O clássico de Raul Seixas que é tão agudo que até Xororó pediu para baixar o tom
Por Gustavo Maiato
Postado em 15 de outubro de 2026
O agudo de Xororó virou marca registrada de Chitãozinho & Xororó e, até hoje, é assunto entre a nova geração de cantores sertanejos. Em entrevista ao canal Goianês, o músico contou que nem sempre esse tom foi escolha estética e admitiu que exagerou ao regravar uma canção de Raul Seixas. Segundo ele, a nota alcançada na gravação foi tão alta que, olhando para trás, a faixa poderia ter sido feita meio tom abaixo.
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A origem desse registro, explicou o cantor, está em José Rico, da dupla Milionário & José Rico, que ele aponta como responsável por popularizar o canto agudo no gênero. No começo da carreira, Xororó tentava reproduzir o repertório da dupla e precisou forçar a voz para cima por outro motivo: Chitãozinho tinha dificuldade em alcançar as notas graves da segunda voz. Com o tempo, desenvolveu uma técnica própria. O disco "60 Dias Apaixonado", no entanto, ainda o incomoda. "Essa semana eu ouvi o som daquele disco. Eu falei assim: 'Meu Deus, que bobeira gravar a música nesse tom'", contou, aos risos.
Ele se lembrou de quando cantou "Tente Outra Vez" do Raul Seixas, especificamente o trecho em que o saudoso cantor baiano solta o agudo na palavra "gira". "Hoje eu cheguei a baixar um tom, às vezes meio tom nas músicas, porque o show inteiro você fica dando um si, a nota mais aguda ali, ou um dó, que eu cheguei a fazer na gravação. Eu gravei, tem uma nota dó na garganta. É muito agudo, é coisa que mulher atinge. Não precisava. O Raul cantou naquele tom, quis cantar no tom do Raul, mas bobagem. Podia ter feito meio tom abaixo que ficaria tão bom quanto. A gente sempre foi muito fã do Raul, a gente tinha todas as fitas cassete dele."
Preservar a voz também explica a fama de rigor da dupla com horários. Na fase em que a carreira explodiu, os irmãos chegaram a fazer cinco apresentações numa mesma noite, e Xororó não podia sequer cochilar, já que qualquer descanso comprometia o agudo. Chitãozinho lembrou um show perto de Atibaia, no interior paulista, em que os dois subiram ao palco completamente roucos e a plateia lotada cantou no lugar deles. Pior foi em Santo Antônio da Platina, no Paraná, onde um ataque de soluço começou antes da apresentação e só terminou junto com ela.
Questionados sobre brigas, os irmãos garantiram que nunca chegaram perto de encerrar a parceria, apesar de terem comportamentos bem diferentes. Admitiram ter subido ao palco irritados um com o outro, mas disseram que a música resolve tudo assim que o show começa. A admiração mútua, segundo eles, vem desde a chegada a São Paulo, quando se encantaram ao ver Belmonte & Amaraí ao vivo, e se consolidou com Milionário & José Rico, dupla que começou praticamente junto com eles e cuja segunda voz Xororó tentava imitar.
Confira o vídeo completo abaixo.
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