David Bowie lista e comenta seus 25 álbuns preferidos de todos os tempos
Por André Garcia
Postado em 06 de maio de 2022
Reza a lenda que todo nerd em algum momento de sua vida lista seus álbuns preferidos. Kurt Cobain fez sua lista em seus diários, e em 2003 David Bowie fez a dele para a revista Vanity Fair. Ou melhor, tentou.
Dono de uma invejável coleção de LPs, ele já começou a publicação alertando: "Não há qualquer possibilidade de eu conseguir listar meus álbuns preferidos com qualquer racionalidade. Eu tenho apenas cerca de 2500 discos em vinil, [então] vou percorrer os álbuns e listar os que eu comprei de novo em CD, ou estou para comprar."
"Eu pego alguns aleatoriamente", continuou, "mas são muito óbvios ('Sgt. Pepper's...', Nirvana...), eu vou pular esses e encontrar algo mais interessante. Se você tiver oportunidade de ouvir algum deles, eu garanto que terá noites de deleite musical. Então, sem qualquer tipo de ordem, aqui estão 25 álbuns que podem mudar sua reputação."
"The Last Poets" — The Last Poets
"Shipbuilding" — Robert Wyatt
"The Fabulous Little Richard" — Little Richard
"Music for 18 Musicians" — Steve Reich
"Velvet Underground & Nico" — The Velvet Underground
"Tupelo Blues" — John Lee Hooker
"Blues, Rags and Hollers" — Koerner, Ray and Glover
"The Apollo Theatre Presents: In Person! The James Brown Show" — James Brown
"Forces of Victory" — Linton Kwesi Johnson
"The Red Flower of Tachai Blossoms Everywhere: Music Played on National Instruments" — Vários artistas
"Banana Moon" — Daevid Allen
"Jacques Brel is Alive and Well and Living in Paris" — Cast Album
"The Electrosoniks: Electronic Music" — Tom Dissevelt
"The 5000 Spirits of the Layers of the Onion" — The Incredible String Band
"Ten Songs by Tucker Zimmerman" — Tucker Zimmerman
"Four Last Songs (Strauss)" — Gundula Janowitz
"The Ascension" — Glenn Branca
"The Madcap Laughs" — Syd Barrett
"Black Angels" — George Crumb
"Funky Kingston" — Toots & The Maytals
"Delusion of the Fury" — Harry Partch
"Oh Yeah" — Charles Mingus
"Le Sacre du Printemps" — Igor Stravinsky
"The Fugs" — The Fugs
"The Glory of the Human Voice" — Florence Foster Jenkins
David Bowie comentou cada álbum de sua lista. Confira abaixo um trechinho de cada.
"The Last Poets" — The Last Poets
Um dos mais importantes tijolos na construção do rap. Um dos discos mais politizados a entrar nas paradas da Billboard.
"Shipbuilding" — Robert Wyatt
Uma bem feita e empolgante música de co-autoria de Elvis Costello. A interpretação de Wyatt é definitiva.
"The Fabulous Little Richard" — Little Richard
Estranhamente subestimadas, essas apresentações foram gravadas por Richard em suas primeiras sessões para a [gravadora] Specialty, a maior parte em 1955.
"Music for 18 Musicians" — Steve Reich
Eu assisti esse espetáculo no centro de Nova Iorque no final dos anos 70. Imediatamente reconheci o enorme talento e bom gosto de Reich. A música me deixou pasmo. Impressionante.
"Velvet Underground & Nico" — Velvet Underground
Minha banda Buzz acabou, mas não antes de eu exigir tocar "I’m Waiting for the Man" no bis do último show. Eu fiz um cover do Velvet Underground antes de qualquer um no mundo — antes mesmo do disco ser lançado.
"Tupelo Blues" — John Lee Hooker
Em 1963 eu trabalhava numa agência publicitária em Londres. Meu superior imediato me mandou comprar para ele o lançamento do John Lee Hooker, e me aconselhou comprar um para mim também porque era maravilhoso.
"Blues, Rags and Hollers" — Koerner, Ray and Glover
Demoliu as vocalizações franzinas de trios folk como o Kingston Trio e Peter, Paul [and Mary], Koerner e companhia mostraram como se fazia! [Foi a] primeira vez que ouvi um violão de 12 cordas.
"The Apollo Theatre Presents: In Person! The James Brown Show" — James Brown
Permanece para mim sendo um dos mais empolgantes álbuns ao vivo de todos os tempos. Ali, a soul music teve um rei incontestável.
"Forces of Victory" — Linton Kwesi Johnson
Esse cara escreveu alguns dos mais tocantes poemas que podem ser encontrados na música popular. Só a triste "Sonny’s Lettah (Anti-Sus Poem)" já vale a compra.
"The Red Flower of Tachai Blossoms Everywhere: Music Played on National Instruments" — Vários artistas
Essas faixas são belos exemplos de música folk sendo tocada com instrumentos tradicionais.
"Banana Moon" — Daevid Allen
É possível que o embrião do estilo glam tenha surgido aqui. Eu ouvi essa manhã e fiquei bobo de ver que soava como Brian Ferry e Spiders from Mars!
"Jacques Brel is Alive and Well and Living in Paris" — Cast Album
Na época [1968] o elenco era liderado por Mort Shuman. Eu fui totalmente conquistado.
"The Electrosoniks: Electronic Music" — Tom Dissevelt
Esse era um dos álbuns experimentais lançados pelas gravadoras para divulgar a novidade que era o estéreo. É do nível de Ennio Morricone, mas com muito mais loops.
"The 5000 Spirits of the Layers of the Onion" — The Incredible String
BandEsse era obrigatório nos festivais de verão nos anos 60. Eu e Marc Bolan éramos grandes fãs.
"Ten Songs by Tucker Zimmerman" — Tucker Zimmerman
Esse cara é qualificado demais para o folk, na minha opinião. Eu sempre achei esse álbum emburrado, com composições raivosas, eu frequentemente me perguntava o que deveria ter acontecido com ele.
"Four Last Songs (Strauss)" — Gundula Janowitz
Essa performance foi adequadamente descrita como trancedental. Ela sofre de amor por uma vida que está desaparecendo. Eu não conheço outra música ou performance que me emocione como essa.
"The Ascension" — Glenn Branca
O que no começo soa como dissonância, logo é assimilado como um jogo de possibilidades de sobreposições de massas de guitarra. [Um dos] músicos da banda era Lee Ranaldo, fundador do grande Sonic Youth com Thurston Moore.
"The Madcap Laughs" — Syd Barrett
Syd sempre será o Pink Floyd para nós, fãs das antigas. Destaque para a faixa "Dark Globe", gloriosamente perturbadora e pungente.
"Black Angels" — George Crumb
Eu ouvi isso nos meus tempos mais sombrios nos anos 70, e fiquei morrendo de medo. Tem momentos em que realmente soa como feito pelo demônio.
"Funky Kingston" — Toots & The Maytals
Se você se considera louco por reggae, você tem que ouvir esse, claro.
"Delusion of the Fury" — Harry Partch
Representa a melhor panorâmica do que Partch é capaz. Ora é infernalmente arrepiante, ora é animadamente positivo.
"Oh Yeah" — Charles Mingus
Esse tem a faixa "Wham Bam Thank You Ma’am", e também me apresentou a Roland Kirk.
"Le Sacre du Printemps" — Igor Stravinsky
Eu podia quase criar minha própria dança imaginária com essa música fantástica. O tema com as quatro tubas é tão poderoso quanto qualquer riff de rock.
"The Fugs" — The Fugs
Essa com certeza foi uma das bandas mais liricamente explosivas do underground. Não eram os melhores músicos… mas quer mais punk que isso?
"The Glory of the Human Voice" — Florence Foster Jenkins
Ela agraciava Nova Iorque com sua voz monstruosa uma ou duas vezes por ano, em recitais fechados no Ritz-Carlton para alguns poucos felizardos.
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