Loja Megaforce: A Meca dos headbangers gaúchos
Por Maicon Leite
Fonte: Tá no Sangue!
Postado em 11 de fevereiro de 2015
Lançado oficialmente na 60º Feira do Livro de Porto Alegre no ano passado, o livro "Tá no Sangue! – A História do Rock Pesado Gaúcho – Parte 1" (400 pág.), como o próprio nome sugere, mergulha fundo na história do Rock Pesado Gaúcho dos seus primórdios até 1989, destacando, além das inúmeras bandas que desbravaram o som pesado naquela época, suas principais lojas, bares, shows e festivais, com depoimentos de músicos, lojistas e públicos em geral, que ajudaram a escrever esta história com muito suor e amor.
Inicialmente o livro contaria toda a história, desde o seu início até os dias atuais, porém, devido a grande quantidade de material coletado (foram cerca de 200 entrevistas e muita pesquisa), decidiu-se dividir esta verdadeira saga em uma trilogia, garantindo assim o espaço necessário para contar tantas aventuras e feitos nestas cerca de cinco décadas de história. E um dos assuntos que mais chamam a atenção de quem viveu intensamente a década de 80 foi o surgimento da loja MEGAFORCE, local fundamental para a formação musical dos jovens gaúchos.
Megaforce: Muito mais do que uma loja
O dia 2 de fevereiro de 1984 marcou a cena gaúcha de forma profunda, mesmo que inconscientemente. Trata-se da data de inauguração da Megaforce, a primeira loja exclusivamente de Heavy Metal de Porto Alegre. A pequena loja ocupava dois pisos do Centro Comercial Independência, tornando-se local de peregrinação dos jovens headbangers da década de 80, que além de adquirem LPs - que na época era o sonho de consumo da gurizada - também buscavam as famigeradas gravações de fita K7, formando assim uma turma unida, apesar das diversidades financeiras e até pela distância do interior para a capital. Muitos viajavam horas para ir comprar apenas algumas fitas K7! As atividades, entretanto, iam muito além, já que aos sábados eram exibidos VHS de shows no segundo piso, e a troca e compra de "figurinhas" (recortes de matérias e fotos de revistas) era uma constante.
Eram precisamente das mãos de Ademir Kessler, proprietário da Megaforce, e do seu sócio Jefferson Bellio, o Féfi, que chegavam aos interessados as novidades fonográficas mais pesadas editadas fora do estado e do país. "Descobrimos a Megaforce e nossos problemas acabaram, ou começaram... não sei bem, porque queríamos torrar todo e qualquer tostão lá. No início era Slayer, Venom e Exodus. Nossa! Apaixonei-me por Slayer. A grana era mirrada para poder comprar um LP. Quando podia comprar, dez gravavam, sabe como é, podia não haver uma próxima chance. Outro fato legal eram as trocas de fotos e reportagens que a gente fazia, aos sábados pela manhã, no Centro Comercial Independência. Caramba! Juntava uma vasta galera, de todos os gostos. Quantas vezes deixei de comer para comprar fotos do Slayer. Mas valeu! Também a gente aproveitava para ficar pela Megaforce para ouvir som, ver vídeos e marcar a hora do boteco", contou Mara Slayer em depoimento para o livro.
Para ler mais depoimentos e outros textos e talvez relembrar alguns acontecimentos, acesse o site oficial www.tanosangue.net, e para quem quiser adquirir o livro e conferir tudo o que se passou na cena gaúcha até 1989, basta conferir os locais de venda em http://tanosangue.net/site/comprar ou entrar em contato através do e-mail [email protected] (o custo do livro + correio é de R$ 43,00 no total).
Foto: Ademir na frente da Megaforce
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