Thom Yorke sobre o que "OK Computer" realmente fala: "Não é sobre computadores"
Por André Garcia
Postado em 15 de julho de 2026
Final do século XX, 1997, Estados Unidos. Thom Yorke e Jonny Greenwood, vocalista e guitarrista do Radiohead, respectivamente, estavam no famoso hotel Chateau Marmont, em Hollywood, dando uma entrevista em vídeo para promover sua obra-prima, "OK Computer", lançada naquele mesmo ano. Naquele momento, a banda havia alcançado sua melhor posição até então nas paradas dos Estados Unidos, o maior mercado fonográfico do planeta.
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Conforme publicado pela Y! Entertainment, Yorke explicou que "['OK Computer'] não é realmente sobre computadores."
"Foi só resultado daquilo que estava passando pela minha cabeça durante a maior parte de um ano e meio viajando, lidando com computadores, televisão… simplesmente absorvendo tudo aquilo. É um disco que absorve tudo ao redor, para o bem ou para o mal. É sobre tudo aquilo que estava à nossa volta e fomos absorvendo. Não é exatamente um disco pessoal."
Com um título desses, não é surpresa que muita gente considere "OK Computer" um disco sobre computadores. Na verdade, ele fala sobre o que um mundo dominado pelos computadores fazia - e faria - com as pessoas: um admirável mundo novo de isolamento, ansiedade, frieza infelicidade e da pressão constante para parecer perfeito e bem-sucedido aos olhos dos outros. Ou seja, era sobre a robotização e desumanização consequente dos tempos modernos. Os caras praticamente previram o Instagram 20 anos antes de ele surgir.
O vocalista também revelou que, ao terminar o trabalho, não estava nada convencido de que o resultado fosse tão bom quanto o público viria a considerar:
"Quando terminamos [de gravar] o álbum e estávamos montando tudo, eu estava bem convencido de que tínhamos meio que dado uma bola fora. Mesmo assim, de certa forma, eu estava feliz com aquilo, porque nos divertimos pra caramba fazendo o disco."
Assim que foi lançado, "OK Computer" não só foi reverenciado como o disco do ano, como também passou a ser comparado a obras-primas do rock britânico, como "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band" (1967), dos Beatles, e "The Dark Side of the Moon" (1973), do Pink Floyd. Apesar de toda a reverência, Yorke levou os elogios com ceticismo:
"Sobre o pessoal dizer que ['OK Computer'] é o álbum do ano… eles dizem isso o tempo todo. Na Inglaterra é engraçado: em duas semanas, nosso álbum foi o álbum do ano, e depois o do Prodigy também foi. Daqui a duas semanas vai ser algum outro. É simplesmente algo que as pessoas dizem."
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