A música clássica do Pink Floyd que nasceu de uma trolagem feita com Rick Wright
Por Bruce William
Postado em 25 de junho de 2026
O Pink Floyd passou alguns anos aprendendo em público antes de chegar a "The Dark Side of the Moon". Depois da saída de Syd Barrett e da entrada de David Gilmour, a banda atravessou uma fase de longas experiências, trilhas sonoras, suítes enormes e discos que pareciam mais laboratórios do que produtos acabados. Nem tudo desse período é amado por todos os fãs, mas quase tudo ajudou a construir o som que viria depois.
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"Ummagumma", "Atom Heart Mother" e "Meddle" fazem parte desse caminho. Havia improviso, ambição, paciência e uma vontade clara de levar o rock para além da estrutura comum de canção. "Echoes", em 1971, já mostrava uma banda mais perto de encontrar sua linguagem definitiva: menos caos psicodélico solto, mais atmosfera, espaço, tensão e uma sensação de viagem controlada.
Em 1973, "The Dark Side of the Moon" condensou esse aprendizado em um formato muito mais preciso. O álbum não abandonou a experimentação, mas colocou tudo em uma arquitetura mais enxuta. Em vez de peças de 20 minutos, havia músicas com identidade clara, ligadas por temas, sons, vozes, batimentos, relógios e aquela sensação de que o disco inteiro respirava como uma única obra.
Um dos nomes essenciais nessa construção foi Richard Wright. Roger Waters e David Gilmour costumam ocupar mais espaço nas discussões sobre o Pink Floyd, mas Wright deu à banda uma parte enorme de sua cor emocional. Seus teclados, harmonias e progressões ajudaram a criar o clima que separava o Floyd de tantos outros grupos progressivos. Ele não precisava aparecer na frente para mudar o peso de uma música.
Segundo a Far Out, uma das histórias mais curiosas envolvendo Wright está ligada a "Us and Them", faixa de "The Dark Side of the Moon" marcada por uma progressão de piano com sabor jazzístico e por um clima melancólico que parece abrir espaço dentro do disco. A música, que se tornaria um dos grandes momentos do álbum, teria ganhado forma a partir de uma brincadeira no estúdio.
A história diz que Wright costumava gravar partes de piano em uma sala separada durante as sessões do álbum. Em determinado momento, Roger Waters, Nick Mason e David Gilmour teriam colocado uma fita antiga de jam para tocar e saído do ambiente. Achando que os colegas estavam tocando ao vivo na sala ao lado, Wright começou a acompanhar aquilo no piano.
O que poderia ter sido só uma pegadinha de estúdio acabou rendendo uma das bases de "Us and Them". A imagem é ótima: enquanto os outros se divertiam com a situação, Wright respondia musicalmente, sem saber exatamente que estava sendo provocado por uma gravação antiga. O resultado não virou uma piada interna perdida, mas uma das passagens mais elegantes do disco mais famoso da banda.
O produtor e engenheiro Alan Parsons, que trabalhou em "The Dark Side of the Moon", resumiu bem a importância daquela contribuição em declaração à Mojo. Para ele, aquela foi "uma das melhores coisas que Rick já fez". Ou seja, "Us and Them" é justamente o tipo de música que mostra como Wright era decisivo para o Pink Floyd. A faixa não depende de excesso, velocidade ou demonstração técnica. Ela cresce pela harmonia, pelo espaço, pela entrada dos vocais, pelo saxofone e pela maneira como o piano conduz tudo sem disputar atenção.
Há também uma pequena ironia bonita nessa origem. O Pink Floyd, banda tantas vezes associada a conceitos grandiosos, temas existenciais e gravações meticulosas, viu uma de suas peças mais marcantes surgir de um momento quase moleque. Nem toda grande música nasce de uma epifania solene. Às vezes, nasce de uma fita velha tocando na sala errada e de um músico bom o bastante para transformar confusão em beleza.
"Us and Them" acabou ficando como uma das provas mais fortes da sensibilidade de Richard Wright. Se a pegadinha ajudou a acender a faísca, foi ele quem deu forma ao sentimento. Em um disco cheio de ideias brilhantes, a música permanece como um intervalo de melancolia majestosa - e como lembrança de que, no Pink Floyd, até uma brincadeira podia virar arquitetura emocional.
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