Winter Nights 2014: O festival mais frio do Brasil
Resenha - 2º Winter Nights (Campos Novos, SC, 19/07/2014)
Por Thomas Michel
Postado em 01 de agosto de 2014
Antes mesmo da segunda edição do 2º Winter Nights, em Campos Novos (SC), notícias já davam conta da primeira grande onda de frio de 2014. E assim foi. Quem acordou cedo no sábado ou no domingo viu a fina camada de gelo que embranqueceu a paisagem do festival e manteve as temperaturas abaixo dos 10ºC durante a maior parte do tempo.
O gelo foi só mais uma das atrações que incluíam um camping bem estruturado e muitas bandas de qualidade.
A primeira a subir ao palco foi a SPIRITUS DIABOLI. Desconhecida de grande parte do público, a banda impressionou assim que a vocalista Larissa Meurer soltou seu primeiro urro. Baixinha e bem magra, escondida atrás de um corpse paint, a vocalista enchia o galpão onde aconteciam os shows com um gutural poderoso. Ao lado de Deisi Wolff (SOUL TORMENT) foi uma das vocalistas com mais destaque durante o festival.
Além da música, o Winter Nights apresentou uma das melhores estruturas de camping dos festivais catarinenses. Localizado no Parque Municipal Ernesto Zortéa, o local é repleto de árvores, churrasqueiras, um lago e restaurante (os xis e pasteis foram bem elogiados). A organização foi pioneira em levar chopp e hidromel para serem comercializados. Nada que fosse muito caro.
Em cima do palco a sonorização era honesta e não deixou nenhuma banda na mão. O festival foi dominado por thrash e death, com destaque para os headliners. CLAUSTROFOBIA, tocou no sábado de noite e trouxe a pancadaria que sempre apresenta em Santa Catarina. Músicas rápidas, perfeitos para moshs, que não cessaram durante o show.
Com menos moshs e mais bangers, o ORQUÍDEA NEGRA lotou o galpão e apresentou as músicas de seu novo álbum "Blood of the gods". Show que agradou pelo peso e qualidade técnica. Não se esperava menos de uma banda que figura como uma das melhores de Santa Catarina há quase três décadas.
Dentre os catarinenses as bandas que mais se destacaram foram a RHESTUS (já tradicional no cenário de festivais), a DEAD ATTACK, FRADE NEGRO e ELETROMOTRIZ. Também merece menção o rock clássico da THE POWER TRIO, que tocou com uma formação improvisada, já que o baixista/vocalista não pode estar presente. O destaque ficou por conta do guitarrista, que parecia um neto perdido de JIMI HENDRIX, com excelente presença de palco e um baita repertório.
O fechamento do festival foi com chave de ouro. Nem metade dos cerca de 300 pagantes (número estimado pela organização) estavam presentes quando a NERVOSA subiu ao palco. O trio feminino fez jus ao nome e não teve cansaço que impedisse um show inteiro de moshs. As garotas mostraram muita energia durante todo o show. Destaque para a presença de palco da baixista/vocalista Fernanda Lira e da nova baterista Pitchu Ferraz. Som redondo, presado e agressivo, superando qualquer expectativa. Foi a última mostra que a combinação de frio e metal funciona muito bem.
O 2º Winter Nights ainda é um festival incipiente dentro da cena catarinense — é a primeira vez que ocorre em âmbito estadual. A organização fez boas escolhas de bandas e Campos Novos fica bem localizada, acessível para quase todos os catarinenses. Dos pontos negativos, faltou manutenção nos banheiros e sinalização para chegar no parque Ernesto Zortéa.
São poucas coisas, levando em conta toda a função que é necessária para um festival. O desafio para a próxima edição é achar um cast tão bom com headliners do nível de 2014. Quem foi, deve repetir a dose em 2015.
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