Baixistas: uma breve análise das quatro cordas
Por Igor Z. Martins
Postado em 09 de outubro de 2013
Ser baixista é uma arte. Só porque o cara das quatro cordas não está fazendo centenas de solos à velocidade da luz, não significa que o sujeito não é importante. Além de ser responsável por grande parte do peso de uma banda de rock, o baixista é aquele cara que, quase sempre, vai ser invisível; ofuscado pelas proezas do guitarrista, do vocalista e do baterista. Então, se você vai querer tocar baixo, entenda desde já que pouca gente vai te dar importância – a menos que você faça solos desnecessários à velocidade da luz.
Melhores e Maiores - Mais Listas
(ALERTA: O presente texto é a MINHA opinião e eu não sou obrigado a ter a SUA opinião. Se você é fanático, não leia este texto. Se você tem crises de convulsão quando alguém o contraria ou critica um dos seus ídolos, não leia este texto. Se você vira purpurina face à qualquer gosto ou opinião diferentes da sua, não leia este texto. Quer ler? Não resiste? Ok, só não venha me encher o saco depois. Chatos, fanáticos, chiliquentos e demais adeptos de palhaçada serão sumariamente considerados idiotas. Obrigado.)
No mundo dos baixistas existem os geniais, os medíocres e os superestimados. Um baixista superestimado, por exemplo, é Steve Harris, DONO do Iron Maiden. Se você entende de música, vai notar que Harris faz exatamente o mesmo tipo de linhas de baixo desde 1980. Só para te contar: o riff de baixo inicial de "The Clairvoyant" é o mesmo de "The Number Of The Beast", só que ao contrário. Genial, não? Praticamente todos os dedilhados de baixo que vieram depois de 1992 são iguais (as mesmas notas). A esmagadora maioria dos cavalgados de Harris se focam em E (mi), C (dó), G (sol) e depois E (mi) de novo. De vez em quando ele coloca um D (ré) na equação para dar uma variada. Talvez a maior proeza como baixista que pode ser atribuída a Harris é a introdução de "Blood On The World’s Hands", do álbum "The X Factor" (1995), época em que ele estava com a mania de fazer introduções com baixos acústicos. Normalmente, era algum dedilhado em E (mi) e as outras notas já citadas. Tudo bem: eu adoro Iron Maiden e Steve Harris era meu ídolo quando eu tinha 15 anos. O problema é que o cara ganha eleição após eleição como "O Melhor Baixista!", o que prova que as pessoas que votam nessas coisas não têm senso crítico e nem conhecimento da coisa. Sim, Harris compôs todo o repertório do Iron Maiden (praticamente tudo igual), tem velocidade nos dedos (o que faz o seu som parecer um estapear nas cordas do baixo) e é um Deus. Mas "melhor baixista do universo", não.
Outro camarada superestimado é David Ellefson. Mesmo eu adorando Megadeth (especialmente a fase dos anos 1990), não há como não observar que "Junior" não faz absolutamente nada que saia das sombras das guitarras de Dave Mustaine. Você vai precisar de muitas audições do Megadeth para notar alguma coisa que esse cara faz que destoe dos andamentos de Mustaine. Eu consigo citar, de memória, a música "Countdown To Extinction", onde há uma discreta melodia do contrabaixo na introdução. No restante, tampouco consigo dizer como são as linhas de baixo do cara, porque eu não consigo escutá-las. Mas Ellefson está sempre lá, entre os baixistas mais importantes do rock pesado. Aguardo bons-samaritanos para refrescar minha memória a respeito de alguma proeza de David Ellefson.
Eu ia colocar John Myung em outra categoria, mas ele é outro cara superestimado por fãs e todas as listas de baixistas que já foram lançadas. O que Myung faz é só técnica. Nada de musicalidade. Então você dá um brinquedinho de seis cordas a ele, uns quinhentos tipos de efeitos e pedais, os amplificadores das melhores linhas e ele fica loqueando com milhões de notas localizadas após a casa 12 do instrumento e todo mundo acha que o chinês é um gênio do contrabaixo. O cara tem técnica, é "estudado", conhece todas as escalas musicais jamais vistas pela humanidade, mas não tem "punch" nenhum. Só punheta! Na verdade, eu não duvido que Myung seja mudo de verdade, tendo em vista que praticamente ninguém o ouviu falar. Provavelmente, nas reuniões da banda, ele se comunica com algum solo de baixo maluco ou com linguagem de sinais. Vai saber...
Lemmy Kilmister do Motörhead é outro fanfarrão. Pluga todos os seus efeitos e distorções e toca à velocidade da luz, sempre no bom e velho Dó-Ré-Mi e todos o consideram um Deus. Ninguém sabe o motivo de sua "marca registrada", que é "cantar" (resmungar com rouquidão) com aquele microfone a dois metros da altura da sua cabeça. Provavelmente seja algum bico de papagaio ou qualquer outro problema de coluna. Mas é outro que sempre está nas pole positions das listas de baixistas deuses.
Os medíocres são, basicamente, todo baixista de punk rock que já existiu no planeta. Caras que você nem sabe o nome, a menos que estes estejam envolvidos em escândalos, como Syd Vicious: chapado e provavelmente assassino de sua namorada (groupie) Nancy Spungen. Krist Novoselic, do Nirvana, é outro que as pessoas só sabem o nome porque tocou na banda de Kurt Cobain. Não fosse por isso... Krist quem? Analisando as linhas de baixo do Nirvana, conclui-se que até uma velha com artrite consegue fazer aquilo. Não que coisas eximiamente trabalhadas sejam sinônimo de boa música. Mesmo sendo fã de Nirvana, não dá para deixar de observar que o cara é medíocre – um inútil e um figurante de palco. Eu ia falar dos baixistas do Screaming Trees, Soundgarden e The Offspring, mas eu nem sei se eles existem, de fato.
Os gênios: para ser um gênio das 4 (ou 15 ou 20 cordas), não é necessário fazer solos malucos, escalas complicadas e arpejos alienígenas. Em minha opinião, Geddy Lee, do Rush, é o melhor baixista da galáxia. O que ele faz com quatro cordas e um (sim, eu disse UM!) dedo, cantando e tocando teclado, John Myung, por exemplo, não faz nem com 50 cordas e 50 dedos. Lee não fica bobeando em cima de solos e escalas, mas simplesmente recheia as músicas do Rush de uma forma extremamente criativa. "Tom Sawyer" não seria "Tom Sawyer" sem o baixo de Geddy. Pessoalmente, como baixista, eu vejo Geddy tocando e desligo o aparelho de TV ou o computador, tamanha a inveja que eu sinto do cara. Você fica pensando: "Como ele faz isso?". E "faz isso" sem ser um punheteiro, sem usar 6421 tipos de efeitos e distorções. Nas eleições dos melhores baixistas da Terra, Geddy sempre é derrotado por Steve Harris. É como dizer que Johnny Ramone é melhor que Eddie Van Halen ou Steve Vai.
Um cara subestimado que é um puta baixista: Rex Brown, do Pantera. As linhas de Rex são extremamente simples, mas criativas. Quando você escuta Pantera no volume máximo e seus autofalantes explodem, culpe Rex Brown por isso. Todo o peso que o Pantera tem é oriundo do baixo de Rex. Sua sonoridade e timbre são inconfundíveis: parecem uma marcha de tanques de guerra. "Throes Of Rejection", é o exemplo da insanidade criativa do homem, que, com pouquíssimas notas faz uma cama de pregos pesando toneladas para o restante da banda.
Billy Sheehan, do Mr. Big e vários outros projetos, é mais um camarada que te obriga a desligar a televisão quando o está assistindo. Com seu Yamaha verde de quatro cordas, o cara faz qualquer baixista ranger os dentes de inveja. Mas sua mensagem é muito procedente: "vocês não são meramente tocadores de tônicas e capachos de guitarristas!". Há quem diga que Billy é um punheteiro das quatro cordas. Eu discordo: ele masturba aquele baixo na hora certa, no momento certo e sem exageros e firulas descabidas. Ouvir esse cara tocando é uma aula para qualquer baixista que não quer viver na sombra de seu guitarrista.
E o que falar de John Paul Jones, do Led Zeppelin? O homem é praticamente um jazz man. Dizem que o Led Zeppelin é a expressão da alma de Jimmy Page, mas todo o andamento e progressão musical do Led vem das quatro cordas de Jones. É um baixista extremamente versátil e criativo. Se ele mete um cavalgado aqui, aposte que verá um swing logo ali, um slap daqui a pouco! E John Paul Jones é outro camarada praticamente invisível quando você fala de Led Zeppelin. Todos, imediatamente, pensam no vocalista fresco, no guitarrista virtuoso e no baterista morto. John Paul Jones é sempre derrotado por Steve Harris em listas de melhores baixistas.
Dos "fodões" do metal, não dá para esquecer de Steve DiGiorgio (Iced Earth, Sadus, Death, Testament) e Cliff Burton (RIP – Metallica). Os dois são a prova de que em heavy metal o baixo não fica bobeando apenas em tônicas e tampouco fazendo solos à velocidade da luz. São ícones da criatividade baixista que não flerta com exageros. Ambos são sempre derrotados por Steve Harris em listas de melhores baixistas.
Para fechar, cito outros baixistas que não são formados em conservatório, que não são punheteiros, mas são criativos e essenciais às suas bandas: Rachel Bolan, do Skid Row, Mike Inez, do Alice In Chains, Jason Newsted, ex-Metallica, Joey Vera, do Armored Saint, Geezer Butler, do Black Sabbath, Pete Agnew, do Nazareth, Jeff Ament, do Pearl Jam, Flea, do Red Hot Chili Peppers, Robert DeLeo, do Stone Temple Pilots, (todos derrotados por Steve Harris em listas dos melhores baixistas de todos os tempos) etc.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Jim Root entende que novo álbum do Slipknot irá "magoar algumas pessoas"
A banda idolatrada por Eddie Vedder que nunca tocou no Brasil: "Ele era fanático"
A lenda nordestina que é o Van Halen brasileiro, segundo Rafael Bittencourt
Roger Waters e filho criam o Legacy, projeto que celebra a obra do Pink Floyd
O astro do rock que "deu aula" no Rock in Rio 2026, segundo Gastão Moreira
De Megadeth a Bruce Springsteen, as 10 músicas mais sombrias da história do rock
Jim Root admite que último álbum do Slipknot não foi bom
Rudy Sarzo acredita que morte de Randy Rhoads não foi acidente: "Piloto sabia que ia fazer"
O álbum de 1970 que vendeu mais que Beatles e Led Zeppelin
O show de reunião que deixou Mick Jagger impressionado e querendo muito mais
A opinião de Bruce Dickinson sobre o Cannibal Corpse em 1994
O álbum definitivo do Dream Theater, na opinião do vocalista James LaBrie
Por que Tony Iommi acha que grandes músicos não conseguiam tocar Black Sabbath direito
Como surgiu a ideia de formar o Heaven & Hell, de acordo com Geezer Butler
A frase de Brent Hinds em sua última entrevista que ganhou um significado muito triste

Metal Hammer e Classic Rock ranqueiam discografia do Judas Priest
O disco gravado por Rob Halford que Metal Hammer considera um dos piores do Judas Priest
As 5 melhores músicas que o Slayer lançou de 1990 em diante, segundo leitores da Revolver
Qual banda do Big Four do thrash metal possui a discografia de estúdio mais extensa?
Metal Hammer ranqueia todos os discos do Judas Priest, do pior ao melhor
O melhor disco do Judas Priest, de acordo com a Metal Hammer
As 10 melhores músicas que o Slayer lançou no século XXI, segundo o Metal Injection
As 10 músicas de Elton John que são as preferidas de Zakk Wylde
Em 1986, leitores da Kerrang! escolhiam os melhores discos do ano
5 discos lançados em 2000 que todo fã de heavy metal deveria ouvir ao menos uma vez na vida
Seis citações de Raul Seixas a Jesus Cristo em letras com intenções bem distintas


