Em 1994, Max Cavalera alfinetou Engenheiros do Hawaii durante entrevista a João Gordo
Por Mateus Ribeiro
Postado em 25 de maio de 2025
Com um currículo respeitável, Max Cavalera é um verdadeiro patrimônio da música brasileira. Fundador do Sepultura, banda em que atuou como guitarrista, vocalista e compositor de 1984 a 1996, ele foi essencial para colocar o Brasil no competitivo cenário mundial do heavy metal.
Durante sua marcante trajetória no Sepultura, Max gravou seis álbuns de estúdio. Um dos mais emblemáticos é "Chaos A.D.", lançado em setembro de 1993. O disco mistura o peso característico da banda com influências de hardcore, groove metal e metal industrial, resultando em faixas memoráveis, como "Territory", "Refuse/Resist" e "Propaganda".

Poucos meses após o lançamento de "Chaos A.D.", o Sepultura se apresentou no Brasil durante o Hollywood Rock, realizado nos dias 15 e 22 de janeiro de 1994, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Após o show na capital paulista, Max Cavalera foi preso devido a uma confusão envolvendo a bandeira brasileira. O episódio foi tema de uma entrevista concedida a João Gordo, vocalista da banda Ratos de Porão, publicada na Folha de S. Paulo.
Segundo Max, tudo não passou de um mal-entendido. Ele apontou que havia pessoas torcendo para acontecer algo de ruim na apresentação da banda:
"Como não teve violência, não tiveram como falar que o show é violento. Sei que tinha gente torcendo: ‘podia morrer um só pros caras nunca mais tocarem aqui’."
Liberado após algumas horas, Max relembrou outros episódios envolvendo o símbolo nacional e criticou a postura seletiva da opinião pública. O músico também deu uma cutucada em uma banda famosa:
"Quando a Elis Regina morreu, por exemplo, mudaram a frase da bandeira que estava sobre o caixão dela, mas não aconteceu nada. Só porque era a Elis Regina. E o Sepultura é mais famoso que a Elis Regina fora do Brasil, mas é Sepultura, é barulheira, é cabeludo, é tatuado. O logo da MTV é colocado no meio da bandeira nacional e não tem problema. Os ‘goiabas’ do Hawaii fazem um monte de discos com a bandeira do Brasil e ninguém pega no pé."
Por fim, Max tentou colocar um ponto final no imbróglio. O ex-guitarrista e vocalista do Sepultura também comentou a situação do Brasil:
"Abri a bandeira do fã-clube de forma normal. Mas se você for analisar, bem que a gente queria que ela representasse a realidade, que a ordem e o progresso fossem de verdade. Nós temos a bandeira mais linda do mundo, mas o país está apodrecido.
A gente vai tocar aqui no Brasil o resto da vida. Para pôr um ponto final nessa história que está ficando muito chata: eu não pisei na bandeira, não cuspi na bandeira e quem estava lá viu que não fiz nada de errado. Não tivemos essa intenção de desrespeitar o país ou a bandeira. Esse país é do caramba."
Mais de 30 anos depois, Max Cavalera segue em plena atividade. Ele integra as bandas Soulfly, Cavalera Conspiracy, Killer Be Killed e Go Ahead And Die, mantendo-se relevante no cenário do metal internacional.
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