André Anheiser Ferrari: "A arte para a população é reciclável"
Por Eder Stevanato Vilhalva
Fonte: headbangerforcenation
Postado em 01 de julho de 2013
"A arte para a população é reciclável. Você consome porque está na moda, porque é visível. Amanhã não dá mais importância..."
André Anheiser Ferrari, morador da cidade de Jaú interior de SP, foi vocalista da extinta banda "Eyes of Shiva", atualmente envolvido com as bandas "Gangbang" e "MR. Ego", da aulas de canto
Headbanger Force Nation - André, você tem uma técnica vocal excelente, com drives bem colocados, agressivos, agudos melódicos bem legais, ou seja, você pode transitar por várias linhas vocais sem problemas. Quais as suas influências, e o quanto elas direcionam seu estilo de cantar?
André Ferrari - Obrigado! Bom, acho que, não ouvir somente cantores de metal tradicional conduz a um vocal mais rico. Há cantores de nível técnico fenomenal fora do estilo. É uma colocação, impostação e interpretação rica, que às vezes grandes nomes de metal nem sonham. Minhas principais influências como cantor são, cantores de hard rock e metal com pegada mais blues, mais soltos na interpretação e no uso de técnicas. São muitos nomes: Göran Edman, Joey Lynn Turner, Joey Tempest, Russell Allen, Mark Boals, Carl Albert, Steve Perry, Roberto Tiranti, Michael Vescera, Sebastian Bach, Stevie Wonder, Tony Marti. Basicamente gosto dos vocais que cantam em voz plena, com pouco uso de falsetes. Encarei isso como desafio desde que comecei. Soa bem diferente, além de ser bem mais difícil.
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HFN - O que podemos esperar desse novo CD do Mr. Ego ?
André - Espero fazer o que não fiz até então, em nenhum trabalho anterior. Quero me explorar ao máximo, já que me deram total liberdade para isso. Mas, claro, terei de dar o que a música pede, sem excessos.
HFN - Você foi vocalista da banda Eyes of Shiva, que era uma banda fantástica, e que infelizmente encerrou suas atividades. De lá para cá, quais mudanças você notou na cena metal num contexto geral? Houveram mudanças positivas, negativas, quais?
André - Hoje os meios de você se fazer uma arte boa, uma gravação de qualidade e realmente expor seu trabalho ao mundo, estão muito mais simples. Isso é ótimo. Muitos reclamam que devido a internet e a veiculação de MP3 não se vende mais CDs. Mas nesse estilo, só grandes nomes ganhavam consideravelmente com vendas dos álbuns. Os pequenos, muito pouco. Mas ainda há a cultura, numa minoria, de ter o material original do artista que você gosta. Banda de rock ganha por shows. Esse fácil acesso ao material permite que o universo conheça seu som. Antes era bem complicado para ter tal alcance. Já quanto ao cenário, o público, o que realmente mantém o gênero vivo, é algo realmente preocupante. Sempre houve uma reciclagem de público no gênero. Amigos que ouviram metal porque a turma ouvia e hoje não ouve mais, sempre aconteceu. Mas hoje, a geração mais nova, pouco está apreciando e se identificando ao estilo. Isso é reflexo da educação brasileira. A arte para a população é reciclável. Você consome porque está na moda, porque é visível. Amanhã não dá mais importância. A música é sinônimo de festa, de casa lotada, de mulherada, bebida e bagunça. O rock, principalmente o mais pesado, não promove isso. Nunca promoveu. Tanto que o brasileiro, paga uma fortuna para shows gringos, claro, é a banda clássica que ama, além de ter certa ostentação, em mostrar em que show você foi ou não. Fora shows internacionais, os brasileiros vão a qualquer outra festa que toque qualquer outro estilo. Não adianta metaleiro reclamar do sertanejo ou do axé e aos finais de semana, o mesmo ser o som que embala sua noite. Por quê? Balada lotada, pegação e bebida. Devido à escassez de público, muitos contratantes já não trabalham mais com esse estilo. E não estou falando de metal, não. Estou falando também de rock e o mais acessível rock pop. E o som da banda nacional que você diz ser animal? Esta só existe se tem admiração pelo seu trabalho e público nos shows. Bandas brasileiras têm de ir para o exterior, fazer sucesso lá e chegar como notícia aqui para o público dar valor. Hoje o foco das bandas com trabalhos sólidos é esse... Ninguém mais espera reconhecimento aqui. Triste, muito triste. Isso faz com que muitas bandas ótimas desanimem e acabem. Aí irão chorar e lembrar com saudosismo os anos dourados, tempos quando o Brasil tinha ótimas bandas de metal. Têm de acordar agora!
HFN - Como rolou o convite para você fazer parte da Mr. Ego?
André – O Paulo André me conheceu após um show do Eyes Of Shiva em Catanduva, em 2004. Tinha ele no facebook, mas nunca tinhamos conversado antes. Começamos a nós falar e, pouco tempo depois o vocalista anterior decidiu sair da banda. Gravei 2 demos e mandei...
HFN - Quais os planos após o termino do Cd? Podemos esperar alguma outra novidade?
André - Estamos estudando algumas coisas inusitadas também. Algo bem fora do comum no metal. Acho que vai rolar e ficará bem "diferente". Temos a participação também do guitarrista Bill Hudson (Circle II Circle). Um músico brasileiro que reside nos EUA há anos, gente boníssima e toca muito!
Para ler a entrevista completa acesse nosso site.
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