Marty Friedman admite ter pisado na bola em saída do Megadeth
Por João Renato Alves
Postado em 12 de outubro de 2026
Durante entrevista ao VRP Rocks, Marty Friedman voltou a falar sobre sua saída do Megadeth, ocorrida entre o final do século passado e início do atual. O guitarrista reconhece que precisava tomar a decisão, mas também admite que magoou muita gente.
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"A decisão em si não foi nada difícil. O pior mesmo foi concretizá-la. Eu sabia que era algo que precisava, pois não havia mais nada que pudesse fazer na banda da maneira como ela estava naquela época. Mas o momento não era bom, estávamos no meio de uma turnê. Não vou entrar em detalhes, mas não agi da melhor forma naquele momento. Foi uma atitude muito egoísta da minha parte. No fundo, já tinha encerrado aquele ciclo e queria acabar com tudo logo, mas tinha responsabilidades e tentei ao máximo cumpri-las. No entanto, aconteceram muitas coisas que me impediram de seguir até onde queria, e me arrependi por muito, muito tempo. Anos depois, fiz as pazes com o Mustaine e com a banda. Mas houve muitas coisas daquela fase final das quais não me orgulho, pois não havia mais nada a fazer. Eu realmente não consegui fazer a coisa certa."
Os sentimentos eram tão confusos que o próprio não consegue definir. "É muito difícil explicar. Levei uma eternidade para escrever isso na autobiografia ('Dreaming Japanese', de 2024). Se você ler vai entender. Mas não consigo resumir em poucas palavras. Não foi difícil tomar a decisão, mas foi muito difícil concretizá-la e houve mágoas pela maneira como conduzi o processo. Não foi uma situação agradável, mas a banda certamente se recuperou e realizou coisas absolutamente fantásticas na minha ausência. Eu fiz o mesmo: segui meu próprio caminho e obtive sucesso com meus projetos. Então, acho que ambos acabamos ganhando. Mas, na época, eu não me orgulhava das minhas atitudes."
Por conta de tudo que aconteceu, Marty entende ter sido ideal retornar ao palco com o grupo em fevereiro de 2023. Especialmente pelo fato de o show ter acontecido no Budokan, em Tóquio, diante de um público que o abraçou após o reinício da carreira com o próprio nome.
"Foi maravilhoso. Acho que foi algo que significou muito para mim e para o Dave Mustaine, porque nós dois queríamos muito, muito mesmo, tocar no Budokan. Tínhamos esgotado os ingressos lá na turnê 'Countdown To Extinction', mas aconteceram coisas que impediram que aquele show acontecesse. Levei anos para superar aquilo. Quando ele me convidou: 'Cara, vamos tocar no Budokan. Quer vir comigo?' Primeiro, fiquei muito, muito feliz pelo Megadeth depois de já termos tido essa oportunidade antes. Eles mereciam tocar no Budokan. Fiquei muito feliz com isso e igualmente por o Dave ter me convidado para estar com eles nessa ocasião. Foi uma noite de milagres. Havia pessoas na plateia chorando, sorrindo de orelha a orelha. Não foi um show comum. Muitas pontes foram reconstruídas. Não é que houvesse grandes rupturas ou algo do tipo, mas houve muita boa vontade naquele dia, algo simplesmente fantástico."
O momento ofereceu até mesmo memórias que iam além do Megadeth. "Eu já havia tocado no Budokan oito vezes antes daquilo, com vários projetos diferentes aqui no Japão - e sempre me vêm dois pensamentos à cabeça. O primeiro é, na verdade: 'Eu queria muito estar tocando aqui com a minha banda da adolescência, a Deuce', porque, por algum motivo, isso está sempre no meu coração. Não sei o motivo. Sempre que faço um show muito legal, penso naqueles caras, porque aquele era o sonho original. Mas também penso: 'Eu realmente preciso fazer isso com o Megadeth'. E nós fizemos; foi algo maravilhoso para mim e, acredito, para os fãs também."
Friedman ainda tocaria com o Megadeth novamente seis meses mais tarde, no Wacken Open Air, na Alemanha. Em setembro do ano passado, abriu um show da banda na Turquia, embora não tenha subido ao palco com os amigos.
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