Os três álbuns do Pink Floyd que Roger Waters não consegue engolir
Por Bruce William
Postado em 08 de outubro de 2026
Roger Waters não costuma economizar nas críticas quando fala sobre o passado do Pink Floyd. Em diferentes momentos da carreira, o baixista e compositor atacou tanto a fase inicial do grupo quanto os discos feitos depois de sua saída, deixando claro que há pelo menos três álbuns que ele dificilmente colocaria entre seus favoritos.
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O primeiro é "The Piper at the Gates of Dawn", estreia do Pink Floyd lançada em 1967 e fortemente associada à criatividade de Syd Barrett. Em entrevista à revista Q em 1992, Waters foi bastante duro ao recordar aquele período: "Éramos ridículos. Éramos inúteis. Não sabíamos tocar, então tivemos que fazer algo estúpido e 'experimental'." Logo depois, porém, abriu uma exceção importante: "Aquilo era Syd. Syd era um gênio."
A antipatia de Waters por "A Momentary Lapse of Reason", de 1987, tem outra origem. Foi o primeiro álbum lançado pelo Pink Floyd depois de sua saída, com David Gilmour e Nick Mason mantendo o nome da banda e Rick Wright retornando ao projeto. Waters travou uma batalha jurídica em torno da continuidade do grupo e deixou claro que não reconhecia aquela formação como o Pink Floyd que havia ajudado a construir. Ao comentar o disco na época, resumiu: "Acho que as músicas são fracas, em geral. As letras, eu nem consigo acreditar."
O sucesso comercial do álbum só aumentou a irritação. Anos depois, Waters admitiu que ficou incomodado ao ver o público aceitar a nova fase sem grandes dificuldades, enquanto sua própria carreira solo tinha alcance bem menor. Para ele, o problema ia muito além de simplesmente não gostar das músicas: havia também uma disputa sobre identidade, autoria e sobre quem tinha o direito de continuar usando o nome Pink Floyd.
"The Division Bell", lançado em 1994, também nunca conquistou Waters. O segundo álbum de estúdio do Pink Floyd sem ele consolidou a fase liderada por Gilmour, com Wright novamente integrado ao grupo. Waters continuou tratando esse período com enorme desprezo em entrevistas, vendo os discos posteriores à sua saída como trabalhos que carregavam o nome da banda, mas não aquilo que ele considerava sua essência criativa.
A implicância de Waters com esses três discos, porém, vem de lugares bem diferentes. "The Piper at the Gates of Dawn" representa uma fase que ele próprio considera musicalmente rudimentar, embora reconheça o talento de Barrett. Já "A Momentary Lapse of Reason" e "The Division Bell" pertencem ao período em que o Pink Floyd seguiu adiante sem ele, justamente quando a disputa pessoal e artística entre Waters e seus antigos companheiros atingiu o auge.
Gostando ou não das opiniões do baixista, os três casos mostram que Waters nunca teve grande interesse em tratar toda a história do Pink Floyd como algo sagrado. Nem mesmo quando essa história inclui discos que boa parte dos fãs continua ouvindo com enorme carinho.
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