Lecher: O Heavy Metal é um estilo contraponto de tudo que existe e deve ser crítico

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Por Maicon Leite, Fonte: Maicon Leite, Press-Release
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O LECHER está na ativa desde meados de 2007 e desde então tem sido um dos grandes representantes do Heavy Metal tradicional com aquela pegada germânica de nomes como Running Wild e Grave Digger. Formado originalmente por Diego Alquezar (guitarra) e Sérgio Willian (guitarra), o grupo sempre teve a proposta de fazer um som agressivo, direto, simples e ao mesmo tempo técnico, criando uma sonoridade que honra a tradição do Heavy Metal oitentista. Após algumas mudanças de formação, ingressou na banda Marcelo ''Zé Bolha'' Machado (bateria, ex-Alcoholikiller, Skyrunner) e logo após Juliano Costa (vocal, ex- Prepared to Kill e Warshipper). Ainda assim, a formação foi alterada algumas vezes, até que Rodolfo Nekathor (baixo, ex- Zoltar, Lost Graveyard) ingressou na banda em 2009, fortalecendo o ideal que estava adormecido. Infelizmente por motivos particulares, Rodolfo Nekathor abandonou o LECHER e Juliano Costa assumiu o baixo e o vocal.

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Devido à sonoridade de a banda ser muito rica em duetos de guitarra, fez-se por necessário a busca de um novo integrante que acompanhasse as ideias e ideais da banda, foi quando, no ano de 2013, que Alex Aquino (ex-Fire Diamond, Excalibur, Prepared to Kill, Retaliação e Speed Metal Hell) foi convidado a compor a equipe, voltando a ter dois guitarristas e formar um quarteto clássico. Após longos seis anos, Alex Aquino retorna para seu projeto Crossover Retaliação e o guitarrista Sergio Willian retorna a banda.

Hoje o LECHER se encontra com a formação estável com Juliano Costa (baixo/vocal), Diego Alquezar e Sergio Willian (guitarras) e Marcelo ''Zé Bolha'' Machado, que divulgam o lyric video para "Supreme Dynasty" e seguem nos palcos dando sequência na divulgação do álbum "Castle of Hallucinations", lançado em 2018 pela gravadora italiana Heart of Steel Records.

Conversamos com Juliano Costa, que nos forneceu mais detalhes sobre a carreira da banda, suas influências, a cena musical de sua cidade e as novidades que vem por aí! Boa leitura!

O Lecher tem como característica fundamental o compromisso em tocar aquele Heavy Metal oitentista que deixa o ouvinte empolgado, com músicas pesadas, agressivas e dotadas de grande energia. O que os motivou a criar a banda em 2011 e o que os motiva a seguir com este compromisso com os fãs desta sonoridade? Há uma crescente procura por bandas nesta linha no mundo inteiro, sobretudo pela NWOTHM (New Wave of Traditional Heavy Metal).

Juliano Costa: Fala Maicon! Muito obrigado pela entrevista e parabéns pelo seu excelente trabalho frente à Wargods Press. Então cara, a proposta do Lecher é a confecção de um som agressivo, direto, simples, mas ao mesmo tempo técnico, que são, aos nossos olhos e ouvidos, a essência do verdadeiro Heavy Metal. Inicialmente a banda ainda só com o Diego e o Sergio já tinha enraizada a questão do Heavy Metal tradicional/NWOBHM, em especial o Iron Maiden e Judas Priest, mas com a chegada do Marcelo "Zé Bolha" o som ganhou ainda mais nessa pegada, então, logo depois, com a minha entrada, com um vocal mais agressivo na linha Kreator/Accept a sonoridade migrou para uma batida mais Motörhead, o que mostra que estamos no caminho certo, embora fazer Heavy Metal tradicional no Brasil é bem mais difícil do que Metal extremo.

A estreia do grupo com o EP "Werewolf" em 2011 foi bem recebida e recebeu diversos elogios do público e mídia especializada. Como foi o processo de composição deste trabalho? O que difere a banda daquela época para agora?

Juliano Costa: O EP "Werewolf" foi algo que nos debutou no nível de lançamento de material, foi uma experiência incrível! Tivemos a grande satisfação em gravar com Jon Hassuike e Mauricio Nogueira, um que trabalhou com bandas como Destruction e o outro que fez parte da lendária banda de Death Metal da nossa região, o Zoltar, e hoje é dono do estúdio Aquarela Musical em Sorocaba. A gravação foi muito cansativa, foram aproximadamente 40 horas de gravação em três dias! Mas quando o resultado saiu vimos que não se tratava de uma demo, e sim de um EP. Algo mais bem elaborado. Naquela época estávamos ainda em processo de afirmação enquanto banda, hoje já nos encontramos estabilizados e centrados para evoluirmos no cenário do Heavy nacional.

Um fato curioso e bastante pessoal: quando fiz a cobertura e fui um dos juízes do festival Die Fight Metal Battle na cidade de vocês, em 2012, os classifiquei como "Running Wild brasileiro". Concordam com o termo? Além das visíveis influências da banda alemã, o que mais os influencia na hora de compor?

Juliano Costa: Cara, quando você fez isso aí nós ficamos ensandecidos! Um cara o qual ainda não conhecíamos, nos rotular com um título desse calibre por livre e espontânea vontade foi algo surpreendente! Naturalmente que o Running Wild também é uma de nossas inspirações, assim como já falado as bandas de NWOBHM, o Heavy alemão, Thrash oitentista, Classic Rock, Hard '70, Southern e Metal nacional, particularmente sou muito entusiasta também de banda do Metal latino, russo, húngaro, musica clássica e até ópera. Nosso guitarrista, Sérgio Willian, tem inclusive um histórico em música raiz, levando isso para o Heavy em seus riffs a originalidade se torna absurda.

Tanto o EP quanto o debut, lançado em 2018, trazem temas voltados à fantasia, batalhas, mitos e contos de terror. Por experiência própria, posso dizer que estes temas, assim como os históricos (vide "Alexander the Great" do Iron Maiden), me influenciaram bastante, tanto é que hoje sou graduando em História. Do seu ponto de vista, estes são os temas que mais se encaixam em uma banda de Heavy/Power Metal? Como é inserir estes elementos dentro da proposta da banda e como isso entrou na tua vida?

Juliano Costa: Com certeza, ao meu ponto de vista, o Heavy Metal é um estilo contraponto de tudo que existe, deve ser essencialmente crítico e naturalmente instruído para evitarmos a desinteligência dos bangers. Infelizmente com a ascensão dos sites de relacionamento e da ostentação do politicamente incorreto, ser burro passou de ser vergonhoso para se sinônimo de orgulho! Lutamos contra esse tipo de metodologia no Heavy, ao melhor estilo Dorsal Atlântica. As letras do Lecher, com exceção de três sons, todos são voltados para críticas, seja social, política, religiosa, psicológica ou comportamental, essas letras nos fazem evoluir enquanto seres sociais, enxergar além do razoável onde a vista alcança, exteriorizar isso nos faz grandes, sermos autênticos e honestos com nossos princípios.

"Castle of Hallucinations" teve seu lançamento feito pela gravadora italiana Heart of Steel Records. Como se deu este contato com o selo? E qual a diferença básica que você vê entre um lançamento independente para outro com apoio de um selo?

Juliano Costa: O contato com o Mirko Defox Gagliaso, da Heart of Steel, se deu pelo vocalista do Krull, Luis Domingos, que já tocou comigo na banda Eternal Fate. A diferença é alarmante, o Lecher hoje é escutado na Alemanha, Polônia, Portugal, Suíça, Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul e até em Cingapura! Países que dificilmente conseguiríamos alcançar sem um trabalho já consolidado no ramo. Não podemos reclamar da força que o Mirko tem nos feito e todo seu suporte. Aproveito para dizer que brevemente o EP "Werewolf" também será disponibilizado em streaming para todos os headbagers ao redor do mundo!

Confira o lyric video de "Supreme Dynasty":

Na viagem que fiz para Sorocaba em 2012 pude notar uma cena forte e recheada de bandas dos mais variados estilos. Foi interessante participar do Die Fight Metal Battle também para conhecer pessoalmente outros músicos da cidade e da região. E como está este cenário hoje? Quais bandas que você destacaria aí da sua região? Assim como eu outros lugares o público tem minguado ou há uma procura por shows? Noto que não há uma renovação do público em alguns lugares...

Juliano Costa: Pois é... Infelizmente a situação está crítica, o irmão Thiago Chapola tem organizado o Roça Metal, evento que começou muito bem, mas na última edição o público deixou a desejar. O Primatas Moto Clube tem organizado eventos na sua sede também que oscila entre eventos com uma galera e outros nem tanto, lá fizemos um show com o Drauggard da Rússia e o público não compareceu conforme esperado, na região de Sorocaba ainda temos o Andi Rocker, irmão que organiza o Palco Livre em Votorantim e a lendária "mãe underground" Crys Goyaba de Itu, que desanimou um pouco em organizar eventos. Um pouco mais distante, mas nem tanto temos um evento que já está consolidado que é o Indaiá Metal Fest do Dexter e da Lili, além desses não me recordo nenhum outro em atividade no momento. Quanto às bandas temos hoje um quadro que talvez nunca tivemos antes, Sorocaba conta com promissoras e já reais bandas de peso na cena como Speed Metal Hell, Warshipper, Hammathaz, Retaliação, entre muitas outras, destaque maior para o Deathgeist (com membros do antigo Bywar) que faz um Thrash arregaçador e o Father Karras que, assim como o Lecher, fazem o clássico Heavy.

"Castle of Hallucinations" está completando um ano neste mês de setembro. Há planos para um novo álbum ou EP em breve? O que o futuro reserva para o Lecher?

Juliano Costa: Caramba, mas já!? Passa muito rápido! Estamos com algumas composições para nosso próximo álbum, que terá uma temática crítica voltada a luta antimanicomial no Brasil, o álbum se chamará "Barbacena". Além disso, estamos nos trabalhos de gravar uma música tributo do Salário Mínimo. Até o final do ano muito nos espera!

Juliano, obrigado pelo tempo disponível! Gostaria que você deixasse um recado para quem ainda não conhece a banda, convidando-os a ouvir "Castle of Hallucinations".

Juliano Costa: Eu quem agradeço e o congratulo novamente, Maicon. Gostaria de convidar a todos os headbangers e amantes do Heavy e do Rock para que entrem em contato conosco para adquirir o CD "Castle of Hallucinations", a camiseta da banda ou ainda as últimas unidades do EP "Werewolf". Convidamos todos também a acessarem nossas mídias digitais no Spotify, Deezer, entre outras e que acompanhem nosso Facebook e Instagram. O LECHER espera por vocês!

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Sobre Maicon Leite

Maicon Leite é assessor de imprensa na Wargods Press, colaborador na revista Roadie Crew e um dos autores do livro Tá no Sangue! - A História do Rock Pesado Gaúcho, dentre outros projetos e publicações.

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