Megadeth entrega muita emoção em "The Last Note", sua canção de despedida
Por Mateus Ribeiro
Postado em 23 de janeiro de 2026
Ícone absoluto do thrash metal, o Megadeth lançou nesta sexta-feira (23 de janeiro) o último registro de seu catálogo musical, ao menos no que se refere a trabalhos de estúdio. Autointitulado, o décimo sétimo álbum da banda liderada por Dave Mustaine sucede "The Sick, The Dying… And The Dead!" (2022) e marca a estreia do guitarrista Teemu Mäntysaari, que se juntou ao grupo no segundo semestre de 2023.
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"Megadeth" encerra a discografia de um nome lendário da música pesada. Ao longo de sua trajetória, a banda foi responsável por obras que se tornaram referências não apenas do thrash, mas do heavy metal como um todo, caso de "Peace Sells… But Who's Buying?" (1986), "Rust in Peace" (1990) e "Countdown to Extinction" (1992).
No álbum de despedida, o grupo preserva grande parte das características que o consagraram ao longo de quatro décadas. Riffs marcantes, solos de guitarra abundantes, melodias bem definidas, velocidade e o vocal inconfundível de Mustaine - amado por alguns e rejeitado por outros - seguem como elementos centrais da sonoridade.
Outro aspecto que se destaca em "Megadeth" é a carga emocional presente em "The Last Note". Cadenciada, melódica e triste, a décima faixa encerra a versão regular do disco - a releitura de "Ride the Lightning", do Metallica, aparece como bônus -, o que a credencia simbolicamente como a última composição autoral do grupo.
A proposta de despedida fica ainda mais evidente na letra de "The Last Note", que funciona como uma espécie de carta final. Desde os primeiros versos, Mustaine adota um tom confessional, tratando o fim da jornada como algo inevitável e plenamente consciente.
Trechos como "Each mile, the road has worn me thin" ("A cada quilômetro, a estrada me desgastou") e "Each song has got beneath my skin" ("Cada música entrou debaixo da minha pele") reforçam a ideia de uma carreira marcada por intensidade. No refrão, a associação entre encerramento e silêncio se torna explícita em "One last night before the silence falls" ("Uma última noite antes que o silêncio caia") e "One last chord to echo through these walls" ("Um último acorde para ecoar por estas paredes").
O caráter de testamento se consolida nos versos finais de "The Last Note", quando Mustaine revisita a própria trajetória com franqueza. Ao cantar "They gave me gold / They gave me a name / But every deal / Was signed in blood and flames" ("Eles me deram ouro / Eles me deram um nome / Mas todo acordo / Foi assinado em sangue e chamas"), o músico reconhece tanto as conquistas quanto o preço cobrado por elas. O encerramento, selado em "I came, I ruled, now I disappear" ("Eu cheguei, governei, agora desapareço"), soa definitivo - como a última assinatura de um artista que decidiu encerrar a própria história nos próprios termos.
"The Last Note" funciona como um ponto final digno e emocionante, encerrando com sobriedade uma discografia marcada por obras inesquecíveis. Do início ao fim, a faixa sintetiza as razões pelas quais o Megadeth se tornou um nome reverenciado por gerações de fãs.
A próxima turnê do Megadeth, com início previsto para fevereiro, será a última da banda. O giro de shows passará por São Paulo no dia 2 de maio, conforme detalhado na nota a seguir.
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