Robertinho de Recife cutuca a ferida e explica por que se afastou do Metal
Por Bruce William
Postado em 06 de novembro de 2024
Robertinho de Recife é um dos guitarristas mais versáteis do Brasil, com uma carreira que abrange diversos gêneros, do Rock ao Forró. Nascido em Recife, ele começou sua jornada musical ainda jovem, migrando para o Rio de Janeiro, onde rapidamente ganhou reconhecimento por suas habilidades e estilo único. Atuou como guitarrista de estúdio para diversos artistas e consolidou-se como um músico inovador, transitando com facilidade entre diferentes estilos e colaborando com grandes nomes da música brasileira.
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Na década de 1980, Robertinho mergulhou no universo do Heavy Metal com o projeto Metal Mania, lançado em 1984. Inspirado pelo som de bandas de Hard Rock e Metal da época, ele trouxe um estilo pesado e técnico ao seu repertório, destacando-se por solos rápidos e riffs marcantes que o colocaram como um dos pioneiros do metal no Brasil. "O projeto Metalmania fazia um rock pesado de alta qualidade - tão alta que estava à frente do seu tempo, ao menos por aqui, o que rendeu a incompreensão do mercado", disse Marcelo Moreira do site Combate Rock, em texto replicado na Wikipedia.
Mas durante conversa com o guitarrista, professor de guitarra e produtor Mateus Starling, Robertinho revelou que se desentendeu profundamente com o pessoal do Metal, explicando o que o levou a se afastar totalmente do gênero. O trecho transcrito abaixo pode ser conferido no vídeo ao final, a partir das duas horas de duração. A ideia de pauta veio do Begeeker.
Ao ser perguntado se o álbum vendeu bem, Robertinho respondeu: "O álbum foi indesejado pela gravadora, a RCA. E eles só deixaram eu gravar por causa do 'É de chocolate'. E é aí que chega: 'Você grava 'É de Chocolate' que eu deixo você fazer essa doidice aí, esse negócio de Metal, a gente não acredita. A gente não vai fazer merda nenhuma [para promover], mas eu deixo você fazer. Eles não trabalharam nada!"
Mateus insiste na pergunta se vendeu bem, e Robertinho diz: "Assim, vendeu bem... trinta mil cópias. Eu acho até que vendeu mais, por que o que aparece de disco desse vinil por aí. Só que eles queriam que eu desistisse e voltasse a fazer alguma coisa infantil, não sei o que, ou que no mínimo ficasse com Fagner, Geraldo Azevedo, os caras que eram da gravadora."
Então Mateus pergunta se não era possível fazer as duas coisas, e Robertinho explica que havia mais coisa por trás: "Eu queria me livrar disso, e aí é que entra o Eddie na minha vida", se referindo ao Eddie Van Halen. Ele conta que na época pensou: "Eu quero ser livre que nem esse cara. Eu quero ser livre que nem ele, quero sentir esse prazer, não queria ali ficar encoleirado fazendo o que outros querem que eu faça. Eu quero fazer o que eu quero."
Depois de comentar o quão grande foi o sucesso do álbum, Robertinho explica porque encerrou o Metal Mania: "Por que eu queria fazer uma coisa... Foi aí que entrou o Yahoo. Eu queria fazer uma coisa que fosse sucesso de rádio. E eu estava muito irritado porque o Metal, como hoje, virou essa... virou uma religião, xiita. E eu detesto isso, entendeu? Essa idolatria, aquelas coisas... satanismo e não sei o quê... tá louco, eu quero é me divertir, é sexo, drogas e rock and roll. Eu não tenho nada a ver com esse negócio aí."
Neste ponto, Robertinho faz barulhos imitando vocais guturais e fazendo guitarras que soam como "metralhadoras", e em seguida fala: "Podem ficar com raiva de mim, é isso mesmo. Por que vocês não gostam de mim e eu também não gosto de vocês! Está declarada a guerra! Está declarada a guerra, brother! Sempre foi declarada. Eu contra vocês. Não me aceitem, que eu sou do outro lado!"
Mateus pergunta para quem foi o recado, e Robertinho responde: "Pra todos que são do lado ruim!". E então Mateus pergunta se ele acha que no Metal é onde está a galera mais xiita da música: "Mais idiotas. Não são todos os metaleiros, vamos lá, vamos separar o joio do trigo. Tem metaleiros maravilhosos, os não são radicais, que não fazem parte dessa religião, sabe? Que são os caras que tem uma diversão, não são pessoas com problemas mentais. Tem os dodóizinhos, os dodóizinhos existem, entendeu? E tem os que não, são cabeças feita, cabeças frescas, esses estão comigo e vão dizer assim: 'Porra, você tem razão. Eu também sou assim. Eu já ouvi várias pessoas falarem isso."
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