Kerry King: "Ainda ouço Venom o tempo todo"

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Por César Enéas Guerreiro, Fonte: The Columbus Dispatch, Tradução
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Matéria de 18/02/07. Quer matérias recentes sobre Rock e Heavy Metal?

Aaron Beck, do jornal The Columbus Dispatch, entrevistou recentemente o guitarrista do SLAYER, Kerry King. Alguns trechos dessa entrevista:

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The Columbus Dispatch: Como foi a gravação do primeiro álbum em cinco anos, “Christ Illusion”?

Kerry King: “Nós tocamos juntos durante alguns anos antes de gravarmos – o que acabou fazendo muita diferença porque, se alguma coisa não fosse dar certo, acabaria aparecendo. O fato de termos Dave [Lombardo, baterista] de volta faz muita diferença. Nos esportes, isso seria chamado de algo ‘intangível’”.

The Columbus Dispatch: Rick Rubin, que colocou o SLAYER na mídia “mainstream” nos anos 80, consta como produtor executivo de “Christ Illusion”. O que exatamente ele fez?

Kerry King: “Ele trabalhou na mixagem. Eu não sei se ele faz isso porque ele acha que o som melhora ou porque isso o faz sentir que ele faz parte de tudo. Mas ele acrescenta algumas coisas aqui e ali, desde coisas pequenas como ‘Eu odeio este som de caixa aqui; vou mudar’ até ‘Eu quero aumentar o som das guitarras na música toda’. Eu não tenho paciência pra essa (palavrão). Pra mim o que interessa é ‘Faz, mas sem frescuras’”.

The Columbus Dispatch: Você escreve as partes de guitarra?

Kerry King: “Eu escrevo porque, se formos tocar ao vivo, eu não preciso aprender novamente. E não quero ouvir um guitarrista mudando a (palavrão) quando vejo ele ao vivo. Eu quero que ele toque do mesmo jeito”.

The Columbus Dispatch: Quais são as principais idéias erradas sobre o SLAYER?

Kerry King: “Apenas as velhas idéias – de que somos fascistas e nazistas. Eu não tenho tempo pra política. Essas novas músicas não são nem um pouco politizadas. ‘Jihad’, ‘Eyes of the Insane’ — isso é o que a TV mostra o tempo todo”.

The Columbus Dispatch: É verdade que você pediu dinheiro emprestado para o seu pai para gravar o primeiro álbum?

Kerry King: “É sim. Meu pai vinha me ver porque ele estava orgulhoso. Eu não acho que ele podia entender o que estava sendo dito e, com o passar dos anos, eu não sei se ele prestava atenção. Ele era o tipo de cara que não falava palavrão na frente da minha mãe. Imagina só, com todas as músicas lançadas mais tarde, eu dizia ‘Bem, não, você não pode ouvir essa e essa e essa’”.

The Columbus Dispatch: Como o Heavy Metal te inspirou quando você era adolescente?

Kerry King: “Bem, levou um certo tempo até que eu começar a ouvir coisa boa. Música pesada para mim, no começo, era VAN HALEN, DEEP PURPLE. Mas o que me transformou foi ouvir o (JUDAS) PRIEST no rádio. Porém, para mim, o que interessava mesmo era o VENOM. Eu ainda ouço ‘Welcome to Hell’ e ‘Black Metal’ o tempo todo.

The Columbus Dispatch: Qual foi o primeiro guitarrista que te inspirou?

Kerry King: “Eddie Van Halen. Você não pode falar de guitarra e não mencionar esse cara”.

The Columbus Dispatch: Qual foi a maior platéia que o SLAYER já teve e qual tamanho de platéia você prefere?

Kerry King: “A maior platéia? Provavelmente algum festival europeu – umas 60.000 pessoas. Clubes são divertidos mas, na turnê ‘Unholy Alliance’, acho que o máximo foi 9.000. Nove mil é um bom show ‘grande’; 1.500 é um show intenso. Eu gosto dos dois, mas eu odiaria fazer isso pro resto da vida. Se eu tivesse que escolher, eu escolheria os estádios pelo dinheiro e os clubes com 1.500 pessoas pela vibração”.

The Columbus Dispatch: Qual o fã do SLAYER mais entusiasmado que você já encontrou?

Kerry King: “Um cara escreveu ‘SLAYER’ nas costas com uma garrafa de cerveja. Nós o mostramos na capa de um de nossos EPs algum tempo atrás. Ficou muito legal. Um outro cara na Espanha me pediu pra fazer isso também. Ele tinha um bisturi e queria que eu escrevesse ‘SLAYER’ no seu ombro. Mas eu disse ‘Eu assino qualquer coisa que você quiser, mas não vou te cortar’”.

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Sobre César Enéas Guerreiro

Nascido em 1970, formado em Letras pela USP e tradutor. Começou a gostar de metal em 1983, quando o KISS veio pela primeira vez ao Brasil. Depois vieram Iron, Scorpions, Twisted Sister... Sua paixão é a música extrema, principalmente a do Slayer e do inesquecível Death. Se encheu de orgulho quando ouviu o filho cantarolar "Smoke on the water, fire in the sky...".

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