Carthy foi para a banda que Hutchings havia montado, a Albion Country Band, onde permaneceu por um curto período. A imprensa especializada foi unânime em apontar o fim da banda, com a deserção de suas principais peças. Com a vinda de Bob Johnson (guitarra) e Rick Kemp (baixo), o Steeleye Span entraria, entretanto, em sua melhor fase, que culminaria com a presença do baterista e flautista Nigel Pegrum. Agora, mais do que uma reunião de bons músicos, eles eram um conjunto e tocavam como tal.
Este sexteto alcançaria a parada de sucessos da Grã-Bretanha e EUA e uma seqüência de discos excelentes e memoráveis os tornariam conhecidos e admirados até na Austrália.
Após vários anos de trabalho em conjunto, o sexteto novamente sofreu mudanças, desta vez com a saída dos amigos Bob e Peter. Por incrível que pareça, o guitarrista Martin Carthy reassumiu seu posto e seu sonho parcialmente concretizou-se, com o acordeonista John Kirkpatrick mudando bastante o som do Steeleye Span. Após o LP “Storm Force Ten” finalmente o grupo lançou o disco que seus fãs pelo mundo afora vinham pedindo, “Live at Last!”, gravado ao vivo com diversas músicas inéditas.
O grupo se desfez, mas não por muito tempo. Sua formação clássica se reencontrou para o disco “Sails of Silver”, a convite da gravadora Chrysalis Records. Tim Hart, em 1982, saiu em definitivo da banda, para ir criar bodes nas Ilhas Canárias, e o quinteto remanescente gravou “Back in Line”.
Com diversas alterações ao longo dos últimos anos, a banda continua tocando e gravando. Um grande choque para os fãs foram a saída de Maddy Prior, em 1998, e Bob Johnson (2000), dois de seus mais antigos componentes. Atualmente a banda excursiona promovendo seu disco “Bedlam Born”, com Gay Woods (vocais), Peter Knight (violino e vocais), Tim Harries (guitarra) e a participação de Dave Mattacks na bateria.
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