Quando Keith Richards se apaixonou por uma música - e pela vocalista que a cantava
Por Bruce William
Postado em 08 de outubro de 2026
Keith Richards já ouviu muito rock em circunstâncias improváveis, mas poucas lembranças parecem ter ficado tão fortes quanto uma noite de 1964, durante uma turnê pelo norte da Inglaterra. Foi ali que ele ouviu as Ronettes cantando nos bastidores e acabou se apaixonando não apenas por uma música, mas também por Ronnie Spector.
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Anos depois, ao introduzir as Ronettes no Rock and Roll Hall of Fame, Richards relembrou o momento. Ele contou que caminhava por um corredor escuro e úmido quando começou a ouvir vozes vindo de uma escadaria. "Então percebi que estava ouvindo as Ronettes. E aquela voz pura, pura por cima, cantando 'Be My Baby'." Segundo o guitarrista, ele acabou ganhando uma apresentação particular sem sequer ter pedido.
A música já era um fenômeno. Lançada em 1963, "Be My Baby" chegou ao segundo lugar da parada americana e se tornou uma das gravações mais conhecidas da chamada Wall of Sound de Phil Spector. A faixa, cantada por Ronnie Spector, seria décadas depois incorporada ao National Recording Registry dos Estados Unidos por sua importância cultural e histórica.
Richards dizia considerar "Be My Baby" "uma das maiores músicas já gravadas", mas a lembrança daquela turnê ia além da admiração artística. Conforme reproduzido na Far Out, em sua autobiografia, "Life", ele contou que Ronnie tinha 20 anos e o impressionava tanto pela voz quanto pela presença. "Eu me apaixonei por ela em silêncio, e ela se apaixonou por mim."
Os dois eram tímidos, segundo Richards, e por isso a história ficou mais na troca de olhares e na proximidade durante a turnê do que em grandes declarações. As Ronettes excursionaram pelo Reino Unido naquele período, enquanto os Rolling Stones apareciam como atração de apoio, numa fase em que ambos os grupos ainda estavam construindo suas trajetórias fora dos Estados Unidos.
Richards também dizia que aquele contato ajudou a reforçar sua admiração pela maneira como as Ronettes cantavam juntas. Para ele, mesmo sem os grandes arranjos de estúdio de Jack Nitzsche e Phil Spector, o trio conseguia sustentar sozinho o impacto das canções. "Elas tocaram meu coração ali mesmo, e ainda tocam."
A relação entre Richards e Ronnie Spector nunca virou um grande romance público, mas a memória ficou. Décadas depois, ele ainda ligava aquela noite de 1964 a uma das músicas que mais admirava - e à cantora por quem acabou se apaixonando enquanto os Rolling Stones ainda estavam aprendendo a lidar com a vida na estrada.
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