Bach: "quero que olhem pra minha carreira como a de Ozzy"
Por Nacho Belgrande
Fonte: Site do LoKaos Rock Show
Postado em 30 de janeiro de 2012
O site Legendary Rock Interviews conduziu recentemente uma entrevista com o ex-vocalista do SKID ROW, Sebastian Bach. Alguns trechos traduzidos da entrevista podem ser lidos abaixo:
LRI: Eu não vou perguntar a você sobre a gravação de ‘Wasted Time’ ou ‘Big Guns’, mas eu quero esclarecer um conceito errado que ainda é surpreendentemente tido como fato depois de todos esses anos e é o fato das pessoas ainda dizerem que você saiu do Skid Row. Isso me emputece porque sou um grande fã do Skid Row e ouvi a história sobre como rolou o atrito com Rachel Bolan (baixista do Skid Row) por ele não querer fazer a turnê do KISS/Alive de 1996. Daí eles te deram as costas, claro e ainda tocaram na turnê de despedida (?) do Kiss, o que deve ter sido ainda mais frustrante.
Bach: E foi. Claro que foi, e a razão pela qual eles fizeram aquela turnê sem mim é porque nosso empresário Doc McGhee trabalha pro Kiss e Snake (guitarrista do Skid Row) trabalha para Doc e é a parada deles. Mas eu fui 100% despedido da banda. Eles me mandaram músicas novas e eu disse de cara que não curti e que queria que compuséssemos mais porque eu não ia cantar aquelas músicas. Eles ficaram putos e Doc me ligou e disse, ‘Bem, você tem que cantar porque você é o vocalista da banda, Sebastian, ’ pro que eu respondi, ‘Bem, se você gostou então você que as cante. Eu não entrei pra esse ramo para cantar músicas que eu não gosto só pra lançar algo.’ Eu disse praqueles caras, ‘Eu não sei de você, Srs. Guitarrista e Baixista de Banda de Rock, mas eu não entrei nessa banda de rock pra tocar músicas de merda.’
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LRI: O material que eles gravaram sem você tem sido legalzinho e alguns nem tanto…
Bach: É assim, é foda, cara. Eu não tô nessa pra fazer algo ‘legalzinho’ (risos). Eu sei o que você está dizendo, mas eu entrei nessa pra fazer coisas que me estimulem. Eu achei que devêssemos estar fazendo coisas do nível de ‘Youth Gone Wild’ ou ‘In a Darkened Room’, não coisas ‘legaizinhas’. ‘Monkey Business’ e ‘Youth Gone Wild’ não são legaizinhas, elas são ótimas canções, incríveis, e é por isso que as pessoas respondem a elas. Eu não queria lançar um disco com eles que fosse apenas legal. Eu não estou me gabando, mas eu amo meu novo álbum, ‘Kicking and Screaming’, eu o ouço o tempo todo porque eu adoro. Ele tem a mesma energia e o mesmo espírito que qualquer coisa que eu tenha cantado, e tenho muito orgulho dele.
LRI: Eu acho que o novo material e a nova banda que você tem é bem forte, e com mais um disco de estúdio, você já equipara sua produção com o Skid Row. Paul Stanley disse certa vez que, ‘Há uma razão pela qual sua ex-namorada é sua ex-namorada. Se não houvesse, você ainda estaria com ela.’ Eu sei que te perguntam o tempo todo sobre uma reunião do Skid Row e eu quero saber se você ouve das pessoas que elas estão felizes com o atual estado das coisas.
Bach: Bem, antes de qualquer coisa, obrigado por dizer isso sobre estar a apenas um disco de estúdio de distância, eu te agradeço muito e concordo com isso. ‘Angel Down’ estreou em #190 nas paradas da Billboard, o que foi muito decepcionante, mas daí ‘Kicking and Screaming’ estreou em #68, o que foi tipo, ‘OK eu posso lidar com isso, porque se eu continuar trabalhando e dar outro salto desses no próximo disco, eu estaria no Top 20, o que seria incrível.’ Só o que posso fazer é continuar trabalhando e manter a cabeça baixa e fazer música que eu amo e quem sabe um dia as pessoas conseguirão ver a mim e minha carreira solo da maneira que viram a de Ozzy como artista solo; esse é o padrão de ouro. Não é sempre fácil, mas nada que valha a pena de se ter o é.
LRI: Uma das maiores questões que levantam sobre você está nas reclamações tipo, ‘Sebastian sempre fala de como ele cresceu e está andando pra frente e quer deixar o Skid Row pra trás e tudo, mas daí ele continua a tocar aquelas músicas noite após noite e blah blah blah.’ Da última vez que eu vi, James Hetfield, Chris Cornell, Axl Rose e Paul Stanley todos tocavam músicas do catálogo deles toda noite. Ninguém enche o saco deles por lançar músicas novas e seguir em frente enquanto ainda tocam o catálogo antigo, mas por algum motivo as pessoas te colocam na reta por isso (risos).
Bach: Certo (risos). Cara, claro. Eu vou tocar aquelas músicas, mas se eu só fosse lá e tocasse ‘Youth Gone Wild’, ‘I Remember You’ e ’18 & Life’, seria um show bem curto, não? Eu acho que às vezes as pessoas que dizem coisas desse tipo estão se esquecendo que o Skid Row não foi o Beatles ou o Metallica ou o Guns N’ Roses. Tivemos três sucessos. Três. Se essas três músicas são as únicas que um fã conhece, ou quer, então não é o tipo de rock que eu quero produzir. Eu preciso atrair o fã que está procurando por um pouco mais de rock que isso (risos). Eu tenho muitas músicas em meu repertório e mais estão por vir. Eu quero ter uma carreira longa com centenas e centenas de músicas.
LRI: Você disse que você a princípio ficou decepcionado com a recepção a ‘Angel Down’, mas eu acho que você fez a coisa certa ao continuar excursionando e mantê-lo em evidência por tanto tempo. Eu não acho que tenha lido muitas resenhas negativas dele e até hoje acho que as pessoas curtem o álbum e o peso dele. Tanto que eu acho que ignoraram ‘By Your Side’, que deve ser a melhor balada já escrita que não chegou à primeira posição das paradas. Eu acho que é melhor do que ‘I Remember You’, e pau a pau com ‘In a Darkened Room’ no que tange às melhores músicas que você já gravou.
Bach: Wow, isso é muito bom. Eu amo aquela música. È difícil pra mim ouvi-la porque é uma música tão emocionante. Eu não consigo ouvi-la e não pensar no meu pai porque eu a escrevi pensando nele. Eu acho que muitas pessoas podem se identificar com aquela música se elas perderam alguém importante na vida delas e foi escrita do fundo do meu coração. Se aquela canção mexer com você e grudar em você, esse é o motivo.
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