Os três álbuns de estúdio que Alice Cooper não lembra de ter gravado
Por João Renato Alves
Postado em 24 de outubro de 2026
Durante sessão de perguntas e respostas em Glasgow, Escócia, divulgando a autobiografia "Devil on my Shoulder", Alice Cooper falou sobre o impacto da dependência química em sua obra. Mais especificamente do período em que o álcool passou a não ser suficiente, o forçando a buscar outras substâncias.
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"Nós sempre cheirávamos um pouco de cocaína. Aí, alguém apareceu e disse: 'Sabe, se você fumar, não vicia'. E a gente pensou: 'Beleza'. Só que é a coisa que mais vicia no planeta, acaba destruindo a sua vida por completo. Você sente aquela euforia, uma onda percorrendo o corpo todo, tem a plena convicção de que é capaz de mover montanhas - quando, na verdade, não consegue fazer absolutamente nada. Gravei três álbuns nesse estado; não me lembro de tê-los gravado, não me lembro de tê-los composto e nem de ter saído em turnê com eles. Lembro-me apenas de alguns fragmentos. Foi um período realmente assustador."
Os trabalhos aos que o alter ego de Vincent Furnier se refere são "Special Forces" (1981), "Zipper Catches Skin" (1982) e "DaDa" (1983). Os discos contam com influências experimentais, flertando com a new wave e a música eletrônica da época. Apesar de possuirem uma base seleta de fãs, não figuram entre os maiores sucessos do artista.
"As pessoas me perguntam o tempo todo: 'Se você pudesse voltar no tempo e mudar uma única coisa, o que mudaria?'. Elas imaginam que a resposta seria esquecer essa época. Mas passar pelo vício em álcool e cocaína me ensinou muito sobre mim mesmo. Hoje, quando converso com adolescentes sobre drogas e álcool, falo com autoridade; se alguém me pergunta: 'Mas o que você sabe sobre isso?', eu respondo: 'Eu costumava ficar chapado com o Jim Morrison, tá bom?'. E eles reagem tipo: 'Quem?'."
Há décadas o cantor conseguiu exercer o autocontrole. "Agora, 43 anos depois, nunca mais senti sequer a tentação de beber ou usar drogas - e olha que, na época, eu era o exemplo máximo disso. Considero o que aconteceu um milagre dos tempos modernos. Até o médico disse: 'Isso é algo bíblico, um verdadeiro milagre - o fato de você não precisar esconder nada pela casa'. E eu respondi: 'Não, é que eu simplesmente não tenho vontade nenhuma de beber'. Mesmo nas situações de maior pressão... não, isso simplesmente não faz mais parte da minha vida."
"Devil on My Shoulder" foi disponibilizado no último dia 8 de outubro – na versão em inglês. Na obra, o astro oferece um relato honesto sobre como as duas personas que abriga – Alice e Vincent – se completam, revelando tanto o lado bom quanto o ruim de cada um deles.
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