O rock está ficando órfão

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+Compartilhar no WhatsApp

Por Ricardo Seelig, Fonte: Collectors Room
Enviar correções  |  Comentários  | 

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Está ocorrendo uma mudança no mundo do rock. A geração que construiu e levou o gênero a patamares de popularidade sem precedentes durante as décadas de 1960 e 1970 está partindo. Nossos ídolos estão morrendo, e deixando o bastão na mão de uma (nem tão) nova geração de ícones.

749 acessosMotorhead: Novas estátuas de Lemmy e Warpig pela KnuckleBonz5000 acessosLoudwire: as 10 melhores músicas solo de Ozzy Osbourne

Neste final de 2015 e início de 2016, fomos sacudidos pelas mortes de Lemmy Kilmister e David Bowie. Apenas nesta década de 2010, faleceram nomes como B.B. King, Joe Cocker, Ian McLagan, Jack Bruce, Lou Reed, J.J. Cale, Ray Manzarek, Jeff Hanneman, Alvin Lee, Jon Lord, Levon Helm, Ronnie Montrose, Davy Jones, Etta James, Amy Winehouse, Scott Weiland, Gary Moore, Ronnie James Dio, Alex Chilton, entre muitos outros. E esse processo se intensificará nos próximos anos, com mais e mais ídolos partindo.

É claro que, quando ocorre a morte de um músico respeitado, conhecido e que é idolatrada por uma multidão de fãs, a comoção é enorme, o choque é repentino, e o sentimento de perda, em alguns casos, chega a ser até mesmo semelhante à partida de um parente ou amigo próximo. Assim como também é claro que, ao deixarem este mundo, artistas como Bowie, Lemmy, Dio e Lord saem de cena com legados gigantescos e sólidos o bastante para manter seus nomes não apenas na memória dos fãs, mas também com força suficiente para conquistar novos admiradores. Suas obras não deixam de existir, eles apenas param de produzir.

Nos próximos cinco, dez anos, mais e mais nomes passarão pela mesma situação. Todo o povo que fez história nos anos 1960 e 1970 está hoje na casa dos 70 e poucos anos. Gente como Paul McCartney, Mick Jagger, Keith Richards, Jimmy Page, Robert Plant, Ozzy Osbourne, Tony Iommi, John Fogerty, Eric Clapton, David Gilmour, Roger Waters, Neil Young, Bruce Springsteen e outros atualmente são senhores de idade, longe da energia da juventude mas com a classe e experiência que só tem quem passou décadas na estrada, tocando para multidões. No entanto, todas essas trajetórias chegarão, cada uma em seu dia, ao inevitável film. Chegará a hora em que McCartney morrerá. Page também. Jagger, idem. Não há como fugir do inevitável: o rock ficará órfão.

O que isso quer dizer? O que isso acarretará ao estilo? Muito provavelmente, nada demais. Basta olhar para trás, aprender com as experiências do passado, para perceber que o mundo segue e que a roda continua girando. Novas lendas surgirão, novos ídolos nascerão.

O rock and roll é um produto criado por inúmeras cabeças, e muitas dessas já deixaram este plano há tempos. Nomes que hoje são ícones, como Buddy Holly, Eddie Cochran, Brian Jones, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison, Duane Allman, Marc Bolan, Paul Kossoff, Tommy Bolin, Elvis Presley, Ronnie Van Zant, Keith Moon, Bon Scott, John Bonham, John Lennon, Randy Rhoads, Muddy Waters, Phil Lynott, Cliff Burton, Steve Ray Vaughan, Freddie Mercury, Frank Zappa, Kurt Cobain, Rory Gallagher, Joey Ramone, George Harrison, Joe Strummer, Johnny Cash, Dimebag Darrell e mais um monte de gente, deixaram inúmeras canções e motivos para seguirem vivos nos corações e ouvidos mundo afora. E a música não acabou sem a presença deles.

O rock é auto-renovável. O artista compõe uma canção, grava um disco, que é ouvido por um adolescente, que encontra o sentido da vida naqueles acordes, e resolve ele mesmo começar a tocar. É um ciclo infinito. Quanto Buddy Holly faleceu em 3 de fevereiro de 1959, Ronnie Van Zant tinha apenas 11 anos. E nos próximos 18 anos faria ele mesmo a sua história liderando o Lynyrd Skynyrd, até perder a vida em um acidente de avião em 20 de outubro de 1977. Nessa data, Kurt Cobain ainda não tinha 10 anos, e passaria os próximos dezessete à frente do Nirvana também construindo a sua trajetória dentro do rock, interrompida em 5 de abril de 1994. Exemplos como esses existem aos montes, e seguem ocorrendo agora mesmo.

A inevitável mudança de comando dentro do rock está em andamento, com gerações mais recentes de bandas conquistando também o seu próprio espaço dentro da história do gênero. O U2 é um destes nomes. O R.E.M., o Pearl Jam, o Red Hot Chili Peppers, o Green Day, o Foo Fighters, o Muse, o Arctic Monkeys, o Wilco, também. Dentro do heavy metal, o inevitável fim do Black Sabbath divide espaço com a enorme popularidade de bandas como Iron Maiden, Metallica, Slipknot e, mais recentemente, Bring Me The Horizon, Mastodon, Machine Head, Trivium, Between the Buried and Me, Lamb of God e outros. No prog, Steven Wilson e o Opeth vem galgando a passos largos os degraus hierárquicos do gênero. E isso acontece de forma infinita.

O rock está ficando órfão de seus ícones históricos. Isso é inevitável e indiscutível. Como também é fato de que novas forças continuam surgindo e se consolidando, em um processo que nunca terá fim.

Foi doloroso perder David Bowie. A partida de Lemmy, mesmo sendo algo esperado, também deixou um vácuo. Vamos seguir ouvindo seus discos, curtindo suas músicas e descobrindo suas histórias. Assim como continuaremos encontrando boas bandas e ótimas canções pelo caminho, produzidas por artistas que estão fazendo suas próprias histórias agora, neste momento.

A vida segue. A música, no entanto, jamais pode parar.

5000 acessosQuer ficar atualizado? Siga no Facebook, Twitter, G+, Newsletter, etc

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+Compartilhar no WhatsApp

Phil AnselmoPhil Anselmo
Lemmy sentia dor mas não queria deixar o palco

749 acessosMotorhead: Novas estátuas de Lemmy e Warpig pela KnuckleBonz826 acessosMulheres: por que os feios, porcos e maus do rock as atraem?186 acessosBlend Guitar: em vídeo, Top 10 Heavy Metal Bands1082 acessosStar Wars: cosplay funde Lemmy Kilmister a Stormtrooper1258 acessosMotorhead: album solo de Lemmy a ser lançado ainda este ano0 acessosTodas as matérias e notícias sobre "Motorhead"

Heavy MetalHeavy Metal
Dez álbuns que fizeram de 1980 o ano do gênero

Heavy MetalHeavy Metal
Os 11 melhores álbuns da década de 70

MotorheadMotorhead
Lemmy: "Poucas garotas querem um cara de 61 anos!"

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

Mais comentários na Fanpage do site, no link abaixo:

Post de 13 de fevereiro de 2016

0 acessosTodas as matérias da seção Opiniões0 acessosTodas as matérias sobre "David Bowie"0 acessosTodas as matérias sobre "Motorhead"

LoudwireLoudwire
As 10 melhores músicas solo de Ozzy Osbourne

Gene SimmonsGene Simmons
Com quantas mulheres ele dormiu?

Power MetalPower Metal
Os dez álbuns essenciais do gênero

5000 acessosRoadie: como ele se vê e como é visto pelos outros5000 acessosMetallica: incrível cover de "Unforgiven" por drives de disquete5000 acessosGene Simmons: com quantas mulheres ele dormiu?5000 acessosLed Zeppelin: Page ignorou pedidos de Clinton e Obama por reunião5000 acessosStephen King: blog elege Top 5 das canções inspiradas em sua obra5000 acessosDream Theater: garota de 10 anos em um destruidor cover na guitarra

Sobre Ricardo Seelig

Ricardo Seelig é editor da Collectors Room - www.collectorsroom.com.br - e colabora com o Whiplash.Net desde 2004.

Mais matérias de Ricardo Seelig no Whiplash.Net.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em fevereiro: 1.218.643 visitantes, 2.740.135 visitas, 6.216.850 pageviews.

Usuários online