Pantera: em 2004, a entrevista de Anselmo que chateou Vinnie Paul até o fim
Por Igor Miranda
Fonte: Metal Hammer / Blabbermouth
Postado em 23 de junho de 2018
Uma extensa e polêmica entrevista concedida pelo vocalista Phil Anselmo à revista Metal Hammer, no fim de 2004, foi a responsável por encerrar, de vez, qualquer possibilidade do cantor retomar sua amizade com o baterista Vinnie Paul, falecido nesta sexta-feira (22) aos 54 anos.
Durante a controversa entrevista, Phil Anselmo fez duras declarações a respeito do fim do Pantera e de sua relação com Vinnie Paul e o irmão dele, em especial: o guitarrista Dimebag Darrell. Anselmo chegou a dizer que Darrell merecia ser "severamente espancado", o que pegou muito mal, não só pelo conteúdo em si, como também pelo timing: exatamente uma semana após a declaração ter sido divulgada, Dimebag foi assassinado a tiros, por um fã esquizofrênico, em um show do Damageplan.
Na ocasião, ao falar sobre os problemas internos no Pantera, Phil Anselmo citou que "através da devoção e dos compromissos com o Pantera, muitas coisas foram empurradas para o lado". "A encarnação de outras grandes bandas como o Down, que eu fazia parte, levou muito tempo. Tudo tem sua vez, e quando foi a vez de o Superjoint Ritual, eu senti na época que o Pantera tinha feito a maior turnê que já fizemos, que foi com o Slayer e o Morbid Angel nos Estados Unidos. Estávamos na Irlanda quando os ataques de 11 de setembro aconteceram em Nova York. Ficamos presos por sete ou oito dias e a turnê foi cancelada por causa da turbulência. Depois disso, aconteceu um grande distanciamento".
Em seguida, Phil Anselmo falou, especificamente, com Dimebag Darrell. "Está entre Dimebag e eu. Nunca houve um ponto em que ele não ficasse bêbado, o que era praticamente todo dia. E, agora, ouço que é pior do que nunca. Ele me atacava verbalmente. E sabendo que era muito menor que eu, eu poderia matá-lo facilmente, viraria vapor - pelo menos o queixo dele, se eu o socasse. E ele sabe disso. O mundo sabe disso. Então, fisicamente, ele merece ser severamente espancado", afirmou.
"Claro, isso é crime e eu não faria tal coisa. Simplesmente o deixo falar. Cansei disso muito rapidamente e sempre que se fala sobre isso, apenas lhe desejo sorte. Realmente gostaria que eles fossem homens, o que é difícil para eles, imaginando que eles estavam morando na casa da mãe até os 30 anos de idade. Em comparação, eu estava nas ruas por escolha aos 15 anos, vivendo onde eu podia, mas vivendo e com sucesso, por meio da minha vontade", completou.
Ainda durante a entrevista, Phil Anselmo disse que a comunicação entre ele e os irmãos Abbott estava muito ruim, a ponto de eles estarem pedindo para uma mulher ligar para o cantor e dar recados. "Não deixo o tempo passar, preciso fazer algo. Não posso sentar e fazer nada. Devo fazer algo e é musical. Quando não uso meu talento, fico como um defunto, desajeitado e inútil. É terrível se sentir vulnerável. Quando você usa seu talento, você está no topo do mundo. Você se sente digno de algo. Você sente que fez algo, que criou algo. Fiz isso com muitas bandas e sempre estive lá quando o Pantera me chamou para fazer um novo disco, a próxima turnê, o que fosse, estava 100% lá", afirmou.
Anselmo também destacou que Dimebag Darrell, possivelmente, tinha motivos pessoais para "agir da forma que agia". "Acho que há muito dentro do Darrell... pelo que vi do Dimebag no passado, ele teve uma grande tragédia em sua família - e, claro, é a família do Vinnie também. Não acho que eles nunca dado um tempo para realmente se curarem daquilo. A raiva, o ódio e as noites de bêbados apenas gritando na minha cara, comigo sentado lá tomando e segurando minhas duas mãos só para não acertar o cara... Fiquei cansado de ser o bode expiratório", disse.
O cantor deu um show de autoestima ao dizer que reconhecia ser um frontman "único e incrivelmente magnético que não existia desde os dias de Robert Plant e Ozzy Osbourne". "Sou um em um milhão... tenho poder de ficar! Tenho fãs devotos que fariam tudo para mim! Tudo que eu disser. E não há muitas pessoas que estejam nessa posição. Sobre o produto que lançaram (Damageplan), é óbvio que eu estava muito envolvido nos arranjos das músicas, com a integridade e o molde delas, a criação. Era meu trabalho dar sequência ao disco, chocar o público liricamente. E acho que eles falharam em tudo. E o mundo fala por si", afirmou.
A entrevista em questão - especialmente pelo trecho que cogita agressão física a Dimebag Darrell - acabou de vez qualquer chance de trégua entre Phil Anselmo e Vinnie Paul, tanto por conteúdo quanto por contexto temporal. Posteriormente, Anselmo negou que tivesse dito tal coisa de coração - segundo ele, foi apenas uma figura de linguagem - e criticou a "Metal Hammer". Paul, por sua vez, afirmou que teve acesso aos áudios da conversa e que indicavam a veracidade da declaração, sem efeito de sentido por trás.
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