Europe: "É importante superar seus limites"

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Por César Enéas Guerreiro, Fonte: Blabbermouth
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Matéria de 10/12/06. Quer matérias recentes sobre Rock e Heavy Metal?

O site da Sanctuary Records recentemente entrevistou Joey Tempest (vocais) e John Norum (guitarra), do EUROPE, sobre o novo álbum do grupo, “Secret Society”. Alguns trechos desse papo:

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Vamos voltar no tempo. Quando vocês lançaram “The Final Countdown”, ninguém imaginava que iria fazer tanto sucesso. Quais as suas lembranças daquela época?

Joey: Bem, eu me lembro de gravar o “The Final Countdown”. Foi simplesmente um sucesso enorme. Mas, como você sabe, eu me fechei um pouco. Eu lembro de me afastar e de não falar com muita gente. Eu estava apenas pensando sobre o próximo álbum. Mas você se fecha. E as pessoas pensam que você é muito arrogante apenas porque se afasta um pouco delas. Mas você é tímido e há tantas pessoas querendo tirar um pedaço de você. Todos querem te tirar um pedaço. Então você diz: “Eu não vou fazer isso”. E então você começa a parecer que é arrogante. É estranho, de certa forma. Mas temos que lidar com isso.

O problema foi que “Final Countdown” foi nosso terceiro álbum. Então já tínhamos um certo gosto do sucesso de nossos dois primeiros álbuns, especialmente da Escandinávia e no Japão. Portanto já estávamos um pouco preparados. Porém aconteceu mais do que esperávamos. Não estávamos preparados para um sucesso tão grande, mas conseguimos superar tudo aquilo.

A separação entre John e o resto da banda, quando a analisamos hoje em dia, percebemos que foi boa porque, se tivéssemos continuado, poderíamos ter acabado com tudo. E agora estamos aqui, lembrando dessas coisas, e isso é ótimo. Estamos nos divertindo, porque ainda somos criativos. Como outras bandas de nossa época, que não arriscam tanto como nós. O que quero dizer é que, veja “Secret Society”. Que outra banda arriscaria tanto assim?! Acho que é importante as bandas de rock fazerem isso, superarem seus limites e verem se os fãs querem isso, entende? (risos)

Acho que vocês precisaram ter algumas discussões sérias para decidir se iriam continuar juntos...

Joey: Sim, tivemos algumas reuniões sérias porque queríamos fazer as coisas direito. Queríamos compor músicas mais modernas, sons mais modernos e não ficar tão presos nos anos 80. Criar músicas novas e soar mais moderno, esse era o nosso plano.

Vocês sentiram algum tipo de pressão quando trabalhavam no álbum que marcou a sua volta, “Start From The Dark”?

John: Nunca pensei nisso. Quero dizer, eu não penso dessa forma. Penso apenas que há uma química especial quando estamos juntos e sei que podemos fazer um grande álbum e tocá-lo por aí. Eu não estava pensando em quantas pessoas iriam aparecer em nossos shows ou coisas assim. Eu apenas tento me divertir e tocar guitarra da melhor forma possível. E sei que há algo especial que envolve nosso processo de composição, o pessoal da banda, todas essas coisas. Portanto, nunca pensei sobre isso dessa forma.

Joey: Não. Sabemos apenas que temos sorte e estamos felizes por estarmos juntos novamente. Somos amigos desde a adolescência, quando queríamos apenas fazer algum barulho. Não ficávamos estressados com o que as pessoas iriam esperar e com o que a gravadora iria dizer. Não dávamos a mínima para essas coisas. Portanto, “Start From The Dark” é bem especial. Trata-se apenas da perspectiva da banda, não de outras pessoas. Era daquela forma que queríamos fazer o nosso som. É um álbum bem “cru”. Mas acho que em “Secret Society” fomos ainda mais longe. Ainda é cru e pesado, porém mais dinâmico, talvez nas letras. Também há alguns licks de blues de John, além de ser um pouco mais diversificado, é um álbum mais diversificado, eu acho. E também recupera as nossas primeiras influências. Em “Secret Society” poderia haver um riff tipo LED ZEPPELIN ou coisa parecida. Ela soa moderna mas... ou “Devil Sings The Blues”, é um rock bem clássico. Temos também músicas modernas , como “Always The Pretenders” e “Wish I Could Believe”, que soa como uma música de qualquer banda atual. Portanto, é um álbum mais diversificado.

Antes de começarem a trabalhar no novo CD, vocês estiveram na Europa e lançaram um DVD ao vivo de seu show em Londres. Como foi aquela turnê?

Joey: Bem, aquela turnê foi especial porque tentamos fazer com que as músicas antigas combinassem com as novas. Tivemos que fazer alguns pequenos truques, como fazer algumas músicas antigas ficarem mais lentas, talvez com um pouco de distorção nas guitarras, porque as faixas de “Start From The Dark” tinham bastante distorção e eram pesadas. Mas isso acabou funcionando muito bem e acho que aquele show em Londres também foi muito bom para nós. Estávamos muito contentes por tudo ter funcionado e os fãs ficaram entusiasmados com a maneira como as novas músicas combinaram com as antigas. Bem, eu moro em Londres. Então foi um show muito especial, você sabe, foi no Hammersmith! Quando eu era adolescente, eu fiz uma viagem de barco da Suécia para ver o THIN LIZZY lá. Esse é simplesmente um local mágico para se tocar. Então queríamos gravar esse show ou fazer o DVD lá. E esperamos fazer um DVD na próxima turnê também.

Podemos dizer que tocar ao vivo foi e ainda é uma grande parte de seu trabalho?

Joey: Começamos com um sonho de ter uma banda para tocar ao vivo, uma banda de rock, uma banda de trabalho, uma banda de turnês. Costumávamos escutar... nossos álbuns favoritos eram, na verdade, álbuns ao vivo: “Made in Europe” e “Made in Japan”, do DEEP PURPLE, “Live and Dangerous”, do THIN LIZZY ou “Strangers In The Night”, do UFO. Não sei porquê, mas gostávamos dos álbuns ao vivo quando éramos jovens, não dos álbuns de estúdio. Portanto, nosso primeiro sonho era tocar ao vivo. Acho que agora estamos de volta àquela situação.

Queremos ser uma banda de trabalho, uma banda que toca ao vivo. Porque é assim que nos estabelecemos no mundo. Se você passa por um período quando você começa a tentar coisas novas, você perde um pouco da essência da banda e tenta algo diferente. Então estamos tentando ser uma banda de trabalho. Acho que somos uma banda que faz turnês e que, provavelmente, as pessoas gostam de ver tocar ao vivo. Nos discos tentamos mostrar às pessoas que nossa música é moderna. Queremos ser contemporâneos, queremos estar na ativa. Esperamos encontrar o nosso espaço, mas não é fácil conseguir toda a atenção da mídia quando você some por tanto tempo. Portanto temos que trabalhar duro nisso.

Como você começou a escrever músicas novas? Você tem alguma rotina para isso?

John: Eu normalmente apareço com alguns riffs, junto todos e mostro-os pro Joey. E (ele diz:) “Bem, não estou tão empolgado com esse aqui, mas o outro é ótimo”. Na verdade, eu não faço os arranjos. É o Joey quem faz. Então ele faz os arranjos, pois é um excelente arranjador. Depois ele manda o material de volta para que eu coloque os vocais. Eu ouço o que ele fez e fico fascinado, porque ele é realmente bom nas melodias e nos arranjos das músicas. E o estilo dele é bem atual, moderno, você sabe, antenado com o que está acontecendo por aí e é muito legal.

Em termos gerais, o som do novo álbum é bem compacto, mas sem muita produção. Foi essa a sua intenção?

Joey: Não queremos colocar muita frescura ou enfeitar demais. (risos) Nós basicamente tocamos ao vivo nos ensaios e depois não acrescentamos muita coisa nas gravações. Há alguns teclados, mas, no final, este álbum acabou novamente ficando um álbum de guitarras. (risos) É como o “Start From The Dark”, que é um álbum bem voltado pras guitarras. Mic [Michaeli] toca mais partes de teclado, que fazem parte do conjunto.

Joey, deve ser um pouco diferente para você, como vocalista, quando a banda toca ao vivo. Como você se prepara para um show?

Joey: Quero que a banda passe alguma mensagem. Eu tentei estudar algumas das pessoas que têm uma boa performance ao vivo, como o Bruce Springsteen, Bono [Vox, U2] ou Michael Stipe [R.E.M.] para ver como eles se comunicam com a platéia, porque alguém tem que se comunicar com a platéia. Eles não querem chegar lá e achar que não gostamos deles. Então acho que é importante quebrar o gelo e depois tocar as músicas e as melodias pesadas. Eu sempre tentei encontrar novas maneiras de falar no intervalo das músicas. Isso também é importante.

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Sobre César Enéas Guerreiro

Nascido em 1970, formado em Letras pela USP e tradutor. Começou a gostar de metal em 1983, quando o KISS veio pela primeira vez ao Brasil. Depois vieram Iron, Scorpions, Twisted Sister... Sua paixão é a música extrema, principalmente a do Slayer e do inesquecível Death. Se encheu de orgulho quando ouviu o filho cantarolar "Smoke on the water, fire in the sky...".

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