Napalm Death: "Se eu faço algo, meu empenho é 100%!"

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Por César Enéas Guerreiro, Fonte: MetalSucks, Tradução
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O site MetalSucks entrevistou recentemente o frontman do NAPALM DEATH, Mark "Barney" Greenway, quando a banda tocou em Nova Iorque em 11 de abril. A seguir, alguns trechos da entrevista.

MetalSucks: Nenhum de vocês é membro original, dos tempos do álbum "Scum". Eu sempre imaginei se essa seria uma das razões pelas quais o NAPALM continua a ser tão bom. Para mim, parece que os quatro caras que estão atualmente na banda são quatro caras que realmente querem estar no NAPALM DEATH — não é somente um grupo que quer tocar pra ganhar uns trocados.

Barney: Sim, claro que sim. Pessoalmente falando, eu não faria uma coisa dessas. Para quê? Por que ficar tanto tempo fazendo isso se é somente para ganhar dinheiro? Isso não é algo que me motiva. Se eu faço algo, meu empenho é 100%. Não faço nada pela metade e também não faço nada por algum motivo específico. Tem que ser algo pelo qual eu tenha um desejo muito forte. É claro que precisamos de dinheiro para pagar o aluguel e colocar comida na mesa, como qualquer um que vai procurar um emprego. Não é que tratamos isso como se fosse um emprego, mas você entende o que quero dizer. Essa não é a justificativa para fazermos o que fazemos, de maneira alguma. Espero que as pessoas possam reconhecer isso quando ouvirem a banda.

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MetalSucks: Gostaria de fazer uma pergunta a você sobre o tema das letras de "Time Waits for No Slave". Eu assisti a um vídeo em sua página do MySpace em que você afirma que se trata de música contra a violência.

Barney: Isso é como um paradoxo do NAPALM. A música, em termos de sonoridade, é super violenta, obviamente. Na verdade, a idéia por trás dela é tão passiva e tranqüila quanto você possa imaginar. Falando por mim, novamente, acho que você pode me classificar como um pacifista. Eu não pratico a violência. Claro, se alguém me atacar eu vou me defender, se achar que estou em perigo. Mas eu nunca vou sair por aí para atacar alguém. No passado, as coisas eram diferentes. Eu costumava brigar que nem um louco. Não sinto mais necessidade disso agora e, num sentido mais amplo, penso que isso faz parte da evolução da raça humana. Todos nós devemos considerar outras maneiras de resolver problemas ou conseguir coisas sem usar esses meios agressivos Se as pessoas acham que violência é a única resposta, elas deveriam se perguntar "Nós realmente evoluímos ou progredimos apenas fisicamente?".

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MetalSucks: Já que estávamos dizendo que não há mais membros originais do NAPALM, você vê o NAPALM como algo que é, neste momento, maior do que qualquer pessoa? Você consegue imaginar o NAPALM continuando sem vocês?

Barney: Bem, quem é que tem uma bola de cristal para saber essas coisas? As circunstâncias mudam e a vida é imprevisível. Muita coisa pode acontecer. Acho que se a banda perde um membro, então deve continuar com outra pessoa. Claro, algumas pessoas vão desafiar a sua banda nesse momento. Você não pode se preocupar com essas coisas; se é a coisa certa a fazer, então simplesmente continue, sem dar a mínima para as pessoas que agirem de forma negativa. Se pelo menos dois membros continuarem, então acho que essa seria a última formação da banda. Não tenho certeza. Posso estar errado. Eu só não consigo imaginar isso [continuar após esta formação].

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MetalSucks: Mas você não pensa em querer parar num futuro próximo?

Barney: Não. Se as coisas chegarem num ponto em que os álbuns começam a se tornar genéricos ou as turnês ficam muito chatas, então eu diria "Foda-se". Eu aceitaria isso numa boa. Pra quê subir num palco toda noite, ou noite sim, noite não, se você odeia isso? Os fãs pagam para vir aqui. O mínimo que podemos fazer é dar a eles algo que os agrade.

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Sobre César Enéas Guerreiro

Nascido em 1970, formado em Letras pela USP e tradutor. Começou a gostar de metal em 1983, quando o KISS veio pela primeira vez ao Brasil. Depois vieram Iron, Scorpions, Twisted Sister... Sua paixão é a música extrema, principalmente a do Slayer e do inesquecível Death. Se encheu de orgulho quando ouviu o filho cantarolar "Smoke on the water, fire in the sky...".

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